É que... — Pensei rápido. — Eu senti dor de cabeça. Foi uma pontada forte. Acho que é a fome. O cheiro da comida está incrível e meu estômago está reclamando.
A mentira pareceu colar. A expressão dele suavizou imediatamente e o modo "cuidador" assumiu o controle.
— Ah, amor... — Ele passou a mão pelo meu cabelo, colocando uma mecha atrás da minha orelha. — Devia ter me dito antes. Vamos comer e se sua cabeça ainda doer pode tomar um remédio. Ele pegou o celular da minha mão e o colocou delicadamente sobre o balcão, longe de mim. — Sem telas. — decretou ele. — Você precisa relaxar.
— Sim. — concordei. — Sem telas.
Alex me guiou até a banqueta. Serviu um prato generoso de espaguete com almôndegas, cobrindo tudo com uma montanha de queijo parmesão ralado na hora, do jeito que eu gostava, mesmo que eu nunca tivesse admitido em voz alta.
— Aqui. — Ele colocou o prato na minha frente e me entregou um garfo. — Coma tudo.
Enrolei o macarrão no garfo, observando o vapor subir. A comida parecia deliciosa, mas minha garganta estava fechada.
Dei a primeira garfada e o sabor explodiu na minha boca. Estava perfeito. Alex cozinhava como um deus, embora não admitisse isso. Acho que modéstia era uma das suas qualidade.
— Então...? — perguntou, servindo-se e sentando ao meu lado, os joelhos roçando nos meus. — Qual o veredito? Mereço ser perdoado pelo crime de esquecimento do fim de semana?
Olhei para ele que estava sorrindo, esperando minha aprovação.
— Está incrível, Alex. — respondi, e pelo menos isso era verdade. — Você se superou.
— Fico feliz. — Ele começou a comer com gosto e continuou falando, descrevendo seus planos para o fim de semana com os gêmeos, seus olhos brilhando de entusiasmo. Ele falava sobre comprar colchões infláveis, sobre esconder os objetos quebráveis do apartamento, sobre como esperava que Damian não ligasse a cada cinco minutos para checar.
Eu apenas assentia, inserindo um "aham" ou um sorriso nos momentos certos, mas minha mente estava a quilômetros de distância. Marissa estava blefando? Ela realmente procuraria Alex? E se ela o encontrasse? O que ela diria? E ele acreditaria? Seria melhor se eu contar primeiro? Se eu contar primeiro fará alguma diferença para ele?
— Lizzy? — Alex tocou meu joelho.
Pisquei, voltando para a cozinha.
— Oi. Desculpe. O macarrão... realmente ajudou na dor de cabeça, mas ainda estou um pouco lenta.
— Você está quieta. — Ele observou, deixando o garfo no prato. — Normalmente, a essa altura, você estaria falando pelos cotovelos e eu ouvindo.
Dei um sorriso fraco.
— Só estou cansada, Alex.
— Entendo. — Suspirou se levantando. — Não vou te forçar a falar se não quiser. Mas saiba que estou aqui para te escutar.
Observei-o levar a louça para a pia. Agora nós éramos reais, e nada daquilo que pensei importava mais.
Levantei-me da banqueta abruptamente. O som das pernas de madeira arrastando no chão fez Alex se virar e caminhei até ele em três passos largos.
— O que foi, amor? — ele perguntou.
Olhei para ele, colocando todo o amor que eu sentia no meu olhar, esperando que fosse suficiente para cobrir meu segredo.
— Eu amo você. Eu amo você de verdade. Nunca duvide disso, ok? Não importa o que aconteça, não importa o que... o que digam. Eu amo você.
Alex sorriu, aquele sorriso que fazia seus olhos se enrugarem nos cantos e fazia meu peito aquecer.
— Eu sei, Lizzy. — Ele segurou meu rosto com as duas mãos. — E eu amo você. Nada vai mudar isso. Estamos nisso juntos, lembra? Igualdade.
Assenti, engolindo o nó na garganta.
— Juntos.
— Agora... — Ele me levantou com facilidade, colocando-me sentada na borda fria do balcão, ficando entre minhas pernas novamente. — Já que a punição acabou e o jantar foi servido... acho que temos uma sobremesa pendente. E não estou falando de comida.
Sorri, um sorriso que finalmente alcançou meus olhos, alimentado pela distração bem-vinda do desejo. Entrelacei minhas pernas nas costas dele e o puxei pela nuca.
— Para de explicar o óbvio e me beija, Hampton.
Eu mesma vou desarmar aquela bomba antes que ela exploda nossa felicidade em pedaços.

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