ALEXANDER HAMPTON
Quatro da manhã. Escuridão absoluta. Frio que cortava através de três camadas de roupa térmica.
— Vamos, Alex! — A voz de Lizzy chamou na escuridão, a luz da lanterna de cabeça dela dançando na neblina. — O portão abre em dez minutos. Temos que ser os primeiros. Queremos o nascer do sol, lembra?
— Eu lembro. — Ajustei a mochila, sentindo o peso familiar nos ombros doloridos. — Estou logo atrás de você, general.
O portão de Wiñay Wayna se abriu. Foi como o tiro de largada de uma maratona.
Todos queriam chegar ao Inti Punku, a Porta do Sol, antes que os raios atingissem a cidadela sagrada. O caminho era estreito, beirando precipícios que, graças a Deus, a escuridão escondia. A lanterna de Lizzy era meu farol. Eu focava apenas nas botas dela, um passo após o outro, ignorando o ardor nos meus pulmões e a altitude que tentava esmagar meu peito.
— Casi lá! — Nosso guia, Raul, gritou, passando por nós com uma agilidade sobrenatural. — Monkey Steps! — "Degraus de macaco". O nome era fofo. A realidade era brutal.
Chegamos à parede de pedra. Não era uma escada, era uma escalada vertical de pedras irregulares e escorregadias. Vi Lizzy guardar os bastões e usar as mãos, subindo de quatro, puxando o corpo para cima com uma determinação feroz.
Fiz o mesmo. Agarrando a pedra fria e úmida, impulsionei meu corpo. Meus quadríceps queimavam. O suor escorria pelas minhas costas, congelando instantaneamente.
— Só... mais... um... pouco... — arfei, puxando-me para o último degrau.
E então, o terreno nivelou.
O céu estava mudando. O preto tinta estava dando lugar a um azul marinho profundo, depois a um violeta.
— Ali! — Lizzy apontou para uma estrutura de pedra à frente. Um arco simples, antigo, emoldurando o céu.
Inti Punku. A Porta do Sol.
Corremos os últimos metros. O coração batia tão forte que parecia que ia sair pela boca.
Passamos pelo arco de pedra.
E o mundo parou.
Lá embaixo, emergindo da neblina matinal como uma ilha flutuante no céu, estava Machu Picchu.
Ainda estava na penumbra, um labirinto de muros de pedra cinza, terraços verdes e picos agudos. Parecia dormir.
Seguimos por um caminho lateral, afastado das multidões, em direção a um terraço isolado, suspenso sobre o vale, com a vista lateral da montanha sagrada.
Havia alguém nos esperando.
Um homem baixo, vestindo um poncho tecido com cores vibrantes de vermelhos, laranjas e marrons que imitavam a terra. Ele usava um gorro tradicional com miçangas. Estava de pé, de frente para a montanha, segurando um maço de folhas de coca e um cálice cerimonial.
O Xamã.
Raul fez uma reverência respeitosa e nos apresentou em Quechua.
O Xamã virou-se. Seus olhos eram escuros, profundos e sem idade. Ele não sorriu, mas sua expressão era de uma serenidade acolhedora.
— Rimaykullayki (Bem-vindos). — Ele disse, a voz soando como pedras rolando no leito de um rio. — Vocês vieram de longe. Não apenas com os pés, mas com os corações.
Raul traduziu rapidamente.
— Aproximem-se. — O Xamã indicou um manto tecido estendido na grama. — Pachamama estava esperando por vocês.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!