ELIZABETH WINTER
A viagem de volta foi cansativa. Quatorze horas no ar, presa em uma cabine de luxo, me dando tempo demais para pensar.
Pousei em Nova York na quarta à tarde. Meu corpo estava gritando por uma cama. Mas eu não fui para o meu apartamento. Mandei o motorista me levar direto para os escritórios da Winter.
Trabalhei no escritório por uma hora. Então, finalmente, fui para casa. Para o meu apartamento. O lugar que eu mal tinha visto nos últimos meses.
O apartamento de Alex, com o cheiro de café e dele, parecia mais "casa" do que este lugar.
Eu nem dormi, só deitei na minha cama e olhei para o teto, até a hora do voo.
Eu precisava vê-lo. Eu tinha que vê-lo.
[...]
Aterrissamos no SFO às 7:04 da manhã, horário do Pacífico. O céu estava começando a ficar com um tom de pêssego pálido. Quinta-feira.
Não mandei mensagem, nem liguei. Porque tinha uma chave.
O carro me deixou na frente de seu prédio em. O porteiro da manhã me reconheceu e me deixou subir com um aceno de cabeça.
Eu parei na frente da porta do apartamento dele. Meu coração estava batendo forte. Chega de pensar. Deslizei a chave na fechadura. Ela girou suavemente e entrei.
O apartamento estava silencioso. O sol da manhã mal entrava pelas persianas fechadas. Deixei minha mala e minha bolsa perto da porta e tirei meus sapatos.
Segui pelo corredor até o quarto principal.
A porta estava entreaberta e espiei o lado de dentro.
Ele estava lá. Espalhado de bruços no meio daquela cama enorme, completamente nocauteado. Ele estava vestindo apenas uma cueca, suas costas nuas subindo e descendo a cada respiração profunda.
Acho que o observei dormir por um minuto inteiro. Só queria rastejar para debaixo daqueles lençóis e me enrolar ao redor dele.
Entrei no quarto, mas não subi na cama. Ao invés disso, me ajoelhei ao lado dela.
Estendi a mão e passei meus dedos levemente pela bagunça de seu cabelo. Era tão macio.
— Alex... — sussurrei.
Ele gemeu baixo e se enterrou mais fundo no travesseiro.
— Acorda, Hampton. — sussurrei, um pouco mais alto, com minha boca perto de sua orelha. — O serviço de quarto chegou.
Ele se mexeu e se virou lentamente, seus movimentos pesados de sono. Seus olhos se abriram... apenas uma fresta e ele piscou, tentando focar.
— ...Lizzy? — Sua voz era de um tom rouco que fez meu estômago dar uma cambalhota.
— Oi — respondi suavemente.
Ele não disse "O que você está fazendo aqui?" ou "Que horas são?". Apenas estendeu um braço pesado e me puxou.
Eu caí em cima dele, rindo, e ele me rolou para baixo, prendendo-me sob seu corpo quente e pesado.
— Você está aqui — ele murmurou, sua boca encontrando a minha.
O beijo foi preguiçoso, quente e tinha 'gosto de manhã'. Mas não era ruim. Acho que ele estava finalmente confortável comigo.
— Falei para não sentir tanto minha falta. — murmurei contra seus lábios.
— Cala a boca. — ele ordenou, e me beijou de novo.
Uma hora depois, estávamos entrando no Fox&Maple.
Alex estava usando um jeans, uma camiseta preta simples que abraçava seus "ótimos" ombros e um boné de beisebol.
O café estava lotado.
Ben nos viu entrar juntos e quase posso jurar que vi ele suspirar aliviado.
— Bom dia, Ben! — eu cantarolei, sentindo-me animada.
— Srta. Winter. Sr. Hampton. — ele acenou. — Parece bem hoje, senhor.
— Volte ao trabalho, Ben. — Alex ordenou, sem rodeios.
— Eles me adoram. Aumentei suas vendas de doces em quarenta por cento. Você deveria me pagar. — Estendi a mão e apertei a tranca da porta fazendo um 'clique'.
Sua cabeça se ergueu lentamente.
— O que você está fazendo?
— Eu só... — Sussurrei, começando a andar em direção a ele. — Precisava de um minuto. — Parei bem na frente de sua cadeira, entre seus joelhos. — É que é muito difícil me comportar.
— É? — sua voz estava rouca.
— Sim. Agir como se eu fosse só uma ajudante e não tivesse um caso com o chefe. — Me inclinei mais perto, minha boca a centímetros da dele. — É especialmente difícil quando o chefe é tão gostoso sendo todo... trabalhador.
Ele engoliu em seco. Suas mãos subiram e pousaram na minha cintura. Estava ficando cada vez mais fácil conseguir o que eu quisesse dele.
— Lizzy...
— Tão sério. "Verifique o estoque, Ben." "Calibre o moedor." E tudo em que eu consigo pensar é em como seus músculos trabalharam essa manhã. E como você gemeu quando eu...
— Pare. — ele ordenou, mas seus dedos apertaram minha cintura.
— Por causa desses pensamentos tive que escapar rapidinho. Tenho um... probleminha. E eu pensei que o chefe poderia me ajudar a resolver.
— O que precisa? — ele perguntou, seus olhos fixos na minha boca.
Peguei a mão dele, a tirei da minha cintura e a coloquei na minha coxa. Bem alto. E pressionei a mão dele contra mim.
— Minha calcinha. — sussurrei, com meus olhos fixos nos dele. — Está molhada. E é tudo culpa sua.
A reação foi instantânea. Foi como se eu tivesse ligado um interruptor.
Sua cadeira rangeu quando ele se levantou, me levando com ele. Em um movimento, Alex me puxou pela cintura, me levantou do chão e me jogou na sua mesa de trabalho bagunçada.
Canetas, papéis e planilhas voaram para o chão.
— Quanto tempo nós temos? — ele perguntou enquanto sua boca finalmente encontrava a minha.
— Quinze minutos, chefe.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!