ALEXANDER HAMPTON
Dizem que o amor cega. Eu discordo completamente. O amor não te deixa cego, mas ele te deixa estúpido.
Essa foi a única conclusão lógica a que cheguei enquanto estava parado na beira de uma plataforma de metal, a cinquenta metros de altura, com um elástico grosso amarrado nos meus tornozelos e o vento quente da Tailândia batendo no meu rosto.
Lá embaixo, um lago artificial verde-esmeralda parecia uma poça d'água vista de um microscópio.
— Você está pronto, Sr. Hampton? — O instrutor gritou em inglês, com um entusiasmo que eu considerei pessoalmente ofensivo dadas as circunstâncias.
Olhei para o lado. Lizzy já tinha saltado. Eu a vi cair gritando e rindo, um borrão de cabelos escuros e felicidade maníaca, e agora ela estava lá embaixo, em um barco de resgate, acenando para mim como uma formiguinha animada.
"Pule, amor! É incrível!" — Eu podia quase ouvir a voz dela, mesmo com a distância.
Respirei fundo.
Doze horas atrás, eu estava jurando amor eterno e prometendo o mundo a ela. Eu estava tão embriagado de felicidade, tão dopado pela oxitocina de ter Elizabeth Winter como minha esposa, que quando ela sugeriu Bungee Jumping no café da manhã, eu apenas sorri, tomei meu suco de laranja e disse: "Claro, querida. Por que não?".
Por que não?!
Porque eu sou um homem que gosta de chão firme. Eu gosto de café plantado na terra. Eu gosto de alicerces de concreto. Eu gosto da gravidade funcionando como uma constante, não como uma sugestão opcional.
Mas lá estava eu. O recém-casado mais feliz e mais idiota do sudeste asiático. Por isso, afirmo que o amor nos deixa estúpido, mesmo enxergando o que estava na frente simplesmente segui.
— 3... 2... 1... BUNGEE! — O instrutor gritou.
Não pensei. Se eu pensasse, eu desistiria. E eu não podia desistir na frente dela.
Fechei os olhos e me inclinei para frente.
A sensação foi imediata e terrível. O chão sumiu. O estômago subiu para a garganta e ficou lá, alojado, recusando-se a descer. O vento rugiu nos meus ouvidos. Não era como voar. Voar implica controle e graça. Aquilo era simplesmente cair. Era a definição física de "dar merda".
O ar chicoteou meu rosto. Meu cérebro gritou todos os palavrões que eu conhecia em três idiomas diferentes. Eu estava caindo para a morte, e a única coisa que me segurava era um elástico gigante que, na minha cabeça, provavelmente foi comprado em uma liquidação.
E então, o tranco.
O elástico esticou no limite, e meu corpo foi puxado violentamente para cima, como um ioiô humano. O mundo girou. Céu, água, céu, água. Meu café da manhã ameaçou fazer uma reaparição.
Balancei ali, pendurado pelos pés, o sangue correndo para a cabeça, sentindo-me um frango prestes a ser abatido.
— Nunca mais. — Rosnei para o nada, enquanto balançava suavemente sobre o lago. — Nunca, nunca mais.
Lizzy soltou uma gargalhada alta, jogando a cabeça para trás.
— Tudo bem, Sr. Chão Firme. — Ela ficou na ponta dos pés e me deu um selinho demorado. — Valeu a experiência, não valeu? Pelo menos agora você sabe.
— Valeu a experiência de ver você feliz. — admiti, derrotado. — Só isso.
Enquanto caminhávamos de volta para a entrada do parque, de mãos dadas, observei o perfil dela. Ela olhava para a plataforma alta com uma nostalgia carinhosa, como se quisesse subir lá e fazer de novo.
Balancei a cabeça, sorrindo internamente.
Lizzy devia ter um caso com a morte. Não havia outra explicação. Ela flertava com o perigo, piscava para o abismo e pulava de lugares altos só para dar uma olhadinha na cara do 'amante morte', rir e voltar para os meus braços. E eu, o pobre mortal apaixonado, só poderia ficar lá embaixo, garantindo que ela sempre tivesse onde aterrissar.
— O que vem agora? — perguntei, rezando para que não envolvesse tubarões. Coisas no ar foram descartadas, mas água ainda era uma opção.
— Almoço. — Ela disse. — E depois... massagem.
— Massagem eu aceito. — Suspirei aliviado. — Massagem é ótima.
— E amanhã... Vietnã!

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!