MARKUS BLACKWOOD
— Nós temos um assassino dentro do hospital.
"Um assassino."
A palavra ficou suspensa no ar condicionado gelado do meu escritório.
— Sente-se direito, Vance. — Ordenei. — E pare de tremer. O medo é contagioso e eu não vou permitir uma epidemia de histeria neste hospital.
Caminhei até o telefone fixo da minha mesa. Disquei um ramal interno que poucos tinham acesso.
— Segurança Central. Brenner falando.
— Brenner, aqui é Blackwood. Código Preto. Nível 5.
Houve uma pausa do outro lado. Brenner sabia o que aquilo significava.
— Bloqueio total, senhor?
— Ninguém sai. — Falei, olhando para a vista de Manhattan pela janela. — Funcionários, pacientes, visitantes. Ninguém passa pelas portas giratórias ou pelas saídas de emergência até segunda ordem. Trave os elevadores de serviço. Coloque guardas em todas as escadas.
— E quem quiser entrar?
— Entrada permitida. Saída vetada. Se alguém perguntar, diga que é uma falha no sistema de controle de acesso biométrico e que os técnicos já estão resolvendo. Entendido?
— Entendido, senhor. Executando em trinta segundos.
Desliguei o telefone e me voltei para Vance.
— Agora, os detalhes. — Apoiei as mãos na mesa, inclinando-me sobre ela. — Quem teve acesso a esses pacientes nos últimos trinta minutos antes da parada?
— A enfermeira da noite, Elisa. E o residente de plantão, Dr. Kova. — Vance limpou o suor da testa com as costas da mão trêmula. — Mas Elisa é de confiança, Markus... ela trabalha aqui há vinte anos!
— Se é de sua confiança ou não, não é relevante. Traga-os aqui. Discretamente.
Enquanto Vance saía tropeçando para buscar a equipe, comecei a analisar o cenário.
Dois pacientes. Jovens. Saudáveis. Prestes a ter alta. Mortos.
Isso não era um erro de dosagem. Erros acontecem isoladamente. Dois casos idênticos, no mesmo intervalo de tempo, no mesmo setor?
Peguei o tablet e acessei o sistema de câmeras de segurança. Meus dedos voavam pela tela, puxando as imagens do corredor da Ala Leste.
05:45 AM.
Uma enfermeira empurrava o carrinho de medicação. Ela parou no quarto 402. Entrou. Saiu três minutos depois. Parou no 404. Entrou. Saiu.
Nada suspeito. Ninguém espreitando nas sombras. Nenhum homem mascarado com uma seringa.
A porta do meu escritório se abriu. Vance voltou, trazendo uma mulher de meia-idade com o uniforme da enfermagem e um jovem residente que parecia ter doze anos de idade.
A enfermeira, Elisa, estava chorando.
— Dr. Blackwood... eu juro... eu não fiz nada errado! — Ela soluçou assim que entrou.
— Silêncio. — Ergui a mão. — Sente-se.
Ela obedeceu, sentando-se na ponta da cadeira. O residente ficou em pé, encostado na parede, branco como papel.
— Elisa. — Comecei, mantendo o tom baixo. — Me mostre o que você administrou.
Ela tremia tanto que teve dificuldade em tirar os frascos do bolso do jaleco. Ela os colocou na minha mesa de vidro.
Dois frascos pequenos de antibiótico profilático pós-operatório. Cefazolina. E dois frascos de solução salina para o flush do acesso.
Peguei um dos frascos de soro fisiológico. Estava vazio. Examinei o rótulo. Lote padrão. Validade 2027. O lacre estava rompido, obviamente, pois ela tinha usado.
— Você preparou isso no posto de enfermagem? — Perguntei, girando o frasco contra a luz.
— Eu... eu teria que checar os registros. — Vance gaguejou.
— Cheque logo!
Meu cérebro trabalhava em múltiplas faixas. Segurança. Relações Públicas. Investigação Criminal.
Eu precisava isolar a Ala Leste. Mas precisava fazer isso sem alertar o resto do hospital.
Eu estava prestes a pegar o telefone para ligar para o chefe da Farmácia Central quando a porta do meu escritório se abriu com um estrondo.
Não houve batida. Não houve pedido de licença. A madeira bateu contra a parede com violência.
Girei o corpo, pronto para expulsar quem quer que fosse.
Leah Hampton estava parada na soleira.
Ela estava pálida. O cabelo estava solto de um lado, como se ela tivesse puxado o elástico em frustração. Os olhos castanhos estavam arregalados, escuros de horror e fúria.
— Leah? — Dei um passo à frente, alarmado. — O que você...
— Três. — Ela disse, sem fôlego.
— O quê?
Ela entrou na sala, ignorando Vance e a enfermeira chorando, caminhou até a minha mesa e apoiou as duas mãos nela, encarando-me.
— Três pacientes. Jovens e recuperados. — Ela respirava com dificuldade. — Eu estava assinando a alta deles, Markus. Eles estavam vestindo os sapatos para ir embora. E eles morreram.
Senti o chão desaparecer sob meus pés.
— Trauma também? — Sussurrei.
— Como assim também?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!