Entrar Via

Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 2

ALEXANDER HAMPTON

Entrei no quarto principal, que estava mergulhado na penumbra, iluminado apenas pela luz da cidade que entrava pelas janelas.

— Respire, Hampton — sussurrei para o silêncio, passando a mão pelo rosto. — Você consegue fazer isso.

Fui até a cômoda e abri a gaveta superior. Lá estava ela. A pequena caixa de veludo preto. Peguei a caixa. Ao lado dela, solta na gaveta, estava um anel simples, uma faixa de platina fosca, sem pedras, sem brilho excessivo. Sólida e durável.

Peguei-o e o deslizei pelo dedo anelar da minha mão esquerda. Olhei para a minha mão. Nunca fui um cara de joias, mas aquilo não era um adorno. Era uma declaração de que eu estava fora do mercado. Eu era dela.

Respirei fundo novamente, guardando a caixa de veludo no bolso da calça.

Ajoelhei-me no chão e olhei para debaixo da cama. Puxei a caixa longa e retangular que eu havia escondido ali mais cedo, rezando para que o aquecimento do apartamento não tivesse arruinado o conteúdo.

Abri a tampa.

Elas estavam perfeitas. Rosas Black Baccara.

Tinha passado horas discutindo com a florista. Eu não queria rosas vermelhas comuns. Nem brancas. Eu queria essas. Rosas de um vermelho tão profundo, tão saturado, que sob a luz certa pareciam negras. Eram aveludadas e exalavam um perfume sutil, mas inebriante.

Eram a encarnação floral de Elizabeth Winter.

Peguei o buquê, ajeitando a fita de seda preta que prendia os caules.

— Ok. Não estrague tudo. Não gagueje. E, pelo amor de Deus, não a deixe pensar que é um pedido de casamento e a faça fugir para o México.

Voltei para o corredor.

Dei um passo à frente e Lizzy virou a cabeça imediatamente. Seus olhos encontraram os meus, curiosos e brilhantes. Ela sorriu, e o mundo entrou em foco.

Mantive o buquê atrás das costas e parei ao lado da cadeira dela.

— A segunda surpresa tem duas partes.

— Duas partes? Você está se superando, vizinho.

— Parte um.

Revelei as flores.

Os olhos de Lizzy se arregalaram. Ela estendeu a mão e tocou uma pétala com a ponta do dedo, com um encantamento que me disse que tinha acertado em cheio.

— Alex... — ela sussurrou.

— Elas me lembraram você. Não são inocentes, nem comuns. São intensas. São especiais. E têm espinhos, se você não souber como segurá-las.

Ela riu, pegando o buquê dos meus braços e cheirando-o.

— Você está me chamando de espinhosa no nosso primeiro jantar romântico?

— Estou te chamando de magnífica.

Ela olhou para mim por cima das flores, seus olhos suavizados.

— Obrigada. Elas são perfeitas.

— Ainda não acabou.

Puxei uma cadeira que estava ao lado dela, em um ângulo de noventa graus. Sentei-me, ficando com os joelhos roçando nos dela.

Ela colocou as flores na mesa, sentindo a mudança na atmosfera.

— O que foi?

Tirei a caixa de veludo do bolso.

O olhar dela foi da caixa para o meu rosto, e eu vi o pânico genuíno passar por seus olhos por um microssegundo.

Coloquei a caixa fechada na mesa, entre nós, ao lado das velas.

— Calma. — Falei, cobrindo a mão dela com a minha.

— O que é isso? — ela perguntou, olhando para a caixa como se ela contivesse urânio enriquecido.

— Você se lembra de quando perguntei se você queria namorar comigo.

Um rubor subiu pelo pescoço dela.

— Claro que lembro.

— Você disse: "Não, a menos que você me traga um anel".

Ela soltou uma risadinha nervosa.

— Eu só estava provocando.

— Eu sei — concordei, segurando o olhar dela. — Mas aqui está a coisa sobre mim, Lizzy: eu não sou bom em deixar blefes passarem. E quando se trata de você, quero levar tudo a sério.

Peguei a caixa de veludo novamente.

— Sei que somos opostos em muitas coisas. Você é uma tempestade, e eu sou... bem, gosto de pensar que sou o porto. O ponto é... não quero que haja dúvidas. Nenhuma. Nem para você, nem para mim, nem para o mundo lá fora.

Abri a caixa.

— Ok — ela disse, respirando fundo. — Você elevou o padrão, Hampton. Estou preocupada com o meu aniversário agora.

— Tenho meses para planejar isso. Não se preocupe. — Levantei-me. — Agora, para encerrar o jantar... a sobremesa.

— Tem sobremesa? — Os olhos dela brilharam. — Depois de tudo isso, espero que seja algo banhado a ouro.

— Melhor. É italiano. E tem cafeína.

Fui até a cozinha e tirei o Tiramisu da geladeira. Polvilhei cacau em pó fresco por cima no último segundo.

Voltei e coloquei uma taça na frente dela e outra na minha.

— Tiramisu — ela disse, pegando a colher. — Clássico.

Ela provou. Gemeu.

Comemos em um silêncio confortável, trocando sorrisos, roubando pedaços da taça um do outro. Observei-a lamber um pouco de creme do canto da boca. Meus olhos desceram para o pescoço dela, para a forma como a blusa de seda se movia quando ela respirava.

O anel estava no dedo dela. O jantar tinha acabado. E nós estávamos no meu apartamento.

Empurrei minha taça vazia para o lado.

— Lizzy?

— Hum? — ela olhou para cima, raspando o final do chocolate.

Levantei-me e estendi a mão para ela.

— Acho que você não inspecionou o quarto principal adequadamente.

Ela parou com a colher no meio do caminho. Seus olhos escureceram e ela colocou a colher na mesa.

— É verdade — sua voz caiu para aquele rouco que eu adorava. — Foi uma visita muito superficial. Acho que preciso fazer uma inspeção mais detalhada.

Ela pegou minha mão e se levantou.

Puxei-a contra mim, um braço passando por trás de seus joelhos e o outro por suas costas, levantando-a no estilo noiva. Ela soltou um gritinho de surpresa, passando os braços ao redor do meu pescoço, rindo.

— De novo? — ela provocou, roçando o nariz no meu. — Seus "ótimos ombros" não se cansam?

— Nunca para você — respondi, caminhando em direção ao corredor. — Além disso, agora que você tem esse diamante pesado no dedo, achei que poderia estar cansada demais para andar.

Ela riu, mordendo meu lóbulo da orelha.

Entrei no quarto, chutei a porta para fechá-la atrás de nós. Pronto para apresentar Elizabeth Winter a cada centímetro dos meus lençóis.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!