ALEXANDER HAMPTON
Observei Lizzy caminhar em direção ao banheiro, e foi como assistir a um filme em câmera lenta. O vestido preto minúsculo, o balanço de seus quadris, a maneira como a luz estroboscópica parecia se agarrar a ela. Eu podia sentir o gosto dela na minha boca e queria que voltássemos para casa.
Eu estava com calor. O ar no clube era espesso e rançoso, cheirando a suor, fumaça de gelo seco e álcool derramado. Mas o calor que eu sentia vinha de dentro, e começou no momento em que coloquei minhas mãos nela.
Me virei de volta para o bar, sentindo minha respiração ainda irregular. Preciso de água. Não de álcool. Eu precisava de algo para limpar minha cabeça.
— Uau.
A voz de Marissa, baixa e divertida, cortou minha névoa. Já tinha esquecido que ela estava ali. Ela estava me observando, com um sorriso conhecedor.
— Ela realmente te pegou, não é?! — Perguntou, tomando um gole de sua própria bebida escura.
— Eu não sei do que você está falando! — respondi, sinalizando para o barman por uma garrafa de água.
— Sério?! — Marissa riu. — Porque para mim parece que você está marcado!
— Parece?!
— Sim! Mas o que eu quis dizer... — ela se inclinou e apontou para a minha boca. — ...é que você está literalmente marcado! Você tem batom vermelho por todo o rosto!
Eu estava andando por aí parecendo um palhaço? Já podia sentir o calor subir pelo meu pescoço.
— Merda!
Peguei um guardanapo de coquetel do balcão e comecei a esfregar minha boca.
— Ei, calma aí, caubói! — Marissa disse, rindo. — Você vai arrancar a pele! Aqui!
Ela estendeu o polegar para me limpar e me esquivei por reflexo. Odeio ser tocado inesperadamente por desconhecidos. Ainda mais um toque como esse.
— Eu cuido disso! — virei-me e usei a câmera do meu celular como um espelho.
Ela estava certa, e não era só uma mancha. O batom de Lizzy estava borrado do meu lábio inferior até o meu queixo.
Eu esfreguei com força, minha pele ficou vermelha e irritada sob o guardanapo áspero.
— Ela deve ter esquecido de avisar! — murmurei, finalmente limpando a maior parte.
Marissa tomou outro gole, me observando por cima da borda do copo.
— Eu discordo!
— Discorda de quê?!
— Que ela esqueceu! — Seu sorriso se tornou algo mais afiado. — Acredito que ela estava marcando o território dela!
No mesmo segundo, parei de esfregar.
— Marcando território?! — Eu pensei sobre isso e balancei minha cabeça. — Lizzy não parece do tipo ciumenta ou possessiva!
O sorriso de Marissa desapareceu, substituído por algo que eu não conseguia ler.
— Ela não é! Normalmente! Ela se desfaz dos homens como se fossem lenços de papel! É por isso que você é tão... especial!
Eu sou especial? Um calor idiota se espalhou pelo meu peito. Eu era... especial para Lizzy? Bom, ela disse que talvez estivesse apaixonada por mim, então acho que sim.
— Ela também é especial! — Tomei um gole da minha água.
Meus olhos instintivamente seguiram através da multidão. Ela estava parada a cerca de seis metros de distância. Lizzy. Não levou nem três segundos para afastar a garota de mim. Mas pela cara que estava fazendo, ela entendeu tudo errado.
Ela caminhou até nós, dei um passo em direção a ela.
— Amiga, nós podemos explicar! — Gritou Marissa.
— Lizzy, me escuta. Não é...
Ela não me deixou terminar, sua mão se ergueu e seu olhar me evitou.
Ela não disse, passou por mim como se eu fosse um fantasma, apontou para a garrafa de tequila mais próxima. O barman, serviu uma dose. Lizzy pegou o copo, finalmente olhando para mim. Diretamente nos meus olhos. E virou.
O gole foi um movimento único e violento e encerrou batendo o copo vazio no balcão.
Seus olhos, agora gelados, foram de mim para Marissa.
— Para fora! — Ordenou. — Os dois! Agora!
Ela não esperou por uma resposta, se virou e começou a caminhar em direção à saída de emergência.
Corri atrás de Lizzy, empurrando as pessoas para fora do meu caminho e a segui para fora, pela porta de metal pesada, para um beco escuro e fedorento atrás do clube.
Ela parou no meio do beco, sob uma única luz amarela de segurança e estava de costas para mim.
Quando Marissa nos encontrou ela se virou.
Sua expressão não estava mais em branco. Estava calma. Mas era a coisa mais assustadora que eu já tinha visto.
— Então... — ela disse, sua voz sem esboçar nenhuma emoção. — Vocês querem explicar o que foi aquilo?

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!