ELIZABETH WINTER
A luz do sol de domingo inundava meu quarto, banhando os lençóis de brancos em um dourado irritante. Estiquei o braço para o lado esquerdo da cama, um movimento automático que meu corpo parecia ter aprendido em tempo recorde, mas meus dedos encontraram apenas o tecido frio e liso.
Quase esqueci que Alex estava dois andares abaixo. Provavelmente acordado há horas, lidando com Apollo e Orion, talvez fazendo panquecas em formato de bichinhos. Eu não podia simplesmente descer. Tínhamos regras. Coincidências não acontecem duas vezes seguidas, muito menos uma que envolva eu aparecer lá às nove da manhã, levantaria perguntas que os gêmeos não hesitariam em fazer para nós.
Suspirei, jogando o edredom para o lado.
— Tudo bem, Lizzy. Você é uma mulher adulta e independente. Você consegue sobreviver a uma manhã de domingo sem seu namorado barista.
Arrastei-me para fora da cama e caminhei descalça até a cozinha.
Parei diante da minha máquina de café expresso. Era uma peça de design italiano, cromada, cheia de botões e mostradores de pressão, que custava mais do que o primeiro carro da maioria das pessoas. Olhei para ela com desdém.
— Acho que você vai ter que servir hoje — murmurei, inserindo uma cápsula de "origem única" e apertando o botão.
A máquina zumbiu, chiou e cuspiu um líquido escuro na minha xícara. O aroma era forte e intenso.
Peguei a xícara e levei aos lábios, dando um gole cauteloso. Fiz uma careta imediata, afastando a xícara como se ela tivesse me ofendido pessoalmente.
— Horrível — decretei para a cozinha vazia. — Absolutamente intragável.
Era amargo. Tinha gosto de queimado. Não tinha a suavidade, as notas de chocolate ou a doçura natural que o café do Alex tinha.
Pousei a xícara no balcão com um tinido alto de frustração.
Era oficial: Alexander Hampton havia arruinado meu paladar para sempre. Meus padrões haviam subido a um nível que nenhuma máquina de mil dólares poderia alcançar. Eu estava viciada na alquimia que ele fazia com grãos e água quente.
— Maldito seja você e seus métodos de extração — resmunguei, empurrando a xícara para longe.
Deixei o resto do café para trás, intocado, esfriando no balcão como um monumento à minha insatisfação matinal.
Meu celular vibrou no bolso do meu robe.
Puxei-o rapidamente, meu coração dando aquele salto ridículo e adolescente que eu estava começando a aceitar como meu novo normal.
Alex: Bom dia, dorminhoca. Senti sua falta no café da manhã. O café não teve a mesma graça sem você reclamando que estava demorando muito.
Sorri para a tela, sentindo um calor se espalhar pelo meu peito que nada tinha a ver com a cafeína que eu não tomei.
Eu: Bom dia. Minha máquina italiana de última geração acaba de ser demitida. Sinto falta do meu barista particular.
Alex: Tente relaxar hoje. Tome um banho longo. Leia um livro. Você só precisa sobreviver sem mim por algumas horas, nos vemos ás 18 horas.
Eu: Vou tentar. Beijos.
Bloqueei a tela, sentindo-me um pouco mais leve. Relaxar. Certo. Eu posso fazer isso.
Fui para o banheiro principal. Abri as torneiras, deixando a água quente jorrar, e adicionei sais de banho de lavanda e bergamota. O vapor começou a subir, perfumado e denso, embaçando os espelhos.
Tirei o robe e o pendurei no gancho, deixando o celular no bolso. Entrei na água.
— O que você quer, Marissa? Achei que tivéssemos nos despedido de uma vez.
— Eu estive pensando, Lizzy. — Ela ignorou minha pergunta. — Sobre a nossa conversa. Sobre o passado. E decidi ser razoável. Por isso eu aceito o acordo.
Arqueei uma sobrancelha, olhando para o teto embaçado do banheiro.
— Que acordo?
— O acordo de troca. — Ela disse, com uma confiança que não entendi. — Minha boca fechada em troca do vídeo de Aspen. Você me entrega a cópia original, apaga qualquer backup na minha frente, e eu volto para São Francisco hoje mesmo. Nunca mais pronuncio o nome de Alexander Hampton.
Soltei uma risada curta, sem humor algum.
— Você deve estar delirando, Marissa. Quando foi, exatamente, que eu te ofereci esse acordo?
Houve um silêncio do outro lado da linha.
— É assim que eu quero que funcione. — ela insistiu, a voz endurecendo. — É uma troca justa. Eu protejo meu segredo, você protege seu namoradinho.
Suspirei, passando a mão molhada pelo rosto. Era quase insultante o quão amadora ela era.
— Sinto muito, queridinha, mas as coisas não funcionam como você quer só porque você acordou decidida. Você não tem nada que eu queira, porque a sua ameaça é vazia comparada à minha.
— Não funcionam como eu quero? — O tom dela subiu uma oitava. — Ou será que... na verdade, você não tem vídeo nenhum?

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!