ELIZABETH WINTER
— Damian foi preso, Lizzy.
Eu pisquei. Uma vez. Duas. A palavra não se registrou. "Preso?" Parecia uma piada de mau gosto ou uma realidade distorcida.
— Preso? Mãe, do que você está falando?
— É sério, Elizabeth! — ela gritou, e o som agudo me fez recuar. — Assassinaram um homem. E estão dizendo que foi ele.
— O quê? Mãe, isso é impossível. Explique direito. O que aconteceu?
— Ele foi preso esta tarde. — ela soluçou, as palavras tropeçando umas nas outras. — A polícia foi na casa dele... oh, Deus, Lizzy, eles o levaram na frente do Danian. Eles disseram que ele assassinou um homem chamado... — Ela fungou alto, tentando ler algo. — ...Nathan Ponlic.
Nathan Ponlic. O nome não significava nada para mim.
— Eu não conheço esse nome. Mãe, isso tem que ser um erro. Assassinato? Não. De jeito nenhum.
— Eu não sei o que pensar. — ela choramingou. — Seu pai está trancado no escritório, ligando para os advogados, mas ninguém está nos dizendo nada. Lizzy, por favor... por favor, volte para casa. Eu preciso de você.
Eu me endireitei, apertando o lençol com tanta força que minhas unhas cravaram na minha palma.
— Eu vou, mãe. Claro que vou. Ouça-me, respire fundo. Eu vou pegar o primeiro voo. Estarei aí amanhã. Acalme-se. Nós vamos resolver isso.
— Sim, sim, por favor. Eu te amo, querida. — Ela desligou, a ligação terminando com outro soluço.
Baixei o telefone lentamente, enquanto os pensamentos se misturavam.
— Alex...
Ele pegou o telefone da minha mão e o colocou na mesa de cabeceira, em seguida, pegou minhas duas mãos entre as dele.
— Respire, Elizabeth. Me diga o que aconteceu.
— Meu irmão. — Eu engoli, o gosto da bile subindo pela minha garganta. — Ele foi preso. Por assassinato.
— Damian?
— Sim, um homem... Nathan Ponlic. Eu nunca ouvi falar dele. Minha mãe disse que ele foi preso esta tarde. Alex, isso é... isso é loucura.
— Hum... Nathan Ponlic. Esse nome não foi citado em um escâdalo com Sophie Pósitron. — Verdade, é o ex-amante daquela cobra.
Levantei-me da cama, peguei meu celular novamente, abri minhas mensagens, procurando o contato do piloto do jato da família.
"Preciso do jato pronto às 7h da manhã."
Enviei. A resposta veio quase imediatamente.
"Confirmado, Srta. Winter."
Soltei um suspiro, que soou mais como uma frustração contida.
Alex se levantou da cama e veio até mim. Ele não disse nada, apenas me envolveu em seus braços, me puxando contra seu peito quente. Enterrei meu rosto em seu ombro, me sentindo melhor.
— Isso não pode estar acontecendo — murmurei contra sua pele.
Senti o sono se afastar ainda mais. Esta seria uma longa, longa noite.
[...]
O alarme do meu celular vibrou às 6:00 da manhã. Eu não estava dormindo. Estava em um estado de torpor exausto, meus olhos secos e ardendo de tanto olhar para a tela do telefone e para o teto.
Me movi silenciosamente. Deslizei para fora da cama, o ar da manhã me dando um arrepio. Alex nem se mexeu. Ele estava deitado de barriga para baixo, um braço jogado onde eu estava, os lençóis amontoados em sua cintura. Nossa bolha perfeita havia estourado.
Tomei um banho e me vesti no banheiro mesmo. Escovei os dentes e fiz o melhor que pude pelo meu cabelo.
Peguei minha bolsa, verificando se meus documentos e carteira estavam lá. Tudo certo.
Olhei para Alex, dormindo profundamente.
Encontrei um bloco de notas e uma caneta.
"Alex, tive que sair antes que você acordasse. Não queria te acordar. Obrigada por tudo. As coisas vão ficar loucas. Mas eu sei que meu irmão é inocente e vai provar isso. Você disse dois dias. Estou cobrando. Vou estar esperando uma visita sua. Muito em breve. Meu endereço está na folha seguinte. Não demore.
Sua Lizzy"
Escrevi o endereço na folha seguinte, deixei o bloco aberto na primeira página e o coloquei na mesa de cabeceira.
Parei ao lado da cama e me inclinei, dando um beijo suave em seus lábios. Ele murmurou algo em seu sono, um som baixo e satisfeito, e se mexeu, mas não acordou.
Eu me endireitei. Era hora de ir.
Agarrei minha mala e saí do apartamento, fechando a porta atrás de mim com cuidado, deixando o calor e a sanidade para trás, e caminhando em direção à tempestade que me esperava em Nova York.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!