MARKUS BLACKWOOD
— Agora são assassinatos em série, doutora Hampton.
Leah ficou imóvel, os olhos arregalados e a respiração presa, parecendo processar a matemática macabra. Cinco mortos em uma manhã.
— Saiam. — Ordenei para Vance, a enfermeira e o residente.
— Mas senhor... — Vance tentou argumentar.
— Saiam! Agora!
Eles se retiraram, fechando a porta atrás de si. Ficamos apenas nós dois.
Leah soltou o ar que prendia, passando a mão trêmula pelo rosto.
— Cinco... — Ela sussurrou. — Markus, o que nós vamos fazer?
— Agir. — Caminhei até ela e, por um segundo, tive o impulso de segurar os ombros dela. Mas me contive. Ela era minha Chefe de Cirurgia, não uma donzela. Ela precisava de foco, não de abraços.
— Você tem alguma suspeita? — A voz dela estava retomando a firmeza.
— Inicialmente, achei que fosse a enfermeira Elisa. — Apontei para a cadeira onde a mulher esteve sentada. — Ela administrou os medicamentos na Ala Leste. Mas agora que aconteceu no Trauma... a teoria cai por terra, a menos que ela tenha se teletransportado.
— Não foi a administração. — Leah balançou a cabeça. — Foi o frasco. O veneno já estava lá.
— Eu também cheguei a essa conclusão. Mas quem?
— Você revisou as câmeras?
— Da Ala Leste, sim. Nada suspeito no corredor na hora do crime.
— Não na hora do crime, Markus! — Ela bateu a mão na mesa, impaciente. — Se o veneno estava no frasco lacrado, ele pode ter sido trocado muito antes. Quem mexeu no estoque? Quem teve acesso ao almoxarifado ou aos carrinhos de medicação antes de hoje?
Parei.
Era óbvio. Eu estava procurando o gatilho, mas a armadilha já tinha sido montada.
— A Farmácia Central. — Murmurei. — E os estoques satélites de cada andar.
Corri para o computador. Meus dedos voaram pelo teclado, acessando o sistema de vigilância.
— Vou checar as imagens do estoque da Farmácia Central. Retrocedendo 24 horas.
Leah contornou a mesa e parou ao meu lado, os olhos fixos na tela. Acelerei a imagem parando só quando alguém suspeito aparecia.
24 horas atrás: Movimentação normal. Farmacêuticos repondo caixas.
48 horas atrás: Nada.
Ele não tinha aceitado a demissão e não tinha ido para casa lamber as feridas. Ele tinha voltado para destruir a reputação do hospital que o rejeitou, matando os pacientes que ele jurou proteger.
— Ele trocou os lotes. — Leah disse, horrorizada. — Ele sabia que usamos esses coquetéis de alta em todos os andares.
— Ele ainda tinha as credenciais de acesso naquela noite. — Senti um gosto amargo de bile. — O TI demorou para revogar o acesso dele. Foi uma falha minha. Minha responsabilidade.
— Pare com isso. — Leah foi dura. — A culpa é do psicopata que colocou veneno nos frascos. Agora, ligue para a polícia. Eu vou descer.
— Onde você vai?
— Vou para o sistema de som. — Ela já estava na porta. — Vou emitir um alerta geral para suspender qualquer medicação injetável via estoque. Vou mandar recolher tudo. E vou mandar a equipe vasculhar cada maldito armário desse prédio.
— Obrigada, doutora Hampton.
— Cuide da polícia, Markus. Eu cuido dos pacientes.
Ela saiu correndo e fiquei olhando para a imagem congelada de Paulo Torres na tela.
Senti um alívio sombrio, quase pecaminoso. Não era um funcionário meu. Era sabotagem externa. O hospital sobreviveria à crise de imagem.
Peguei o telefone.
— Brenner. Traga a polícia. Eu tenho o nome, o rosto e o vídeo do assassino.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!