LEAH HAMPTON
Segunda-feira.
O alarme tocou às 05:30, mas, pela primeira vez em meses, não acordei com vontade de arremessar o celular contra a parede. Acordei com um sorriso estúpido no rosto e uma memória sensorial vívida do toque de Markus Blackwood.
Enquanto a água quente do chuveiro corria pelas minhas costas, tentei lavar as imagens do domingo da minha mente.
Cheguei ao hospital às 06:45.
Vesti meu pijama cirúrgico, coloquei o jaleco branco e pendurei o estetoscópio no pescoço. Tudo estava no lugar.
Caminhei até o posto de enfermagem da Ala de Trauma. O quadro branco estava lotado.
— Bom dia, Dra. Hampton. — A enfermeira-chefe, Grace, me cumprimentou sem tirar os olhos do computador. — Temos casa cheia. E uma cirurgia grande agendada para as onze que foi solicitada prioridade. Sala 4.
— O Sr. Hamilton?
— O próprio. O empalado.
Assenti.
— Reúna os residentes. Quero fazer a seleção agora.
Cinco minutos depois, quatro residentes de cirurgia geral estavam alinhados no corredor, olhando para mim.
Analisei o grupo.
Havia um rapaz alto, loiro, com uma postura excessivamente confiante Dr. Lucas Sterling, li no crachá. Uma garota asiática que parecia estar revisando mentalmente um livro de anatomia, Dra. Evelyn Chang. Um rapaz negro com olheiras profundas e um caderno de anotações na mão, Dr. Marcus Oladipo. E uma garota de óculos que parecia prestes a hiperventilar, Dra. Sarah Jenkins.
— Muito bem. O caso das onze é o Sr. Hamilton. 45 anos. Acidente em canteiro de obras. Caiu sobre um vergalhão de aço exposto. O objeto entrou pelo quadrante inferior direito do tórax e saiu pelo flanco esquerdo.
Vi Sterling abrir um sorriso presunçoso. Chang franziu a testa.
— O objeto ainda está in situ. — Continuei. — Vamos removê-lo em bloco no centro cirúrgico. É um trauma toracoabdominal complexo. O risco de hemorragia exsanguinante no momento da extração é de quase 100%.
Parei e olhei para eles.
— Eu preciso de dois auxiliares. Um para o controle vascular proximal e outro para a hemostasia abdominal. Quem leu o prontuário e as imagens de tomografia?
Todos levantaram a mão, mas Sterling foi mais rápido em falar.
— Eu vi a angiotomografia, Dra. Hampton. O vergalhão roçou a aorta descendente, mas parece ter poupado os grandes vasos principais. O maior risco é o fígado e o diafragma.
— "Parece" ter poupado é a palavra-chave, Dr. Sterling. — Corrigi. — Em trauma penetrante, o que "parece" na tomografia pode ser uma catástrofe na mesa.
Virei-me para a Dra. Chang.
— Chang, qual a sua abordagem para controle de danos se ele começar a chocar na retirada?
Ela piscou, saindo do transe.
— Clampeamento imediato da aorta torácica, acesso venoso central de alto fluxo já estabelecido e... manobra de Pringle se o sangramento for hepático.
— Correto. — Apontei para ela. — Você entra.
Chang sorriu, aliviada.
Olhei para os outros. Sterling parecia ofendido por não ter sido a primeira escolha. Jenkins estava tremendo. Oladipo estava quieto.
— Oladipo. — Chamei. — Você fica com o aspirador e o segundo campo. Mantenha a visibilidade limpa.
— Sim, Doutora! — Ele assentiu vigorosamente.
— Estamos a caminho da lavagem agora, senhor. — Indiquei os residentes petrificados. — É um procedimento complexo.
Markus deu um passo à frente.
— Trauma toracoabdominal por empalamento. — Ele recitou, os olhos fixos nos meus. — Altíssimo risco. A imprensa está ciente do acidente, há repórteres na porta. A visibilidade desse caso é alta. Mantenha-o vivo para melhorar a imagem do hospital.
— Eu não opero para a imprensa, Sr. Blackwood. Opero para o paciente.
Um canto da boca dele se curvou num microsorriso que só eu vi.
— Eu sei. É por isso que confio no seu bisturi. Faça seu melhor, doutora. — Ele fez uma pausa, e o olhar dele desceu por um segundo para a minha boca antes de voltar para os meus olhos. — Quero um relatório completo sobre o procedimento. Assim que a senhora terminar e deixar o paciente estável, vá até minha sala entregar o relatório... pessoalmente.
Pessoalmente.
Engoli em seco, sentindo as pernas formigarem.
— Claro, senhor. — Minha voz saiu um pouco mais soprada do que eu gostaria.
— Excelente.
Ele assentiu uma vez, girou nos calcanhares e voltou a marchar pelo corredor, o "Ceifador" retomando sua rota de destruição administrativa.
Assim que Markus dobrou a esquina, o grupo soltou o ar coletivamente.
— Jesus... — Sterling murmurou, passando a mão no cabelo. — O cara nem pisca. Você viu como ele olhou para a gente? Parecia que estava escolhendo quem ia demitir primeiro.
— Ele estava olhando para a Dra. Hampton, seu idiota. — Chang sussurrou.
— Certo, chega de fofoca. — Bati palmas uma vez, cortando o assunto. — Temos um homem com um pedaço de aço atravessado no peito. Foco. Vamos lavar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!