ELIZABETH WINTER
O sol da tarde em Hanói derramava um ouro líquido sobre a superfície do Lago Oeste, mas dentro do quarto da casa de hóspedes, a luz era suave e filtrada.
Eu estava sentada diante de um espelho de moldura escura, entregue às mãos habilidosas de duas mulheres vietnamitas que o Ministro Tran tinha enviado. Mai e Linh. Elas não falavam muito inglês, mas a linguagem da beleza era universal.
— Đẹp lắm (Muito bonito) — Mai sussurrou, alisando uma mecha do meu cabelo.
— Ela disse que seu cabelo está muito bonito. — Linh traduziu.
Agradeci e olhei para o meu reflexo, por um momento, não reconheci a mulher que me encarava de volta. Eu estava vestindo um Áo Dài tradicional de casamento.
O tecido era uma seda vermelha tão vibrante que parecia pulsar com vida própria. Vermelho, a cor da sorte, da prosperidade e do fogo no Oriente. A túnica longa, ajustada perfeitamente ao meu tronco, descia até os meus tornozelos, dividida nas laterais a partir da cintura, revelando calças de seda branca por baixo que fluíam como água quando eu me movia.
Mas o que tirava meu fôlego eram os detalhes. Bordada sobre o peito e descendo pela frente da túnica, havia uma fênix dourada, o símbolo da feminilidade, da graça e da virtude. Os fios de ouro capturavam a luz do fim da tarde, fazendo o pássaro mitológico parecer que estava prestes a levantar voo do meu corpo.
— Agora, o Khăn Đóng — Linh disse, pegando o adorno de cabeça.
Era um turbante circular, feito do mesmo tecido vermelho e dourado. Ela o colocou sobre minha cabeça com cuidado, ajustando-o para que enquadrasse meu rosto. Meu cabelo estava preso em um coque baixo e complexo, escondido sob o turbante, deixando meu pescoço e meu rosto completamente em evidência.
A maquiagem era diferente do estilo natural que usei na Tailândia. Aqui, os lábios eram vermelhos, combinando com o vestido, e os olhos estavam delineados, dando-me seriedade e mistério.
Levantei da cadeira.
— Obrigada. — Disse às duas, levando a mão ao peito. — É... magnífico.
Mai sorriu, juntando as mãos.
— Felicidade. — Ela desejou, falando lentamente.
Caminhei até a porta da varanda. O jardim lá embaixo estava tranquilo. Pensei em minha mãe, em Nova York, planejando o "casamento do século" com suas peônias importadas e orquestras. Ela teria um ataque se me visse agora, vestida como uma noiva vietnamita.
E, no entanto, nunca poderia me sentir tão "noiva" em toda a minha vida. Não havia o estresse da lista de convidados, não havia a preocupação com o fotógrafo da Vogue, não havia a confusão familiar. Havia apenas eu, o homem que eu amava e o mundo testemunhando nossa união.
Batidas na porta anunciaram que era hora.
— Sra. Hampton? O carro está pronto.
— Estou indo.
O trajeto até o Templo da Literatura foi feito em silêncio. Vi Hanói passar pela janela. A cidade agora parecia me abraçar.
O carro parou diante dos portões do Văn Miếu.
Normalmente, estaria lotado de turistas e estudantes rezando por boas notas. Mas hoje, graças à influência do Sr. Tran, os portões estavam fechados para o público. Guardas em uniformes verdes estavam postados na entrada, garantindo nossa privacidade.
Ele vestia o Áo Dài masculino tradicional. Ao contrário do meu vermelho vibrante, o dele era de um azul marinho profundo, a cor do oceano à noite ou da tinta de caneta tinteiro em documentos antigos. O tecido também era de seda, mas com um padrão sutil de círculos entrelaçados no próprio material em um tom mais claro de azul.
A túnica caía reta e elegante sobre o corpo dele, disfarçando o curativo no ombro, mas realçando a largura das costas e a altura dele. Ele usava calças brancas por baixo e sapatos pretos simples. Na cabeça, ele também usava um Khăn Đóng, azul combinando com a túnica, que deixava seu rosto em destaque.
Nossos olhos se encontraram através do pátio de pedra.
Vi a reação dele. Vi a maneira como ele parou de respirar por um segundo e a maneira como seus olhos percorreram meu corpo de cima a baixo.
O Professor Minh me conduziu até ele.
Quando cheguei perto o suficiente, Alex estendeu a mão.
— Vermelho é definitivamente a sua cor, Sra. Hampton. — Ele sussurrou.
— E azul é a sua. — Respondi, apertando a mão dele. — Você parece... real.
— Eu me sinto o cara mais sortudo do Vietnã. — Ele piscou, mas seus olhos estavam úmidos.
O Ministro Tran pigarreou suavemente, sorrindo.
— Uma combinação poderosa. O Fogo e o Oceano. — Ele comentou. — Podemos começar?

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