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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 2

ELIZABETH WINTER

Descemos para o sul para o nono casamento. Toscana, Itália.

Depois de tanta aventura, precisávamos de conforto. Alugamos uma vila em uma vinícola. A cerimônia foi simples, ao pôr do sol, entre as parreiras. Apenas nós, o dono da vinícola que oficiou a cerimônia, chorando mais que nós e muitas garrafas de Brunello.

Comemos massa fresca, bebemos vinho, e dançamos descalços na terra morna. Foi o casamento do prazer. Prometemos nunca deixar a vida ficar ocupada demais a ponto de esquecermos de apreciar um bom prato de comida juntos.

O décimo casamento foi no Marrocos.

O deserto do Saara. Chegamos lá de camelo.

Casamos em um acampamento berbere, sob um céu que competia com o dos Andes. A cerimônia foi tribal, com tambores e danças ao redor da fogueira. O vento soprava a areia, remodelando as dunas ao nosso redor. Dormimos em uma tenda de lã, ouvindo o silêncio absoluto do deserto.

O décimo primeiro casamento foi na Austrália.

Uma praia deserta em Whitsundays. Areia branca como talco, mar turquesa. Estávamos descalços e bronzeados. Foi leve. Foi solar. Mergulhamos na Grande Barreira de Corais logo depois de dizer “sim”, nadando entre peixes coloridos e tartarugas. Foi a celebração da nossa amizade, da leveza que tínhamos conquistado depois de meses na estrada.

E então... o décimo segundo casamento. O mais louco de todos.

Antártida.

Sim, nós fomos para o fim do mundo.

Embarcamos em um navio de expedição saindo da Argentina. Atravessamos o Estreito de Drake, onde eu vomitei e Alex segurou meu cabelo, provando seu amor na ‘saúde e na doença’.

A cerimônia aconteceu em uma praia de pedras negras, cercada por geleiras azuis gigantescas.

Eu vestia um vestido branco... por cima de três camadas de roupa térmica e uma parka laranja de expedição. Alex estava igual.

Nossas testemunhas foram uma colônia de pinguins-gentoo que nos olhavam com curiosidade, grasnando durante os votos.

— Eu prometo te aquecer quando o mundo for gelo. — Alex disse, os dentes batendo de frio, o nariz vermelho, mas os olhos brilhando de diversão.

Bebemos champanhe com gelo glacial milenar. Foi extremo. Mas absolutamente inesquecível.

E agora... aqui estávamos nós.

Voltando para Nova York. Para o décimo terceiro casamento. O “Grand Finale”. O legal e oficial, que minha mãe passou um ano planejando.

Suspirei, ajeitando-me na poltrona.

Alex se mexeu ao meu lado e abriu os olhos. Ele piscou, desorientado, antes de focar em mim.

— Oi. — ele disse, a voz rouca de sono. — Já chegamos?

— Quase. — Sorri, pegando a mão dele e entrelaçando meus dedos nos dele, sentindo a textura das fitas nos nossos pulsos. — Estamos sobrevoando o Atlântico.

Ele bocejou e esticou os braços, depois olhou para os braceletes em seu próprio pulso. Ele girou o de algodão da Tailândia, o primeiro de todos, agora gasto e encardido.

— Treze casamentos. — Ele murmurou. — O número da sorte.

— Você está pronto para voltar? — perguntei, sentindo uma pontada de ansiedade.

— O quê?

— Cheguei a conclusão que o melhor lugar do mundo é qualquer lugar onde você esteja. Mas... — Ele sorriu, aquele sorriso torto e charmoso. — ...eu estou morrendo de saudades de um bagel decente e de uma pizza de um dólar.

Ri alto.

— Você é um homem simples, Alexander Hampton.

— Sou casado com a mulher mais complexa do mundo. Preciso compensar.

O avião tocou o solo com um solavanco suave. Os motores reverteram, rugindo alto.

Enquanto táxiávamos para o gate, olhei para Alex uma última vez antes do desembarque começar.

O sinal de apertar os cintos se apagou. As pessoas começaram a se levantar, abrindo os compartimentos de bagagem.

Nós nos levantamos. Pegamos nossas malas, agora arranhadas, gastas e cobertas de adesivos de vários países diferentes. Elas contavam uma história.

— Pronta, Sra. Hampton? — Alex estendeu a mão.

Olhei para ele. Meu marido. Meu companheiro. Meu lar.

— Pronta, Sr. Hampton.

Peguei a mão dele. E juntos, com o mundo nos pulsos e o amor na bagagem, desembarcamos para o nosso décimo terceiro e último “sim”.

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