LEAH HAMPTON
Markus desencostou da mesa. Ele cresceu pra cima de mim, toda a altura dele estava sendo usada para intimidar.
— Não misture as coisas. O que acontece na sua casa ou na minha cama não tem nada a ver com a gestão deste hospital. Aqui, eu tomo as decisões difíceis para garantir que este prédio continue aberto daqui a cinco anos. Se eu não cortar custos, Leah, não vai ter trauma, não vai ter enfermeira, não vai ter hospital para você operar. Vamos falir.
— Então corte do marketing! Corte dos jantares da diretoria! Não corte de quem salva vidas!
— Eu cortei de tudo isso! — Ele gritou de volta, perdendo a compostura pela primeira vez. — Você acha que eu gosto disso? Você acha que eu acordo de manhã pensando "hum, quem eu vou ferrar hoje?" Eu estou tentando reequilibrar um navio que estava afundando, Leah! E eu preciso que meus chefes de departamento colaborem, não que entrem aqui gritando como crianças mimadas que perderam o brinquedo!
— Criança mimada? — Minha voz saiu num sussurro trêmulo de raiva. — É assim que você me vê quando eu luto pelos meus pacientes?
— Quando você se recusa a ver a realidade econômica e foca apenas no seu pequeno feudo, sim. — Ele foi impiedoso. — Você é uma excelente cirurgiã, talvez a melhor que eu já vi. Mas você não entende nada de gestão. Não me diga como faz o meu trabalho.
Lágrimas de frustração se formaram em meus olhos, mas eu me recusei a deixá-las cair.
— Você tem toda a razão, Markus. — Dei um passo para trás, pegando minha bolsa. — Os residentes te chamam de "O Ceifador". Eu achava que era exagero. Mas talvez eles estejam certos. Você é ótimo em cortar coisas.
— Não vou revogar o memorando. — Ele respondeu, a mandíbula trancada.
— Então prepare-se. Porque eu não vou deixar meus pacientes morrerem por causa da sua planilha de Excel.
Virei as costas e saí.
MARKUS BLACKWOOD
"Ceifador".
Eu sabia que me chamavam assim. Nunca me importei. Era uma ferramenta útil. O medo gera obediência, e a obediência gera eficiência.
Mas eu era o CEO. Se não conseguir ser o vilão as vezes, todos os heróis nesse lugar afundam. Inclusive ela.
A porta se abriu timidamente. Margareth colocou a cabeça para dentro.
— Sr. Blackwood? O Conselho Financeiro está perguntando se pode voltar...
— Diga a eles para esperarem dez minutos. — Rosnei. — E mande alguém limpar esse café.
— Trabalho e prazer não se misturam. — Murmurei para mim mesmo. Todos os outros chefes de departamento respeitaram minha decisão sem questionar, mas minha chefe de cirurgia que era a pessoa mais importante para ter o apoio veio aqui gritar comigo. — Todo mundo sabe que não se misturam, Markus. Seu idiota arrogante.
Mas eu não ia recuar. Se eu revogasse o memorando porque minha "quase" namorada pediu, eu perderia a autoridade e o Conselho me comeria vivo.
Eu tinha que manter a posição. Mesmo que isso custe... nós.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!