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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 3

LEAH HAMPTON

Acordei com o alarme tocando às 6 horas. Markus já tinha ido embora.

Ele tinha saído por volta das quatro da manhã, sussurrando um pedido de desculpas no meu ouvido e um beijo na testa, murmurando algo sobre "chegar em casa antes que o Mark acorde". Eu voltei a dormir logo depois.

Deveria ter sido aquele tipo de segunda-feira onde você sorri para estranhos no metrô e acha que o café da máquina tem gosto de Nespresso. Afinal, eu tinha passado a noite mais incrível da minha vida nos braços do homem que eu estava gostando.

Mas, ao chegar ao hospital, a bolha de felicidade estourou antes mesmo de eu trocar de roupa.

— Dra. Hampton! — Grace, a enfermeira-chefe do Trauma, me interceptou antes que eu chegasse ao vestiário. O rosto dela estava vermelho de raiva.

— Bom dia, Grace. O que houve? Algum residente matou alguém?

— Pior. — Ela bateu uma folha de papel na minha mão com tanta força que estalou. — O Escritório Executivo matou a minha escala.

Franzi a testa, pegando o memorando. O papel timbrado com o logo dourado do Manhattan Grace parecia inocente, mas o conteúdo era veneno puro.

MEMORANDUM ADMINISTRATIVO: #405-B

DE: Markus Blackwood, Diretor Executivo

PARA: Chefes de Departamento

ASSUNTO: Reestruturação de Horas Extras e Congelamento de Contratações de Suporte.

" Para garantir a viabilidade fiscal do próximo trimestre e a aquisição do novo parque tecnológico de imagem, fica determinado, com efeito imediato:

1. A redução de 30% nas horas extras da enfermagem de todos os setores, incluindo Trauma e UTI.

2. O congelamento da contratação de técnicos de enfermagem substitutos.

3. A fusão das equipes de limpeza noturna."

Meus olhos percorreram o texto, e rapidamente entendi o motivo da comoção.

— Ele cortou 30% das horas extras? — Minha voz subiu uma oitava. — No Trauma? Grace, nós já operamos no limite! Se tivermos uma grande emergência, quem vai triar os pacientes? Eu e você?

— É o que diz o papel, Doutora. — Grace cruzou os braços, furiosa. — As meninas estão chorando no vestiário. Elas contam com essas horas para pagar as contas, e nós contamos com elas para manter os pacientes vivos. Sem suporte, o tempo de resposta vai dobrar. Pacientes vão morrer na sala de espera.

Amassei o papel na minha mão, transformando a ordem executiva numa bola de lixo.

— "Aquisição do novo parque tecnológico". — Li a justificativa em voz alta. — O diretor está cortando enfermeiras para comprar máquinas de ressonância magnética.

Lembrei-me da conversa dele ao telefone. "Eu não me importo com a projeção, eu quero o orçamento aprovado".

— Dra. Hampton? — Grace me chamou, vendo minha expressão escurecer. — O que vamos fazer?

— Você? Nada. Continue rodando a escala antiga.

— Mas o memorando...

— O memorando pode ir para o inferno. — Joguei a bola de papel no lixo mais próximo. — Eu vou subir e vou resolver isso agora.

— Senhores, nos deem um minuto.

Os três homens recolheram seus papéis rapidamente, e saíram, fechando a porta atrás de si.

Assim que ficamos sozinhos, Markus se levantou.

— Leah. — Ele começou, usando meu primeiro nome, tentando suavizar. — Você não pode invadir meu escritório assim quando eu estou com o Conselho.

— E você não pode cortar 30% da minha equipe de enfermagem sem me consultar! — Gritei, jogando a bolsa no sofá. — Você tem ideia do que fez?

— Eu tomei uma decisão necessária. — Ele caminhou até sua mesa principal e apoiou-se nela. Ele estava irritantemente calmo. O que só me deixava mais nervosa. — O hospital está com um déficit operacional de doze milhões. Precisamos cortar algumas coisas para investir em modernização.

— Se você tirar as horas extras, eu perco a cobertura noturna. Sabe o que acontece quando chega um baleado às três da manhã e eu tenho metade da equipe? O paciente morre!

— Os estudos de eficiência mostram que há ociosidade nos turnos da madrugada, normalmente não tem muito trabalho. Estamos apenas otimizando.

— Estudos de eficiência feitos por quem? Por homens de gravata que nunca pisaram num chão sujo de sangue?! Você é médico, não banque um idiota que acredita nessa bobagem!

Os olhos dele estreitaram. O cinza ficou tempestuoso.

— Cuidado, Dra. Hampton. Você está falando com seu superior.

— Eu estou falando com o homem que disse que valorizava minha honestidade! — Rebati. — Ou aquilo foi só papo de cama?

O silêncio que caiu na sala me fez perceber que minha boca foi longe demais.

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