LEAH HAMPTON
— Agora estou pensando em você.
— Como?
— Eu não queria que seu alarme tivesse tocado hoje mais cedo.
Fechei os olhos, sentindo um arrepio percorrer todo o meu corpo. A honestidade dele era desarmante.
— Eu também não. — Confessei, com minha voz mal passando de um sussurro.
— Eu sou seu superior. As regras de compliance do hospital são claras. O que aconteceu hoje... pode confundir muito as coisas.
— Você acha que estamos confusos? — Que dizer, eu tenho 35 anos, ele tem 44. Acho que somos experientes o bastante para saber o que está acontecendo, pelo menos eu sei o que está acontecendo comigo.
— Na verdade, eu acho que eu nunca estive tão lúcido na minha vida. — Ele respondeu imediatamente. — Mas não podemos resolver isso pelo telefone, à meia-noite.
— Você tem razão. — Concordei, embora uma parte de mim quisesse que ele dissesse "estou indo aí". — Então, o que você sugere?
— Domingo.
— Domingo?
— Nós dois temos folga no domingo. — Ele parecia ter memorizado a minha escala. Interessante... — Me encontre fora do hospital para termos uma conversa mais adequada e calma.
— Isso é um convite para um encontro? — Provoquei.
— Sim. — A resposta veio direta, anulando qualquer tentativa minha de transformar aquilo em uma brincadeira.
Meu coração falhou uma batida, tropeçando no próprio ritmo.
— Um encontro... — Repeti, a palavra parecendo estranha na minha língua. — Um encontro de verdade? Do tipo que pessoas normais têm?
— Do tipo que um homem tem com a mulher em quem ele está interessado e não consegue parar de pensar, Leah.
Engoli em seco.
— Tudo bem.
— Combinado.
Ah droga... imagino como vou me sentir toda vez que encontrar ele no hospital e ter que fingir que essa conversa nunca aconteceu.
— Você deveria comer qualquer coisa e ir dormir — ele disse, embora a relutância em sua voz fosse evidente. — Temos um dia longo amanhã.
— Certo. Eu preciso descansar.
— Boa noite, Leah.
— Boa noite, Markus.
Apertei o botão vermelho para encerrar a chamada, mas não afastei o telefone imediatamente. Fiquei segurando o aparelho, sentindo o calor residual da bateria contra a minha mão, como se pudesse reter um pouco da presença dele ali comigo.
Eu tinha acabado de marcar um encontro com meu chefe.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!