ALEXANDER HAMPTON
O quarto estava mergulhado na luz dourada do Golden Hour. Lizzy estava na varanda, organizando as novas malas, cantarolando algo que parecia Edith Piaf, mas muito desafinado.
Sentei no sofá e peguei meu celular. Era hora de dar sinal de vida.
— Amor, vem cá. — Chamei. — Vamos ligar para as meninas. Se demorarmos mais um dia, vão mandar a Interpol atrás da gente.
Lizzy largou as malas e correu para o sofá, se aninhando ao meu lado.
Iniciei a chamada de vídeo.
No primeiro toque, o rosto de Stella apareceu na tela, preenchendo o quadro. Ela estava com uma máscara facial verde e o cabelo enrolado numa toalha.
— ALEXANDER HAMPTON! — Ela gritou, e o áudio estourou. — Vocês estão vivos!
— Oi, Stella. — Sorri, acenando. — Estamos vivos e inteiros.
Ao fundo, ouvi a voz de Leah.
— SAI DA FRENTE, EU QUERO VER!
O rosto de Leah apareceu, empurrando Stella.
— Onde vocês estão? Isso atrás de vocês é papel de parede chique?
Lizzy riu, apoiando o queixo no meu ombro para aparecer na câmera.
— Estamos em Paris, Leah. No Plaza Athénée. E não fomos mortos, embora Alex tenha quase causado um incidente diplomático no Vietnã.
— Vietnã? — Stella empurrou Leah de volta e tomou o controle. — Que história é essa? Vocês estão bem? Alex, esse curativo no ombro... o que aconteceu?
Instintivamente, levei a mão ao ombro, esquecendo que a gola da camisa estava um pouco aberta. O olhar de águia da Stella não perdia nada.
— Foi um... acidente de parkour. — Lizzy interveio rapidamente, com a mentira mais esfarrapada do século. — Alex tentou pular um muro para pegar uma flor pra mim e escorregou. Muito romântico, mas desastrado.
Stella semicerrou os olhos, desconfiada, mas decidiu não pressionar.
— E como está Paris?
— Linda. — Respondi, olhando para Lizzy. — Estamos comendo queijos, bebendo vinho e dormindo em camas macias.
— Graças a Deus. — Stella relaxou. — E quando vocês voltam? Ou qual é o próximo destino? As crianças perguntam de vocês todo dia.
— Temos globos de neve para eles.
— Na verdade... — Lizzy começou — Vamos ficar em Paris por um mês.
— Um mês? — Stella repetiu. — Parados?
— Sim. — Expliquei. — Precisamos descansar. Alugamos um apartamento pequeno em Le Marais. Vamos viver como locais por trinta dias.
Vi o alívio genuíno no rosto de Stella.
— Isso parece sensato. Muito sensato. Estou orgulhosa. Descansem.
— É, é... muito adulto e chato. — Leah revirou os olhos. — Mas e depois? Depois desse mês de "comer croissant e engordar"? Para onde vocês vão? Não me digam que vão voltar pra casa.
Lizzy olhou para mim. Um sorriso cúmplice passou entre nós. O tédio romântico tinha data de validade.
— Depois... — Lizzy se inclinou para a câmera, baixando a voz como se fosse um segredo.
— América do Sul. — Falei. — Peru.
— O quê?
— Compramos as malas. Falamos com a família. O sol já se pôs. — Ela apontou para a janela, onde a Torre Eiffel acabara de acender suas luzes douradas, piscando no show de hora em hora.
— E?
— E eu estou entediada. — Ela sorriu, maliciosa.
Entendi o recado. Larguei o celular na mesa de centro.
— Ah, é? E o que a senhora sugere para curar esse tédio?
Lizzy se inclinou, empurrando-me suavemente até que minhas costas encontrassem o braço do sofá. Ela veio por cima, engatinhando como uma gata, o roupão deslizando dos ombros.
— Eu sugiro... — Ela beijou meu queixo, depois minha boca. — ...que a gente inaugure esse sofá. E depois a cama. E talvez a varanda, se estiver escuro o bastante.
Segurei a cintura dela, sentindo a pele macia e quente.
— Você é insaciável. — rosnei.
— Culpa sua. — Ela mordeu meu lábio. — Você me viciou. Agora aguente.
— Com prazer.
Rolei com ela no sofá, ouvindo a risada dela se transformar em um gemido quando minhas mãos encontraram o caminho que já conheciam de cor.
— Je t'aime, Alexander. — Ela sussurrou no meu ouvido.
— Je t'aime, Elizabeth. — Respondi, antes de beijá-la e fazer o resto do mundo desaparecer.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!