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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 2

ALEXANDER HAMPTON

A pilha de notas fiscais tinha diminuído consideravelmente graças à intervenção "estagiária" de Lizzy, mas minha mesa ainda parecia o cenário de um desastre burocrático. Eu estava tentando focar em um relatório de sustentabilidade para os investidores, mas duas batidas na porta quebraram meu transe.

— Entre — murmurei, sem tirar os olhos da tela.

Larissa entrou. Ela já tinha voltado do seu "dia de folga" forçado, que eu suspeitava que ela tivesse usado para dormir, a julgar pela cara descansada, e trazia consigo uma prancheta e uma expressão de diversão e dever.

— Sr. Hampton? — ela chamou. — Tenho um recado da Sra. Stella.

Levantei a cabeça, interessado.

— Stella? Aconteceu alguma coisa com os meninos?

— Não, não. — Larissa abanou a mão. — É social. Ela ligou para o café agora pouco, disse que tentou o seu celular mas deu caixa postal.

Verifiquei meu telefone. Bateria morta. Ótimo.

— O que ela disse?

Larissa pigarreou, ajeitou a postura e, numa imitação assustadoramente precisa do tom doce-mas-mandão de Stella, disse:

— "Larissa, querida, avise ao Alex que haverá um jantar aqui em casa hoje à noite. Uma coisa pequena, só família e amigos, para comemorar oficialmente o noivado. Ele está intimado a comparecer, sem desculpas."

Sorri. Stella não perdia tempo.

— Tudo bem. Avise que estarei lá.

— Tem mais uma coisa. — Larissa deu um passo à frente, baixando a voz para um sussurro conspiratório, ainda no personagem. — "E diga a ele que... se ele quiser... pode trazer a namorada."

Arqueei uma sobrancelha tão alto que ela quase encostou no meu cabelo.

— Namorada? — repeti, fingindo a melhor cara de confusão que consegui.

Larissa desfez o personagem e revirou os olhos, voltando a ser minha gerente.

— Foi exatamente o que eu perguntei, chefe. "Namorada, Sra. Stella?". E ela riu e disse: "Eu sei que tem alguém na jogada, Larissa. O Alex e a Leah estão de segredinho. Diga para ele não ser tímido."

Senti o calor subir pelo meu pescoço. Stella era perspicaz demais para o meu próprio bem.

— A Stella tem uma imaginação fértil — desconversei, pegando uma caneta e girando entre os dedos. — Diga a ela que irei sozinho. Como sempre.

Larissa me lançou um olhar de "eu sei que você tá mentindo, mas vou respeitar a hierarquia", sorriu e saiu da sala.

Assim que a porta fechou, coloquei o celular no carregador e esperei ele ressuscitar. Assim que a maçã mordida apareceu na tela, digitei uma mensagem para Lizzy.

Eu: Fui convidado para um jantar de noivado hoje à noite e você?

A resposta de Lizzy veio minutos depois.

Lizzy: Eu sei. Damian acabou de passar aqui na minha sala. Ele me "convidou" (leia-se: intimou como obrigação familiar). Disse que nossa mãe e pai estarão lá.

Eu: Você vai?

Lizzy: Sou a irmã do noivo. Se eu não for, Damian me mata e mamãe me deserda. E você? Vai enfrentar a cova dos leões?

As mulheres saíram segurando taças de vinho e rindo de alguma coisa que Leah disse.

Fiquei na sala de estar, sozinho, sentindo-me um pouco deslocado. Damian estava na cozinha. Eu deveria ir embora? Deveria me juntar às mulheres e fingir que entendia de decoração de casamento?

Estava prestes a pegar meu celular para fingir uma emergência quando Damian voltou.

Ele segurava duas garrafas de cerveja geladas. Não eram artesanais, nem importadas raras. Eram cervejas comuns. Ele parou na minha frente e estendeu uma.

— Hampton.

Olhei para a garrafa, depois para ele.

— Winter. — Peguei a cerveja. — Obrigado.

— Vamos lá para fora — ele indicou com a cabeça, mas não para onde as meninas estavam. Ele apontou para o outro lado do jardim, perto da churrasqueira, onde havia duas cadeiras de madeira afastadas da conversa feminina.

Caminhamos em silêncio. A noite estava fresca. Sentamos. Damian deu um gole longo na cerveja, soltando um suspiro.

Ficamos calados por um tempo. Então, Damian virou a cabeça e me olhou.

— Então... é verdade? — ele perguntou.

O que é verdade? Ele viu eu olhando para a bunda da Lizzy quando ela se levantou? Ele sabe de algo?

— O quê?

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