ELIZABETH WINTER
Um cheiro delicioso preenchia o apartamento 40B. Eu estava sentada no balcão da cozinha de Alex, vestida com uma das camisas sociais dele que me servia como um vestido curto e improvisado, minhas pernas balançando no ar enquanto o observava cozinhar.
Havia algo profundamente hipnotizante em ver Alexander Hampton na cozinha. A maneira como ele se movia com eficiência, picando coisas, provando outras com uma expressão de concentração séria... era incrivelmente sexy. Acho que vê-lo cozinhar podia ser considerado preliminares.
— Está quase pronto? — perguntei, inclinando-me. — O cheiro está me matando.
— Paciência, Winter — ele respondeu sem se virar, mexendo a panela de molho. — A perfeição leva tempo. O macarrão precisa ficar al dente, e as almôndegas precisam absorver o sabor.
— Você e seu perfeccionismo. — Revirei os olhos, mas com um sorriso.
Ele se virou, limpando as mãos em um pano de prato, e caminhou até mim. Parou entre minhas pernas abertas, apoiando as mãos no balcão de cada lado dos meus quadris, prendendo-me.
— Falando em tempo... — sua expressão ficou um pouco mais séria. — Preciso te contar uma coisa sobre o fim de semana.
— Ah, sim? — Passei os braços em volta do pescoço dele, brincando com os cabelos na nuca dele.
Será que ele montou um roteiro para as Cataratas do Niágara? Eu já estava mentalmente preparada para usar uma daquelas capas de chuva amarelas ridículas e tirar fotos cafonas.
— Fui visitar a Stella e o Damian hoje mais cedo. E convidei os gêmeos para passar o fim de semana aqui. Para conhecerem o apartamento.
— Você esqueceu do nosso fim de semana? — acusei, semicerrando os olhos para a sua expressão culpada como se só agora tivesse lembrado. — Caramba, você esqueceu completamente que tínhamos planos.
— Foi uma semana muito ocupada, amor. — ele tentou se defender, segurando minha cintura. — E, sinceramente... eu não tenho o costume de sair de casa nos fins de semana. Minha agenda social nos últimos cinco anos consistiu em N*****x e relatórios de vendas. Eu simplesmente... esqueci.
Fiz um biquinho, cruzando os braços sobre o peito.
— Isso é uma das consequências de ser tão parado, Hampton. Só viajou na vida se fosse relacionado a expansão de filiais ou conferências chatas.
— Ei, eu fui para o Havaí uma vez! — ele protestou.
— Para um congresso de torra de grãos, eu aposto.
Ele abriu a boca para retrucar, mas fechou, rindo.
— Ok, talvez tenha sido.
— Está vendo? — Balancei a cabeça, dramática. — É trágico. Um desperdício de juventude e beleza. Mas um dia... — Deslizei minhas mãos de volta para os ombros dele, olhando em seus olhos com seriedade. — Um dia, ainda te convenço a fazer um mochilão pelo mundo comigo. Sem hotéis cinco estrelas, sem itinerários, só nós dois e o mundo.
Alex soltou uma gargalhada alta, jogando a cabeça para trás.
— Eu? Mochilão? — ele perguntou, incrédulo. — Nem se eu estivesse muito louco, Lizzy. Eu gosto de chuveiros quentes, camas e saber onde vou dormir à noite. A ideia de dormir em um albergue com doze estranhos roncando me dá urticária.
Apertei os ombros dele, puxando-o para mais perto até que nossos narizes quase se tocassem.
— Escute o que estou dizendo, Alexander. Eu, Elizabeth Winter, mudo meu nome se não conseguir convencer você a viajar o mundo comigo. E não estou falando de Paris ou Londres. Estou falando de Vietnã, Patagônia, Marrocos.
— Você mudaria de nome, é?
— Já perdoei. — Sorri docemente, dando um tapinha no peito dele. — Mas essa será sua punição por simplesmente esquecer que tinha planos com sua namorada.
Ele me olhou incrédulo.
— Você é cruel, Winter.
— Eu sou justa. Agora vá. — Dei um empurrãozinho nele. — Quero comer.
Ele resmungou algo que soou como "tirana" e "mulher impossível", mas voltou para o fogão. Observei suas costas largas e suspirei. Estou completamente perdida por esse homem.
Peguei meu celular, que estava vibrando em cima do balcão, para me distrair.
Desbloqueei a tela. Havia uma notificação de mensagem de um número desconhecido.
Abri.
"Acabei de pousar em Nova York. A cidade continua a mesma selva de pedra."
Franzi a testa. Quem era? Cliquei na foto para ampliar. Marissa.
Eu estava prestes a bloquear o número e fingir que ela tinha sido abduzida por alienígenas, quando a segunda mensagem chegou.
Marissa: "Gostaria muito de encontrar você, querida. E saber se você ainda está com aquele... como era o nome dele mesmo? Alexander? Se estiver, eu adoraria bater um papo com ele. Tenho certeza de que ele acharia fascinante saber sobre suas verdadeiras motivações para ter começado a procurá-lo. Vingança é um prato que se come frio, não é o que dizem?"

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!