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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 2

ALEXANDER HAMPTON

— ...um idoso como você.

Pisquei.

Idoso? Eu tinha trinta e poucos anos.

— Idoso? — repeti, sentindo um riso seco subir pela garganta.

— É. Você deve ter o quê? Quarenta? Quarenta e cinco? Já cheira a aposentadoria e crise de meia-idade. — Ele sorriu, achando que tinha tocado em uma ferida. — Lizzy gosta de energia, cara. De juventude. De alguém que consiga acompanhar o ritmo dela, não de alguém que precise dormir às dez da noite.

Respirei fundo, controlando a vontade de remodelar o nariz dele imediatamente.

— Sinto muito se o "idoso" aqui foi quem a conquistou — respondi, mantendo as mãos nos bolsos por enquanto. — Mas você não deveria ser invejoso, Julian. Isso é muito feio. Principalmente para homens. A Lizzy cresceu. Ela virou uma mulher. E mulheres de verdade preferem homens, não moleques que acham que o mundo lhes deve algo.

A expressão de Julian escureceu. A provocação tinha atingido o alvo.

— Você acha que é homem? — ele cuspiu no chão, perto do meu tênis. — Você é só uma fase. Uma experiência antropológica dela. Ela vai se cansar da sua rotina medíocre e vai voltar para onde pertence. Para gente como eu.

— Gente como você? — dei um passo mais perto, agora nariz com nariz. — Gente que a trata como uma qualquer? Que invade o espaço dela e a beija sem permissão? Se você chegar a um metro dela de novo, Julian, eu juro que você vai precisar de um canudinho para comer suas refeições pelo resto da vida.

Ele riu. Foi uma risada feia, cheia de malícia e álcool.

— Uau, que medo. O vovô ficou bravo. — Ele balançou a cabeça, o sorriso se tornando lascivo. — Sabe de uma coisa? Você deveria ser grato. Eu preparei o terreno para você. Ensinei alguns truques para ela naquele iate que aposto que você aproveita hoje.

O sangue sumiu dos meus ouvidos.

— Cale a boca. — Dei um último aviso.

Mas Julian, em sua infinita estupidez, não parou. Ele se sentiu corajoso e achou que eu era civilizado.

— Na verdade... — ele continuou, a voz baixando para um tom conspiratório nojento. — Se você não dá conta do recado, o que é provável dada a idade... que tal emprestá-la por uma noite? Só para testar se ela ainda tem toda aquela flexibilidade de antes. Eu devolvo de manhã, prometo. Talvez um pouco usada, mas...

A frase morreu.

Não porque ele parou de falar, mas porque meu punho direito conectou com a mandíbula dele com a força máxima que havia em mim.

Houve um estalo satisfatório, osso contra osso.

Julian nem viu chegando. A cabeça dele chicoteou para o lado, e ele desabou como um saco de batatas vazio, batendo o ombro na parede de tijolos antes de deslizar para o chão sujo do beco.

— Ai! Porra! — ele gritou, levando as mãos ao rosto. O sangue começou a escorrer imediatamente entre os dedos dele, manchando sua preciosa camisa.

Fiquei parado sobre ele, respirando pesado, a dor aguda nos meus nós dos dedos sendo a única coisa que me impedia de chutá-lo enquanto estava no chão. A abordagem dialogada tinha sido oficialmente encerrada.

— Levanta. — ordenei.

— Você quebrou meu nariz! — ele choramingou, a voz anasalada e cheia de lágrimas. — Você quebrou meu nariz, seu psicopata!

— Eu disse levanta! — Gritei, e o eco fez ele se encolher.

Julian tentou se arrastar para longe, o terror finalmente substituindo a arrogância em seus olhos. Ele percebeu, tarde demais, que dinheiro e sobrenome não paravam um soco.

Abaixei-me, agarrei-o pela gola da camisa e o puxei para cima, prensando-o contra a parede. Seus pés quase saíram do chão.

— Repete! — rosnei, a centímetros do rosto dele. — Repete o que você disse sobre ela.

— Eu não disse nada! Foi brincadeira! — ele balbuciou, o sangue escorrendo sobre os dentes. — Me solta!

— Minha garota não é um objeto para ser emprestado. Ela não é um brinquedo. Ela é a mulher mais incrível que você teve a sorte imerecida de conhecer, e você a trata como lixo.

Bati as costas dele contra a parede novamente.

Os olhos dela escanearam meu corpo rapidamente, procurando danos, e pararam na minha mão direita, que eu mantinha relaxada ao lado do corpo, apesar da vermelhidão nos nós dos dedos.

— Tudo bem? — ela perguntou, a voz preocupada, embora abafada pela música.

Sentei-me no sofá, puxando-a para sentar ao meu lado. Passei o braço pelos ombros dela, sentindo-a relaxar contra mim.

— Tudo resolvido — disse no ouvido dela.

Leah se inclinou sobre a mesa, olhando para a minha mão e depois para o meu rosto com um sorriso perverso.

— Ele vai precisar do hospital? — ela perguntou, alta o suficiente para eu ouvir.

— Talvez de uma plástica no nariz — admiti, dando de ombros. — Por isso, ele decidiu ir para casa mais cedo. A festa não estava divertida o suficiente para ele.

Lizzy olhou para mim, pegou minha mão direita com cuidado, passando o polegar suavemente sobre os nós dos dedos machucados. Ela não disse nada sobre violência, nem me repreendeu.

Em vez disso, levou minha mão aos lábios e beijou os machucados, um por um.

— Obrigada — ela sussurrou contra a minha pele.

— Vamos beber — decretei, pegando meu copo que ainda estava na mesa. — A noite é uma criança, ao contrário de mim.

Leah brindou com a garrafa.

— Às fraturas nasais de babacas! — ela gritou.

— Saúde! — brindamos.

Bebi, sentindo o álcool queimar na garganta, lavando o gosto amargo do encontro. Os outros eram passado. Eu era o presente. E, se dependesse da força da minha mão direita e do jeito que Lizzy estava me olhando agora, eu seria o futuro também.

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