ELIZABETH WINTER
Consegui levar Alex até o meu carro. Joguei ele no banco e entrei ao lado dele. Assim que o carro começou a se mover, Alex escorregou no banco até a cabeça encostar no meu ombro.
— Lizzy... — ele sussurrou, a voz rouca. — Você cheira a flores.
— E você cheira a destilaria clandestina. — retruquei, embora minha mão direita já estivesse, automaticamente, acariciando o cabelo dele. — Você tem ideia do que quase fez lá atrás? "Vou te contar o nome da minha namorada"? Sério, Alex?
— Eu não ia contar... — ele resmungou, fechando os olhos. — Eu ia inventar um nome. Ia dizer que era a... Beyoncé.
— Beyoncé?
— É. O Damian ia acreditar. Ele tava muito bêbado. Ele disse que eu era um partido melhor que ele.
Ri, balançando a cabeça.
— Você deveria ser punido por quase dar com a língua nos dentes, Alexander. Uma punição severa.
— Mmm... punição... — Ele sorriu, o rosto enterrado no meu pescoço. — Eu gosto das suas punições.
O trajeto até o prédio foi uma mistura de Alex cantando baixinho músicas que não existiam e eu tentando mantê-lo acordado para que ele pudesse andar até o elevador.
Chegamos. O porteiro ajudou a tirá-lo do carro com um sorriso compreensivo.
— Noite longa, Sr. Hampton?
— A melhor, Henderson! — Alex saudou, acenando para uma planta no saguão. — A melhor!
Consegui levá-lo para o elevador e apertei o botão do 40º andar.
— Vamos para o seu apartamento primeiro. — falei. — Preciso te deixar apresentável antes de você desmaiar.
Entramos no 40B. Acendi apenas a luz do corredor e guiei Alex, que agora estava perigosamente perto do modo "peso morto", até o quarto.
Ele se sentou na borda da cama com um suspiro profundo, começando a desabotoar a camisa com dedos desajeitados.
— Eu preciso... preciso de água. — ele murmurou.
— Eu pego. — Fui até a cozinha, peguei um copo de água e voltei.
Ele bebeu tudo em um gole só, derramando um pouco no queixo. Sentei-me ao lado dele, pegando a toalha de rosto para secá-lo.
Alex ficou parado, olhando para mim. Seus olhos, embora vermelhos e cansados, focaram no meu rosto com uma intensidade súbita. Ele levantou a mão e tocou minha bochecha com a ponta dos dedos.
— Você é muito bonita, sabia? — ele disse, com aquela sinceridade desarmante dos bêbados e das crianças. — Tipo... muito bonita mesmo.
Sorri, sentindo o coração derreter um pouco.
— Obrigada. — Ele continuou me olhando, descendo o olhar para a minha boca. — Quer me beijar? — perguntei, provocando, inclinando-me um pouco para frente.
Alex recuou imediatamente, balançando a cabeça com vigor, quase caindo para trás.
— Não! — ele disse, chocado. — Não posso.
Franzi a testa, divertida.
— Você conhece ela?
— Intimamente.
— Ok. — Ele sorriu, deitando-se para trás nos travesseiros. — Chama ela. Diz que tô esperando.
Saí do quarto, apagando a luz principal e deixando apenas o abajur.
Subi para o meu apartamento pelas escadas de emergência, correndo. Tirei o vestido de festa, o cheiro de fumaça e álcool do jantar, tomei um banho rápido de três minutos para lavar a poeira da noite. Vesti uma camiseta velha dele que eu tinha roubado há semanas e um short de pijama confortável.
Desci de volta para o 40B.
Quando entrei no quarto, Alex já estava apagado. Ele estava deitado torto na cama, com uma perna para fora do edredom, a boca levemente aberta, roncando baixinho.
Sorri.
Com cuidado para não acordá-lo, tirei os sapatos dele. Desabotoei a calça e a puxei, deixando-o apenas de cueca boxer. Ele resmungou algo ininteligível e se virou, abraçando o travesseiro.
Levantei o edredom e o cobri.
Apaguei o abajur e me deitei ao lado dele, aninhando-me nas suas costas quentes. Passei o braço pela cintura dele, sentindo a batida lenta e forte do coração dele contra a minha mão.
— Boa noite, meu bêbado fiel — sussurrei na escuridão.
Alex suspirou durante o sono e, instintivamente, sua mão procurou a minha, entrelaçando nossos dedos.
Fechei os olhos, sentindo uma paz absoluta e quase ri ao imaginar que amanhã ele teria uma ressaca monumental.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!