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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 2

ELIZABETH WINTER

Estacionei na garagem e subi direto para o 40B.

Usei minha chave para entrar.

— Alex? — chamei, entrando.

Silêncio. A TV estava desligada. As almofadas do sofá estavam arrumadas.

— Alex?

Fui até o quarto. A cama estava feita, mas ele não estava lá. O banheiro também estava vazio.

Franzi a testa. Ele tinha saído?

Saí do 40B e subi as escadas de emergência para a cobertura.

Assim que abri a porta, senti o cheiro. Manjericão, alho, tomate assado. O cheiro de conforto.

Caminhei silenciosamente até a cozinha.

Alex estava lá. Ele estava de costas para mim, diante do fogão, mexendo uma panela grande. Usando uma calça de moletom cinza e uma camiseta branca simples, e seus pés estavam descalços no piso frio.

Ele parecia concentrado, cantarolando baixinho alguma coisa que soava como Coldplay.

Sorri, sentindo uma onda de amor tão forte que meus joelhos quase cederam. Aquele homem, naquela cozinha, era o meu lar.

Aproximei-me dele silenciosamente e o abracei por trás, passando meus braços pela cintura dele e apoiando minha cabeça nas costas largas e quentes.

— Oi, amor. — sussurrei contra a camiseta dele.

Alex não se assustou, só relaxou no meu abraço, cobrindo minhas mãos com uma das dele, a outra ainda mexendo o molho.

— Oi. — A voz dele ainda tinha um traço de rouquidão da ressaca. — Você demorou. Achei que o Damian tivesse te sequestrado para trabalhar com ele.

— Quase. — Beijei o meio das costas dele, sentindo o calor da pele através do tecido. — Mas eu escapei. E tenho uma coisa para te contar.

— O que é, amor? — ele perguntou, sem se virar, provando o molho com uma colher de pau.

Respirei fundo, sentindo o cheiro dele misturado com a comida.

— Eu contei para o Damian. — falei. — Sobre nós.

O corpo de Alex ficou rígido sob o meu abraço. Ele desligou o fogo lentamente. Soltou minhas mãos e se virou.

Alex segurou meu rosto com as duas mãos. As palmas dele estavam quentes pelo calor do fogão, e seus olhos castanhos me encararam com uma intensidade que me fez prender a respiração.

— O que ele disse?

Sorri, tentando tranquilizá-lo.

— Ele reagiu bem. — menti, omitindo convenientemente a parte em que ele nos chamou de "desastre" e "combinação péssima". — Ficou surpreso, claro. Mas aceitou. E prometeu que não vai contar para ninguém. Nem para a Stella.

Esperei ver o alívio no rosto dele. Esperei ver o sorriso torto, o brilho nos olhos.

— Não foi isso que eu quis dizer. Você está sendo injusto. — Minha voz tremeu.

— E você acha que está sendo justa comigo? Por que você se importa tanto com a aprovação dos outros? Quando foi que você começou a viver para a plateia?

— Eu não vivo para a plateia! — Gritei, sentindo as lágrimas picarem meus olhos. — Você não entende, Alex.

— Sim! Eu não entendo Lizzy! — Ele rebateu. — Eu tenho orgulho de você. Eu queria gritar para o mundo. Mas você... você... porra. Isso não tem sentido nenhum.

O celular de Alex, que estava sobre o balcão, começou a tocar. Ele olhou para a tela. A expressão dele mudou. Ele pegou o aparelho e atendeu.

— Alô? Sim. Entendo. Não, eu posso ir agora. Sim. Estou a caminho.

Alex desligou e guardou o celular no bolso. Ele não olhou para mim.

— Tudo bem, Lizzy. — ele disse, a voz monótona, desprovida da raiva da discussão de segundos atrás. — Faremos do seu jeito. Como sempre.

— Alex... — Comecei, dando um passo à frente.

Ele levantou a mão, me parando.

— A comida estará pronta em alguns minutos. O macarrão só precisa cozinhar. — Ele disse, pegando a jaqueta que estava na cadeira. — Você pode comer sem mim. Eu vou precisar sair.

— Para onde você vai?

— Problemas no café. — Ele nem olhou nos meus olhos. — Preciso resolver. — Ele caminhou até a porta da cozinha. Parou por um segundo, como se quisesse dizer algo mais, mas desistiu. — Bom almoço, Lizzy.

Que merda estou fazendo? Não quero perder ele...

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