ELIZABETH WINTER
A sede da Winter estava silenciosa. Encontrei poucas pessoas enquanto caminhava em direção ao elevador privativo.
Subi até o andar da presidência.
A porta do escritório de Damian estava entreaberta. Então entrei sem bater.
A cena era tragicômica.
Damian estava sentado atrás de sua mesa imensa. As persianas estavam fechadas, deixando a sala na penumbra. Ele usava óculos escuros dentro do escritório e segurava uma garrafa de água mineral como se fosse a fonte da juventude. Na frente dele, havia um frasco de analgésicos e um copo de café fumegante.
— Vejo que o Blue Label fez vítimas de todos os lados — comentei, fechando a porta atrás de mim.
Damian estremeceu com o som do trinco.
— Fale baixo, Elizabeth — ele resmungou. Nossa, se estava me chamando de 'Elizabeth' a situação estava séria. — Por favor. Minha cabeça está sendo usada como tambor por uma tribo de anões.
Ri baixinho, caminhando até a cadeira à frente da mesa dele e sentando-me.
— Alex mandou lembranças. Ele descreveu a sensação como "sapatos de chumbo sapateando no cérebro e dez bandas Heavy metal".
Damian soltou um riso curto que se transformou em uma careta de dor.
— Ele é criativo. Eu gosto dele. — Damian tirou os óculos escuros por um momento para esfregar os olhos, revelando olheiras profundas, depois os colocou de volta. — Sinceramente, Lizzy... eu não me divertia assim com alguém que não fosse a Stella há anos. O cara é gente boa.
Senti um aquecimento no peito. Era bom ouvir isso. Era o primeiro passo para a aceitação que eu tanto temia não ter.
— Fico feliz que vocês tenham se entendido — comentei, cruzando as pernas. — Stella estava radiante. Ela me ligou hoje de manhã dizendo que está "nas nuvens" porque os dois homens da vida dela finalmente pararam de medir testosterona.
— É... — Damian recostou-se na cadeira, girando a garrafa de água. — Stella está feliz. Na verdade, ela estava comentando no café da manhã... ela disse que acha hilário como o destino funciona.
— Como assim?
— Ela está feliz que estou me acertando com meu "quase-cunhado".
Congelei.
Quase-cunhado?
Meu coração deu um salto triplo carpado. Stella sabia? Alex tinha contado para Leah, e Leah contou para Stella? Ou eu fui óbvia demais ontem à noite ao levá-lo para casa?
Minha mente correu a mil por hora. Se Stella sabia e estava tranquila a ponto de chamar Alex de cunhado na frente de Damian, então talvez... talvez o caminho estivesse livre. Eles nos aceitavam então?
— Como assim "quase-cunhado"? — perguntei, tentando manter a voz casual, mas sentindo a esperança borbulhar. — Ela... ela disse isso?
Damian deu de ombros, tomando um gole de água.
— Disse. Ué? Ele é como um irmão para a Stella. Eles se chamam de família o tempo todo. Leah é como uma irmã para ela também. Então, tecnicamente, ele é meu quase-cunhado por afinidade emocional.
A esperança murchou como um balão furado. Ah. Claro. Alex era o "irmão" da Stella. Não o namorado da Lizzy.
Soltei o ar que estava prendendo, sentindo uma mistura de alívio por não ter sido descoberta e frustração por não ter sido descoberta.
— Ah. Entendi. — murmurei. — Claro. Afinidade emocional.
Damian parou com a garrafa a meio caminho da boca. Ele baixou os óculos escuros até a ponta do nariz e me olhou por cima das lentes, seus olhos semicerrados com uma suspeita repentina.
— Espera aí... — Ele inclinou a cabeça, me analisando. — Não me diga que você pensou que eu... que ela estava falando de você?
— Isso é ridículo. — rebati, minha voz tremendo de indignação. — As pessoas mudam, Damian. E as pessoas se adaptam. Nós... quero dizer, um casal assim... poderia ter as duas coisas. — Comecei a andar pela sala, gesticulando. — Eles poderiam viajar o mundo primeiro. E depois, quando já tivessem visto tudo o que quisessem, poderiam formar uma família. Não precisa ser uma coisa ou outra. O Alex não é um monge, ele é um empresário também. Porque não podemos fazer os dois?
Damian tirou os óculos escuros completamente e os jogou na mesa. Ele me observou com uma expressão de choque genuíno.
— Lizzy... Por que você está tão alterada com isso? Euem. Estamos falando de uma situação hipotética sobre um cara que já é comprometido. Por que você está defendendo um futuro imaginário com tanta paixão?
Parei de andar. Minha respiração estava acelerada. Eu tinha ido longe demais. Suspirei, passando a mão pelo cabelo.
— Desculpe. É só que... eu odeio quando você me coloca nessa caixa. Como se eu fosse incapaz de amadurecer e ter uma vida comum como a sua.
Houve um longo silêncio na sala.
Então, a voz de Damian veio, baixa e perigosamente perspicaz.
— Não me diga que você tem interesse no Hampton?
Ele estava de pé agora, apoiado na mesa, me olhando como se estivesse vendo um fantasma.
— Essa é uma pergunta bem estúpida de se fazer, Damian. Depois de tudo o que eu disse... isso não estava óbvio?
Damian abriu a boca, fechou. Piscou.
— Mas... — ele gaguejou, confuso. — Esse é um interesse inútil. Eu já te falei que ele confirmou que tem namorada.
— Eu sei. — Dei um passo à frente, erguendo o queixo, encarando meu irmão nos olhos. — Eu sei que ele tem namorada, Damian. Eu sei que ele a ama e sei que ele não seria infiel.
— Então desista logo, por que...
— Porque a namorada sou eu.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!