MARKUS BLACKWOOD
— Onde diabos você está?!
— Ah, oi para você também, Markus. — Ela riu. Ouvi barulho de vento e anúncios de aeroporto ao fundo. — Vejo que o pacote já foi entregue. Sua governanta fez uma cara hilária.
— Você largou uma criança de quatro anos com uma estranha e foi embora, Patrícia? Isso é abandono de incapaz. Eu posso chamar a polícia agora mesmo.
— Ah, pare de drama. — Ela suspirou, impaciente. — Não é abandono se eu deixei com o pai biológico na casa dele. Legalmente, estou apenas transferindo a guarda temporariamente.
— Transferindo a guarda? Sem aviso? Sem consultar se eu estava na cidade ou se eu tinha condições?
— Markus, você é um dos homens mais ricos de Manhattan. Você tem condições. — A voz dela ficou dura. — Eu estou cansada. Você não tem ideia do que é cuidar de uma criança 24 horas por dia, sete dias por semana. Ele grita, ele corre, ele quer coisas o tempo todo. Eu não tenho vida! Eu tenho 32 anos e me sinto com 50!
— Você queria isso! — Gritei, perdendo a compostura e soquei a mesa. — Você escolheu isso! Não venha se fazer de vítima agora.
— Eu preciso de férias, Markus! O Rick vai para as Maldivas por um mês e eu vou junto. Eu mereço. E você precisa ser pai um pouco.
— Eu sou pai! — Rebati. — Eu pago todas as contas. A escola, o plano de saúde, o aluguel daquela cobertura ridícula onde você mora, a babá...
— Dinheiro não é paternidade! — Ela gritou de volta. — Vai ser ótimo para vocês. Quem sabe assim você descobre que ter um filho é mais do que assinar um cheque gordo no dia primeiro.
Comecei a andar de um lado para o outro na sala, passando a mão pelo cabelo.
— Patrícia, você não pode fazer isso. Eu dirijo um hospital. Eu trabalho 18 horas por dia. Eu não tenho estrutura para uma criança aqui.
— Contrate uma babá! Você é rico!
— Isso não é sobre dinheiro! É sobre responsabilidade! Você quem me enganou! — Esse veneno estava guardado há cinco anos. — Você planejou isso.
Houve um silêncio do outro lado da linha.
— Lá vem você com essa história...
— História? É um fato!
Nós tínhamos um acordo. E Patrícia furou as camisinhas. Achando que se engravidasse, eu ia me apaixonar, ia casar com ela e dar a vida de socialite que ela sempre quis.
Lembrei-me do dia em que descobri. A caixa de preservativos no banheiro dela. O alfinete. A confissão dela, chorando, dizendo que fez por amor, quando na verdade fez por ganância.
Aquilo não foi o início de uma família. Foi o estopim para o nosso fim.
— Foi um erro...
— Foi um golpe. E o tiro saiu pela culatra, não foi? Porque em vez de um anel no dedo, você ganhou um acordo de pensão e um pai ausente que te despreza. E agora, você está cansada do "instrumento" que você usou para tentar me prender?
— Ele também é seu filho! — Ela gritou, defensiva. — Olha, Markus, o voo vai sair. Eu não vou voltar para buscar ele agora. Se vira. Seja homem e assuma a responsabilidade que você fugiu por quatro anos.
— Patrícia, se você entrar nesse avião...
— Tchau, Markus. Mande beijos para o Mark. Diga que a mamãe ama ele e volta logo. Ou não. Sei lá.
— Patrícia!
— E... quem vai cuidar dele? — Ela perguntou, receosa. — O senhor trabalha o dia todo. Eu tenho a limpeza, as compras... eu não sou babá, Sr. Blackwood. Minhas pernas não aguentam correr atrás de uma criança.
— Eu sei. — Passei a mão pelo rosto. — Só preciso que você fique de olho nele apenas por alguns dias. Vou ligar para a agência de babás da cidade ainda hoje.
— Entendi, senhor.
— Enquanto isso... — Tirei minha carteira e entreguei meu cartão de crédito pessoal para ela. — Compre o que for necessário. Brinquedos, roupas, escova de dentes. Também saque um bônus para você pelo trabalho extra.
— Sim, senhor. — Ela guardou o cartão no bolso do avental e olhou para mim com uma expressão nova. — Ele tem os seus olhos, senhor. É um menino bonito.
Não respondi. Apenas assenti secamente e me virei.
Eu realmente tinha um filho. Não um conceito abstrato num extrato bancário. Um ser humano vivo, que respirava, ria e precisava de mim.
— Papai? — Mark virou a cabeça para trás, me vendo parado ali como uma gárgula. — Você vai assistir comigo?
Encarei os olhos cinzentos que espelhavam os meus. Ele não tinha culpa da mãe que tinha. Nem do pai que tinha.
— Não agora, Mark. O papai tem que trabalhar no escritório. A Sra. Higgins vai te dar o almoço.
— Tá bom. — Ele voltou para a TV, aceitando a rejeição com facilidade.
Criar o filho que eu fui enganado para ter?
Acho que essa é a primeira vez que não tenho um plano.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!