ELIZABETH WINTER
O terror de verdade é uma sensação estranha. Ele não vem como um grito, mas como um silêncio absoluto que percorre sua pele e te impede de agir. Essa era a forma com Alexander estava me olhando. Sua mente brilhante e racional parecia ter sido filtrada, deixando apenas o som da sua voz repetindo a mesma dupla palavras:
— Ele sumiu.
Havia apenas um pai em pânico e que os olhos varriam a multidão desesperadamente.
Lidar com crises foi meu trabalho por um mês. Eu era paga para manter a calma quando as ações despencavam e os investidores gritavam. Mas isso não era sobre dinheiro. Era uma criança. Era o Orion.
Respirei e forcei meu cérebro a entrar no modo operacional.
— Alex, olhe para mim. — Ordenei, passando os três algodões-doces para uma mão e segurei os ombros dele, forçando-o a focar em mim. — Despero não vai ajudar. Nós vamos achá-lo. Ele não pode ter ido longe.
— Eu só desviei o olhar por um segundo... — ele murmurou, a culpa já o corroendo.
— Pare. Vamos nos dividir. Eu vou com o Apollo naquela direção — apontei para a área dos brinquedos infantis, onde as luzes eram mais brilhantes e atraentes para uma criança distraída. — Você vai para o outro lado, em direção à entrada principal e aos banheiros.
Alex assentiu, os olhos vidrados começando a focar.
— Organizadores. — ele disse. — Preciso achar a segurança.
— Sim. Vá para a cabine de informações, peça para anunciarem no alto-falante. Diga que ele está usando um casaco azul e touca cinza.
— Ok. Ok.
— Quem achar primeiro, liga. Imediatamente.
— Certo.
Ele se virou e começou a correr, abrindo caminho na multidão.
Virei-me para Apollo, que ainda estava sentado no banco, segurando seu dinossauro verde com força, os olhos grandes e assustados.
— Apollo, vem comigo. — Estendi a mão livre para ele, enquanto a outra ainda segurava distraidamente os algodões.
Ele pulou do banco e agarrou minha mão.
— O Orion se perdeu?
Continuei andando, meus olhos ardendo com o esforço de ver na penumbra colorida. O vento gelado batia em meu rosto, fazendo os fios de açúcar das nuvens rosa e azul que eu ainda segurava na mão esquerda grudarem na manga do meu casaca.
— Orion! — chamei novamente, girando o corpo, meus olhos varrendo a massa de pessoas.
Avistei uma lixeira transbordando perto da fila da montanha-russa. Sem diminuir o passo,enfiei os palitos com algodão no lixo com uma violência desnecessária. Me livrar daquele peso doce me deu mais liberdade.
Apollo tropeçou em seus próprios pés, cansado e assustado com a minha pressa. Eu o firmei antes que caísse.
— Desculpe, querido. — Me agachei rapidamente, ficando na altura dele. — Você precisa me ajudar, Apollo. Olhe para mim. Qual é a última coisa que seu irmão fez.
Apollo fungou, abraçando o dinossauro verde contra o peito com o braço livre.
— Ele falou do homem aranha. Ele tinha muitos balões prateados. Ele foi pra lá... — Ele apontou um dedo pequeno para uma área mais densa, perto dos jogos de azar e da saída lateral. — Onde tem a música barulhenta.
Levantei-me, sentindo o sangue pulsar nas minhas têmporas. Certo, nada me fará sair desse parque sem Orion. Alex não pode olhar nos olhos de Damian e Stella e dizer que falhou com o filho deles, nem sentir que fracassou como pai.
— Vamos. — Apertei a mão de Apollo. — Vamos achar esses balões.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!