ELIZABETH WINTER
Entrei no meu apartamento às 18:33. Joguei as chaves na tigela de entrada com um tinido satisfatório e encarei o corredor vazio como se fosse uma pista de corrida.
Tinha exatamente uma hora e vinte e sete minutos.
Para uma civil comum, isso seria tempo suficiente para tomar banho, fazer uma maquiagem completa, assar um bolo e ainda aprender o básico de mandarim. Ok, talvez a parte do Mandarim seja exagero...
De qualquer forma, corri para o meu closet.
Acendi as luzes e parei no centro do tapete felpudo, cercada por fileiras e mais fileiras de roupas.
— Ok — murmurei para mim mesma, com as mãos nos quadris.
Tudo o que ele disse foi: "Esteja pronta". Essa é a instrução mais inútil na história dos relacionamentos.
Se ele me levar para um jantar cinco estrelas e eu aparecer de jeans, vou parecer uma turista perdida. Se vamos comer pizza no Brooklyn e eu aparecer com um vestido de lantejoulas, vou parecer uma drag queen em dia de folga.
Puxei um vestido verde esmeralda de seda.
— Muito elegante. — Joguei-o na poltrona.
Peguei um vestido preto curto, estilo bandagem.
— Muito "balada em Miami". — Joguei-o em cima do verde.
Olhei para um conjunto de saia lápis e blazer. Esse nem saiu do cabide.
O tempo estava passando. 18:45. Achava que Alex era um homem previsível até que comprou uma fantasia de policial completa e veio ao meu apartamento usando-a.
— Por que homens nunca mandam um código de vestimenta no anexo do convite? — reclamei para o meu reflexo no espelho.
Uma calça. Sim. Uma calça pantalona preta de alfaiataria. Cintura alta, tecido fluido. Era clássica. Funcionava para ópera e funcionava para um bar de jazz.
E para a parte de cima?
Peguei uma blusa marrom, cor de chocolate amargo. Tinha um decote drapeado sutil e mangas longas.
— É isso. — decretei. — Se ele me levar para andar de skate, a culpa é dele.
Bem, acho que Alex nunca me levaria para andar de skate. Pode ser imprevisível, mas não tanto.
Corri para o banheiro. Esfoliar, checar depilação de todas as partes, lavar o cabelo, condicionar, enxaguar.
Saí do box envolta em vapor e toalhas. 19:15.
Sequei o cabelo, modelando-o em ondas soltas e brilhantes que caíam sobre meus ombros e escovei os dentes com a ferocidade de quem vai beijar muito.
A maquiagem foi o próximo desafio. Eu queria algo que dissesse "acordei assim", o que ironicamente exigia muitos produtos diferentes. Base leve, corretivo para esconder as olheiras da semana infernal, um pouco de blush pêssego, rímel e um batom nude rosado.
Vesti a roupa. Coloquei a blusa por dentro da calça, ajustando a cintura.
Olhei no espelho.
— Nada mal, Winter. — pisquei para mim mesma.
Calcei botas de salto fino pretas, peguei uma bolsa clutch preta discreta e borrifei meu perfume.
Olhei para o relógio. 20:09.
— Merda!
Alex era pontual. Ele provavelmente estava lá embaixo, olhando para o relógio
Saí do quarto correndo, pegando meu celular da penteadeira para ligar para ele enquanto ia para a sala.
Parei bruscamente no meio da sala de estar.
Alexander estava sentado no meu sofá, as pernas cruzadas relaxadamente, um dos meus livros na mão. Ele estava usando uma calça social escura e uma camisa branca com os primeiros botões abertos, as mangas dobradas nos antebraços e parecia... comestível.
Ele fechou o livro lentamente e olhou para o relógio de pulso, depois para mim.
— Está nove minutos atrasada, senhorita Winter.
Eu baixei o celular, recuperando o fôlego e a compostura.
Ele se levantou, deixando o livro na mesa de centro e caminhando em minha direção. Seus olhos percorreram meu corpo, da cabeça aos pés e parou na minha frente.
Apontei para mim mesma.
— E então? Não valeu a pena a espera?
Alex soltou uma risada baixa, segurando minha cintura e me puxando para ele.
— Valeu cada segundo. — ele murmurou, inclinando-se para me beijar. — Sempre valerá a pena esperar por você, Lizzy.
Me derreti contra ele.
— Você é um fofo, sabia? — sussurrei contra os lábios dele. — Mas prometo que não serei tão demorada no futuro. Vou evitar deixar você esperando.
— Obrigada.
Ele se afastou um pouco, tirando a mão da minha cintura e enfiando a mão no bolso da calça, tirando um pedaço de tecido. Um lenço de seda preto.
— Para a primeira surpresa, você vai precisar disso.
— Uma venda? Vou tropeçar e quebrar o nariz e então a surpresa será uma rinoplastia de emergência.
— Você confia em mim? — ele perguntou, ignorando meu drama.
— Eu sou seu vizinho. — ele confirmou.
Gritei e me joguei nele, envolvendo meus braços em seu pescoço e minhas pernas em sua cintura. Ele cambaleou para trás, rindo, e me segurou com firmeza.
— Você é meu vizinho! — repeti, beijando o rosto dele todo. — Meu Deus, isso é perfeito! Isso é absolutamente perfeito! Posso descer de pijama! Você pode subir para fazer café!
Ele riu, me beijando de volta.
— Gostou da surpresa número um?
— Amei! Amei! — Desci dele, mas mantive suas mãos nas minhas. — Me mostre tudo!
Ele riu e começou o tour.
O apartamento era incrível. Tinha a personalidade dele, mesmo sendo alugado mobiliado. Havia livros dele na mesa de centro. O equipamento de café V60 estava orgulhosamente exposto na bancada da cozinha preta. A cama tinha lençóis cinza-escuros que pareciam convidar ao pecado.
— E a melhor parte... — ele disse, me guiando. A mesa de jantar estava posta. Havia velas acesas, dois pratos, talheres e um arranjo de peônias brancas no centro.
— Jantar de comemoração pelo seu pai e para estrear o apartamento.
— Alex... Você fez tudo isso?
— Pedi comida de um lugar italiano, na verdade. Mas eu arrumei a mesa. Queria que estivesse perfeito.
— É perfeito.
Sentamo-nos. O jantar foi maravilhoso. Comemos massa trufada e bebemos um vinho tinto encorpado.
Quando terminamos, Alex se levantou. Ele parecia subitamente sóbrio. Aquele nervosismo de antes voltou e limpou a garganta.
— Lizzy.
Olhei para ele, sorrindo, segurando minha taça de vinho.
— Sim, vizinho?
— Me dê um minuto. Eu preciso pegar uma coisa. É hora da segunda surpresa.
— Ok... — coloquei a taça na mesa.
Fiquei sozinha na sala de jantar, observando a chama das velas.
O que seria a segunda surpresa?
Uma sobremesa? Uma chave do apartamento dele para mim?
Tentei acalmar a ansiedade repentina que borbulhava em meu estômago.
Esperei, com meu olhar fixo na direção que saiu, esperando ele voltar.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!