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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 2

ELIZABETH WINTER

O Velho Pao, o monge, fez um gesto para nos aproximarmos de uma pequena mesa de altar montada diante do santuário de Confúcio.

A cerimônia foi diferente da tailandesa. Menos mística, mais focada na ancestralidade e na harmonia.

Acendemos incensos grandes, a fumaça perfumada subindo em espirais para o céu que escurecia. Fizemos reverências aos céus, à terra e, simbolicamente, aos nossos ancestrais. Embora os meus estivessem vivos em Manhattan e provavelmente tomando martinis agora.

Então, veio a cerimônia do chá.

O Velho Pao serviu chá em xícaras minúsculas de porcelana.

— O chá é amargo no começo, mas deixa um sabor doce na garganta. — O monge disse, sua voz rouca traduzida pelo Professor Minh. — Assim é o casamento. As dificuldades vêm, mas se houver paciência e respeito, o doce permanece.

Alex pegou a xícara com as duas mãos e a ofereceu a mim.

— Para a minha esposa. — Ele disse, olhando nos meus olhos. — Prometo ser sempre a doçura depois do amargo. Eu te amo, Elizabeth.

Meus olhos se encheram de lágrimas. Peguei a xícara e bebi o líquido quente e terroso.

Servi uma xícara para ele.

— Para o meu marido. Prometo ser sempre a doçura depois do amargo. Eu te amo, Alexander.

Ele bebeu o chá, sem desviar o olhar do meu.

O monge sorriu e amarrou uma fita de seda vermelha nos nossos pulsos, unindo a minha mão direita à esquerda de Alex.

— Trăm năm hạnh phúc (Cem anos de felicidade). — O monge abençoou.

O Ministro Tran e o Professor Minh aplaudiram. No silêncio do templo antigo, cercados por séculos de história, nós nos beijamos.

Quando nos separamos, notei que o céu já estava escuro e as estrelas começavam a aparecer.

— Bom. — O Ministro Tran verificou seu relógio de pulso. — Agora que estão devidamente casados perante as tradições de Hanói... temo que o dever chame. E o voo de vocês também.

A realidade voltou, mas de uma forma gentil. Tínhamos um avião para pegar.

Fomos levados para uma sala lateral do templo para nos trocarmos. Tirar o Áo Dài foi agridoce. A seda deslizou para fora do meu corpo, e eu voltei a ser a Elizabeth viajante, vestindo jeans confortáveis, uma camiseta branca e um cardigã leve. Alex trocou sua túnica azul por calça cargo e uma camisa polo preta.

Dobrei o traje vermelho com cuidado.

— Vocês podem ficar com eles. — O Professor Minh apareceu na porta, vendo meu cuidado. — É um presente. Para que se lembrem do Vietnã pela beleza desta noite.

— Professor... Obrigada. Nós vamos guardar isso como um tesouro. — Acho que teremos que prosseguir as viagens com malas, é impossível não levar uma lembrança de casa país.

Chegamos ao aeroporto e, como prometido, fomos tratados como realeza diplomática. Passamos por uma entrada lateral, nossos passaportes foram carimbados em tempo recorde e fomos levados diretamente para a sala VIP da companhia aérea.

Quando finalmente embarcamos no avião, sentei na poltrona larga e macia e senti meu corpo relaxar completamente.

A aeromoça nos ofereceu champanhe antes mesmo da decolagem.

— Para celebrar? — Ela perguntou com um sorriso profissional.

Alex olhou para mim e ergueu a taça.

— À mulher mais incrível, louca e linda que é minha esposa.

— Ao homem mais incrível, sensato e gostoso que é meu marido. — Toquei minha taça na dele.

Bebemos. O champanhe estava gelado e borbulhante.

O avião começou a taxiar. Olhei pela janela, vendo as luzes de Hanói ficarem para trás. Quando o avião decolou, pressionando-nos contra os assentos, Alex entrelaçou seus dedos nos meus.

— Próxima parada: França. — Ele sussurrou.

Concordei, torcendo para que a única coisa que roubasse meu fôlego lá fosse a vista da torre e os beijos do meu marido.

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