ELIZABETH WINTER
O cheiro dele era inebriante. Estar nos braços de Alex, no meio do jardim da minha família, cercada por todas as pessoas que conhecíamos, era a sensação mais aterrorizante e excitante da minha vida.
Ele me conduzia com facilidade, nossos corpos se movendo em sincronia perfeita, resultado de muitas "aulas de dança" improvisadas na sala do apartamento dele de madrugada.
— Você está tensa — ele sussurrou perto do meu ouvido, o hálito quente me causou arrepios.
— Tem muitas pessoas aqui, Alex. E meu pai está olhando.
— Seu pai está ocupado discutindo charutos com os amigos. E se ele olhar, vai ver apenas dois amigos dançando.
— Amigos não dançam assim. — apertei levemente o ombro dele.
— Talvez sejamos amigos muito bons. — Ele sorriu, girando-me devagar. O mundo girou, as luzes, as flores, os rostos, e a única constante era ele. O olhar castanho fixo no meu.
Senti meu coração derreter um pouco mais, se é que isso era possível.
— Eu te amo. — sussurrei, as palavras perdidas na música, apenas para ele.
— Eu também te amo. — ele respondeu, apertando minha cintura um milímetro a mais. — E mal posso esperar para tirar esse vestido de você. — Sussurrou rouco.
Engasguei com o ar, tropeçando levemente. Ele me segurou com firmeza.
— Alex! — repreendi.
— O quê? É um belo vestido. Mas vai ficar melhor no chão do seu quarto.
— Do meu quarto? — Ergui uma sobrancelha. — Achei que íamos para o seu.
— O seu é mais à prova de som. — Ele piscou. — E a cama é maior. — Tecnicamente o isolamento acústico dos nossos quartos eram iguais, mas eu não ia discutir por não importava.
— Ok, você venceu. — Encostei a cabeça no ombro dele por um segundo, permitindo-me esse pequeno luxo. — Quando?
— Assim que os noivos cortarem o bolo e a festa virar balada. Eu preciso me despedir dos gêmeos, você pode ir na frente.
— Carros separados?
— Pela última vez, Lizzy. — Ele prometeu. — Pela última vez.
Dançamos mais um pouco, em silêncio, apenas sentindo a presença um do outro. Quando a música acabou, ele me soltou devagar, a mão demorando a deixar minha cintura.
— Obrigada pela dança, Sr. Hampton.
— O prazer foi todo meu, Srta. Winter.
Nos separamos.
A próxima hora foi cheia de cumprimentos, brindes e sorrisos sociais. Vi Damian e Stella cortarem o bolo, radiantes. Vi meus pais dançando.
Quando o DJ começou a tocar músicas pop e as luzes diminuíram, decidi que era a minha deixa.
Despedi-me dos meus pais, alegando cansaço e uma dor de cabeça causada pelo champanhe.
— Vá descansar, querida. — minha mãe disse, beijando meu rosto. — Você foi perfeita hoje.
— Obrigada, mãe.
Encontrei o olhar de Alex do outro lado da pista. Ele estava agachado, conversando com Apollo, que esfregava os olhos de sono. Alex olhou para mim e assentiu discretamente.
Saí do jardim, o ar fresco da noite aliviando o calor da festa.
O trajeto foi rápido. Nova York estava iluminada, mas minha mente estava focada em apenas um destino.
Deixei o cabelo solto, úmido e bagunçado. Sem maquiagem. Apenas eu.
Apaguei as luzes principais do apartamento, deixando apenas os abajures da sala e do quarto acesos.
Coloquei uma música baixa. Sentei na poltrona de leitura do quarto, cruzando as pernas de modo que a camisa subisse "acidentalmente", e esperei.
Dez minutos depois, ouvi o som da chave na fechadura.
Meu coração acelerou. Não importava quanto tempo passasse, ele sempre causava esse efeito em mim.
Ouvi os passos dele no corredor. Alex não chamou meu nome, pois sabia onde me encontrar.
A porta do quarto se abriu e Alex parou no batente.
Ele tinha tirado o paletó, que estava pendurado no ombro, seguro por um dedo. As mangas da camisa branca estavam dobradas até os cotovelos. O cabelo estava bagunçado, como se ele tivesse passado a mão várias vezes.
Os olhos dele varreram o quarto e pararam em mim.
Ele viu a camisa preta dele. Viu as pernas expostas. E então, seus olhos desceram um pouco mais e viram o vislumbre da renda verde.
Ele soltou o paletó no chão. Sem quebrar o contato visual. O som do tecido caindo foi o único ruído no quarto. Alex expirou, um som trêmulo e faminto.
— Você quer me matar, Elizabeth? — ele perguntou, a voz rouca, dando um passo para dentro do quarto e fechando a porta atrás de si.
Sorri, levantando-me devagar e caminhando em direção a ele.
— Eu disse que jogava para ganhar, Alexander.
Parei na frente dele. Levei as mãos ao colarinho da camisa dele, segurando as pontas da gravata verde.
— E agora... — sussurrei, puxando-o para baixo até nossos lábios estarem a milímetros de distância. — ...devo recompensar sua obediência. O que deseja ter de mim, senhor Hampton?

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!