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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 2

ALEXANDER HAMPTON

A descida de ônibus de Machu Picchu até o vilarejo de Aguas Calientes foi feita em um silêncio respeitoso. Minha mão não largou a de Lizzy nem por um segundo.

Eu me sentia leve. A exaustão da trilha, a dor muscular, a falta de ar... tudo parecia ter ficado lá em cima, queimado pelo sol e levado pelo vento durante a cerimônia. Eu me sentia purificado.

Mas, à medida que o ônibus descia as curvas em ziguezague e a altitude diminuía, uma nova sensação começou a tomar conta: a necessidade visceral de conforto humano básico.

Descemos do ônibus na pequena cidade turística, que era cortada por um rio barulhento e trilhos de trem.

— Alex... — Lizzy me chamou, parando na calçada.

— O que foi, amor? — perguntei, preocupado. — Está passando mal?

— Não. É que... eu acabo de avistar a coisa mais sagrada que vi nos últimos quatro dias.

Segui o olhar dela.

Ela estava olhando para a placa de um hotel boutique do outro lado da rua. A placa dizia: "INKATERRA MACHU PICCHU PUEBLO HOTEL - SPA, ÁGUA QUENTE 24H, LENÇÓIS DE ALGODÃO PIMA"

Soltei uma risada que veio do fundo da alma.

— Água quente. — Repeti as palavras como se fossem eróticas.

— Uma cama que não é o chão. — Lizzy completou, salivando. — Um vaso sanitário que dá descarga.

Trocamos um olhar cúmplice. A espiritualidade era ótima, Pachamama era incrível, mas a civilização tinha seus encantos inegáveis.

— Vamos correr? — sugeri.

— E depois... vamos para o Brasil.

— Brasil?

— Amazônia. — Ela murmurou. — Casar com um pajé.

Ri, balançando a cabeça, puxando o edredom sobre nós.

— Amazônia. Claro. Por que não? Mosquitos do tamanho de helicópteros e onças. Parece perfeito.

— É a aventura... — Ela sussurrou.

— É a aventura. — Concordei, beijando a testa dela.

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