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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 3

LEAH HAMPTON

Passamos em casa e tomei banho, agora tinha minha bolsa com roupas para o dia seguinte jogada no banco de trás, e minha mão descansava casualmente na coxa dele enquanto Markus dirigia.

Quando o elevador se abriu na cobertura, fomos recebidos por um aroma delicioso de assado e pelo som de desenho animado.

— Leah! — Mark gritou assim que nos viu, abandonando seus carros de corrida no tapete e correndo em nossa direção.

O abraço dele nas minhas pernas foi tão espontâneo e caloroso que senti o último vestígio do estresse do dia derreter. Olhei para Markus, que observava a cena com um sorriso suave, aquele olhar de "pai orgulhoso" que ainda parecia novo e um pouco desconfortável nele, mas incrivelmente atraente.

— Oi, Mark! — Abaixei-me para ficar na altura dele. — Como foi o seu dia?

— Fiz uma garagem! — Ele apontou para uma estrutura de livros e almofadas. — E a babá me deixou comer dois cookies.

— Dois? Que rebelde. — Pisquei para ele.

Markus dispensou a governanta e a babá, agradecendo, e ficamos só nós três.

O jantar foi tranquilo. Sra. Higgins tinha deixado um rosbife com batatas que estava divino. Comemos na mesa da cozinha, menos formal do que a sala de jantar, rindo das histórias de Mark sobre a escola e sobre como ele achava que a babá era, na verdade, uma robô disfarçada porque ela nunca piscava. Isso me deixou curiosa, quando tiver chance vou focar nos olhos dela.

— Vamos lá, hora de escovar os dentes. — Markus anunciou, recolhendo os pratos.

— A Leah pode ir comigo? — Mark perguntou, esperançoso.

— Claro. — Respondi antes que Markus pudesse dizer algo. — Eu também preciso escovar os meus.

Peguei a escova na minha bolsa e fomos para o banheiro dele, que era decorado com toalhas do Batman. Ficamos lado a lado na frente do espelho. Mark subiu no banquinho para alcançar a pia.

— Círculos, entendido? — Falei, colocando pasta na escova dele.

— Círculos. — Ele repetiu, sério.

Escovamos em sincronia, fazendo espuma e caretas no espelho.

Quando terminamos e enxaguamos a boca, Mark me puxou pela manga da camiseta.

— Leah, você sabe jogar Mario Kart?

— Se eu sei? — Ri maldosamente, secando as mãos. — Garoto, eu sou a rainha da Rainbow Road.

Os olhos dele brilharam como faróis.

— O meu pai é muito ruim. Ele sempre cai na lava. Você quer jogar comigo?

— Seria uma honra. — Fiz uma reverência.

Fomos para a sala. Markus estava terminando de colocar a louça na máquina quando chegamos.

— O que vocês estão tramando? — Ele perguntou, encostado no batente da porta, secando as mãos num pano de prato.

— A Leah vai jogar! — Mark anunciou, pulando no sofá e ligando o console. — E ela disse que é a rainha.

— Rainha, é? — Markus ergueu uma sobrancelha, desafiador. — Veremos. Mas antes, eu preciso de um banho. Vocês dois estão banhados e cheirosos, eu ainda estou com cheiro de hospital.

— Vai lá, fedorento. — Falei e Mark riu.

— Fedorento... — Markus balançou a cabeça, fingindo ofensa, mas lançou um olhar para mim que prometia vingança. — Volto em vinte minutos.

Ele saiu, eu me acomodei no sofá ao lado de Mark e peguei o controle extra.

A música do menu começou a tocar, aquela melodia alegre e nostálgica.

— Tá. O sofá é bom mesmo. Vamos jogar de novo.

Soltei o ar, aliviada.

— Vamos. Dessa vez eu deixo você largar na frente.

Jogamos mais três partidas. Eu ganhei duas, ele ganhou uma, porque eu fingi que meu controle falhou, claro.

Vinte minutos depois, Markus voltou. Ele estava vestindo uma calça de moletom cinza e uma camiseta preta básica, o cabelo úmido e despenteado, exalando aquele cheiro de banho fresco que fazia meu cérebro desligar. Ele parecia relaxado, refrescante e devastadoramente bonito.

— Quem está ganhando? — Ele perguntou, caminhando até o sofá e se sentando no meio, entre mim e Mark.

O sofá afundou com o peso dele. O braço dele roçou no meu, e senti aquele choque familiar. Ele passou o braço pelos ombros de Mark, puxando-o para um abraço de lado.

— A Leah. — Mark disse, animado. — Ela é muito boa, pai. Ela ganhou de mim três vezes!

— Três? — Markus olhou para mim, impressionado. — Você não tem piedade de crianças, Dra. Hampton?

— No Mario Kart não existem amigos ou piedade, Markus. — Respondi, séria.

Markus riu, e Mark riu junto.

Então, o menino olhou para o pai, com a mesma expressão curiosa que fez para mim antes.

— Pai?

— Oi, campeão.

— A Leah é sua namorada?

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