LEAH HAMPTON
A Sala de Cirurgia 4 era o meu hábitat.
O Sr. Hamilton já estava coberto pelos campos azuis estéreis. A única parte visível dele era a área grotesca onde o vergalhão de metal enferrujado entrava e saía do corpo.
— Muito bem. — Falei, estendendo as mãos para que a instrumentadora calçasse minhas luvas. — O plano é o seguinte: Chang, você fica no abdômen. Oladipo, tórax. Vamos abrir simultaneamente. Incisão tóraco-abdominal esquerda.
— Bisturi.
O metal frio tocou minha mão.
— Incisão.
A cirurgia começou. Foi técnica e bonita à sua maneira.
Expusemos o trajeto do objeto. Era um pesadelo anatômico. O metal tinha perfurado o diafragma, lacerado o lobo esquerdo do fígado e passado a milímetros do pericárdio.
— Cuidado com a retirada. — Avisei, minha voz abafada pela máscara. — Sterling, pare de respirar no meu pescoço e olhe o monitor.
— Sim, Doutora.
— Preparar para a extração. — Segurei a extremidade do vergalhão com uma pinça de força, enquanto Chang preparava as compressas para o tamponamento imediato. — No três. Um... dois... três.
Puxei. O metal deslizou para fora com um som úmido e nauseante.
O sangue jorrou imediatamente do fígado.
— Sangramento! — Sterling gritou.
— Chang, tamponamento! Pressione!
Chang mergulhou as mãos na cavidade, empurrando compressas contra o fígado lacerado.
— Aspirador! — Ordenei para Oladipo. — Limpe o campo, eu não vejo a fonte!
Trabalhamos em sincronia frenética. Suturamos o fígado. Reparamos o diafragma. Lavamos a cavidade com litros de soro morno para evitar infecção pelo metal sujo.
— Pressão subindo. 110 por 70. — O anestesista anunciou.
Soltei o ar, sentindo o suor escorrer pelas minhas costas.
— Hemostasia controlada. — Verifiquei a cavidade uma última vez. — Ótimo trabalho, Chang. Você tem mãos firmes.
Ela sorriu por trás da máscara, os olhos brilhando de orgulho.
Fechamos o paciente em camadas e a pele foi suturada.
— Acabou. — Tirei a máscara e a touca. — Levem-no para a recuperação. Oladipo, fique responsável por ele até ele acordar. Chang, comece o pós-operatório.
— E a senhora, Doutora? — Sterling perguntou, tentando ser útil agora que o perigo tinha passado.
— Eu tenho um relatório para entregar. — Tirei o avental estéril sujo de sangue, revelando meu pijama cirúrgico limpo por baixo.
Fui ao vestiário apenas para lavar o rosto e os braços. Não troquei de roupa. Mantive o pijama cirúrgico azul e soltei o cabelo do rabo de cavalo, deixando os cachos caírem livres sobre os ombros.
Peguei o tablet com os dados da cirurgia e subi para a cobertura.
O andar da diretoria estava silencioso. Eram 14:00, horário de calmaria. A mesa da secretária de Markus estava vazia, provavelmente em almoço.
Dei um passo à frente e coloquei o tablet na mesa, ao lado dele, sem quebrar o contato visual.
— Eu te entendi errado? — Pisquei, inocente.
Markus soltou uma risada curta, incrédula.
— O que você entendeu, exatamente?
Dei mais um passo. Agora, a ponta do meu tênis tocava a ponta do sapato dele. Eu tive que inclinar a cabeça para trás para olhar nos olhos dele.
— Eu entendi... — Levei a mão ao peito dele, espalmando-a sobre a camisa branca. — Que você só queria me ver. — Subi a mão devagar, alisando a gravata dele, até chegar ao colarinho. — Eu entendi que você passou a manhã inteira pensando em mim, assim como eu em você. E que se eu não trancasse essa porta, nós dois não teríamos privacidade para aliviar nossos desejos.
Markus fechou os olhos por um segundo, respirando fundo, como se estivesse lutando contra o último vestígio de controle.
Quando ele abriu os olhos, eles estavam escuros. Ele segurou meu pulso, a mão quente e grande envolvendo meus ossos delicados e me puxou para si.
— Você é realmente corajosa. — Murmurou baixando o rosto. — Trancar a porta do Diretor... insinuar coisas...
— Eu não estou insinuando nada, Markus. — Sussurrei contra a boca dele. — Eu estou sendo bem clara.
Senti as mãos dele descerem para a minha cintura, apertando o tecido do pijama cirúrgico, puxando-me para cima até que eu estivesse na ponta dos pés.
— Não me provoque, doutora. — Ele murmurou, a voz áspera roçando nos meus lábios.
— E quem disse que eu estou provocando? — Mordi o lábio inferior dele, puxando levemente. — Já falei o que queremos e estou totalmente aberta a dar uns amassos escondidos no local de trabalho.
O último fio de controle de Markus arrebentou.
Ele rosnou algo ininteligível e capturou minha boca num beijo que não tinha nada de controlado. Era possessivo, faminto e devastadoramente bom. Que bom que estávamos no horário livre, porque aquele relatório seria longo. Muito longo.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!