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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 2

ALEXANDER HAMPTON

O sol não nasceu. Ele explodiu.

Essa foi a única explicação lógica que meu cérebro, atualmente nadando em uma piscina de formol e arrependimento, conseguiu formular. A luz que filtrava pelas cortinas do meu quarto parecia ter a intensidade de mil supernovas, e havia uma equipe de construção civil operando uma britadeira diretamente atrás dos meus olhos.

Tentei me mover e soltei um gemido que soou patético até para os meus próprios ouvidos. Minha boca tinha o gosto de algo que morreu no deserto, e meu estômago dava cambalhotas, tentando decidir se eu ainda era uma forma de vida baseada em carbono ou apenas um barril de uísque com pernas.

— Blue Label — sussurrei para o teto com a voz rouca. — Traidor caro e delicioso.

Tentei levantar a mão para cobrir os olhos, mas meu braço estava preso.

Parei. Havia um peso sobre o meu braço esquerdo. Um peso quente, macio e cheiroso.

Virei a cabeça devagar no travesseiro, ignorando o protesto das minhas vértebras cervicais.

Elizabeth Winter estava lá.

Ela dormia de bruços, o rosto virado na minha direção, a bochecha amassada contra o meu bíceps. Uma das minhas camisetas cinzas tinha escorregado pelo ombro, revelando a pele pálida e macia. O cabelo escuro estava espalhado por toda parte e fazia cócegas no meu nariz.

A visão dela dormindo ali, tão tranquila, tão minha, foi o analgésico mais eficaz que eu poderia ter pedido.

Lembranças da noite anterior começaram a voltar em flashes desconexos e humilhantes. O jantar. O jardim. A "conferência de cúpula" com Damian. Nós agindo como melhores amigos. A gravata na testa. E então... Lizzy.

Lizzy me resgatando. Lizzy me colocando no carro. Lizzy cuidando de mim.

Um sorriso involuntário, curvou meus lábios. Eu me lembrava de ter dito que não podia beijá-la porque tinha namorada. Eu nunca mais vou beber, álcool me transforma em um idiota.

Levei a mão livre até o rosto dela, traçando a linha do maxilar com a ponta do dedo, leve como uma pluma para não acordá-la.

— Você é um anjo, Winter — sussurrei. — Um anjo mandão e teimoso, mas um anjo.

Ela se mexeu. O nariz franziu e os cílios longos tremularam. Ela soltou um suspiro profundo, abriu os olhos e me mostrou um sorriso divertido.

— Bom dia, Bela Adormecida. Ou devo dizer, "Bêbado Adormecido"?

— Bom dia — respondi, apertando-a.

Ela se espreguiçou, o corpo roçando no meu de uma maneira que, em qualquer outra circunstância, teria me deixado excitado. Hoje, apenas me deixou grato por estar vivo.

— Como está a cabeça? — ela perguntou, apoiando o queixo no meu peito e me olhando com simpatia, e um pouco de escárnio.

— Parece que o Damian está sapateando dentro do meu crânio usando sapatos de chumbo.

— Bem feito. — Ela tocou minha testa. — Vocês dois beberam o suficiente para derrubar um elefante, primeiro o vinho no jantar, depois cerveja e finalizaram com Uísque.

Ri, o que fez minha cabeça latejar.

— Acho que fizemos um pacto de sangue... ou de malte.

Fomos para a cozinha. Eu, de cueca samba-canção, e ela com a minha camiseta. Era uma cena que parecia saída de um filme, se o protagonista não estivesse andando como um zumbi.

Preparei o café no piloto automático: moer, prensar, extrair. O cheiro inundou a cozinha, e senti meu cérebro começar a reiniciar. Enquanto isso, Lizzy revirava minha geladeira.

— Ovos, bacon e torradas — ela anunciou, colocando os ingredientes no balcão. — O café da manhã dos campeões.

Cozinhamos juntos, em um silêncio confortável. Comemos sentados no balcão, ombro a ombro.

Depois do segundo copo de café e do terceiro pedaço de bacon, comecei a me sentir humano novamente.

— Então... — comecei, olhando para ela enquanto ela limpava uma migalha do canto da boca. — O que vamos fazer hoje? Voltar para a cama e dormir até 2050?

Lizzy suspirou, olhando para o relógio na parede.

— Eu adoraria. De verdade. Mas... eu preciso passar na empresa. Damian vai estar lá. Ele disse que precisava revisar algumas coisas da transição e eu prometi que daria uma olhada nos contratos de marketing finais.

Assenti, entendendo.

— Tudo bem. — Levantei-me e fui até ela, abraçando-a por trás e apoiando o queixo no ombro dela. — Mas prometa que volta logo. Meu sofá sentirá sua falta. E eu também.

Ela virou o rosto e me beijou na bochecha.

— Prometo. Uma hora, no máximo. Depois, sou toda sua.

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