ELIZABETH WINTER
Ajoelhei-me no manto colorido, sentindo a grama úmida e fria sob meus joelhos, mas não me importei. A energia daquele lugar era incrível.
Alex ajoelhou-se ao meu lado.
O Xamã, cujo nome era Amaru (Serpente Sagrada, Raul nos sussurrou), começou a organizar os itens no manto.
Havia flores. Doces. Sementes. Conchas. E, claro, folhas de coca.
— A união de duas almas não é apenas um contrato entre humanos. — Amaru falou, suas mãos movendo-se com graça enquanto ele montava a oferenda, ou Despacho. — É um pacto com a Terra (Pachamama) e com as Montanhas Sagradas (Apus). Vocês devem pedir permissão para caminhar juntos, e devem oferecer sua gratidão.
Ele pegou três folhas de coca perfeitas, unindo-as pelo caule em forma de leque.
— K'intu. — Ele disse, erguendo as folhas para o céu, depois para as montanhas, e depois soprando suavemente sobre elas três vezes. — A união dos três mundos. O mundo de cima, o mundo de agora, e o mundo de dentro.
Ele entregou as três folhas para Alex.
— Segure. Coloque sua intenção nelas. O que você oferece a esta mulher? O que você pede à Terra para ela?
Alex segurou as folhas com as duas mãos, fechando os olhos. O vento agitou seu cabelo. Eu vi sua concentração intensa.
— Eu ofereço minha força. — A voz de Alex saiu rouca. — Eu ofereço minha proteção, meu respeito e minha lealdade. Peço à terra que nos dê chão firme quando o caminho for difícil. E peço às montanhas que nos deem paciência para subir.
Ele soprou nas folhas, como o Xamã tinha feito, infundindo seu fôlego, sua essência, no pedido.
Amaru assentiu, satisfeito, e pegou as folhas de Alex, colocando-as no centro do papel de oferenda.
Então, ele preparou outro K'intu e me entregou.
— E você, filha da água? — Amaru olhou nos meus olhos. — O que você oferece?
Segurei as folhas. Eram leves, secas, verdes.
Fechei os olhos e pensei em tudo o que passamos.
— Eu ofereço minha coragem. — Falei, sentindo as lágrimas quentes escorrerem pelo meu rosto frio. — Eu ofereço minha alegria e meu amor incondicional. Eu peço à Pachamama que nos torne férteis, não apenas de filhos, mas de sonhos. Que nossa união seja como este lugar: eterna, resistente ao tempo e sempre perto do sol.
Virei-me para Alex.
Ele estava chorando também. Uma lágrima solitária corria pelo nariz dele, perdendo-se na barba por fazer. Ele nunca pareceu tão bonito, tão meu. Esse sem dúvida seria nosso casamento mais memorável, acho que se devia ao esforço que fizemos para chegar aqui.
Amaru pegou o pacote da oferenda, agora dobrado cuidadosamente como um presente quadrado, e o ergueu para o sol. Ele o passou sobre nossas cabeças, sobre nossos corações, limpando nossa aura.
— Agora, a oferenda deve ser entregue ao fogo ou à terra. — Ele explicou. — Hoje, nós a entregaremos à terra, para que ela crie raízes aqui.
Ele cavou um pequeno buraco na terra preta e fértil ao lado de uma rocha antiga. Colocou o pacote dentro.
— Cubram juntos.
Com nossas mãos livres, pegamos punhados de terra andina. Cobrimos o pacote, selando nosso pacto, deixando uma parte de nós ali, enterrada em Machu Picchu para sempre.
Amaru colocou uma pedra sobre o local e soprou fumaça de coca sobre nós uma última vez.
— Tupananchiskama (Até nos encontrarmos de novo). — Ele sorriu, desamarrando nossas mãos, mas deixando a fita conosco. — Vocês estão unidos. O espírito dos Andes caminha com vocês agora. Vão em paz.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!