ALEXANDER HAMPTON
Lizzy não estava apenas vestida. Ela estava adornada como uma divindade que desceu à terra apenas para me lembrar de quão mortal e sortudo eu era.
Lizzy usava um traje tradicional tailandês, um 'Chut Thai' que parecia ter sido tecido com fios de luz solar e realeza. O tecido era de uma seda dourada e texturizada, envolvendo o corpo dela com uma elegância que nenhum vestido de alta costura de Nova York jamais conseguiria replicar. A parte superior era um 'sabai', um xale de seda plissada em um tom creme que cruzava o peito dela, deixando um ombro nu e caindo pelas costas como uma cascata. A saia, ou 'pha nung', era de um brocado dourado com padrões em carmesim na bainha, ajustada na cintura e fluindo até os pés descalços.
Mas não era apenas a roupa. Era ela.
O cabelo escuro estava preso em um coque alto e elaborado, adornado com grampos de ouro e flores de jasmim. Ela usava um cinto dourado grosso na cintura e braceletes que tilintavam suavemente. A maquiagem era leve, destacando os olhos que brilhavam com emoção e os lábios pintados de um rosa suave.
Senti minha garganta fechar. Ela parecia uma rainha de uma dinastia antiga.
Senti novamente aquele amor avassalador, de tirar o fôlego, que faz seus joelhos fraquejarem e você questionar se é digno de tal visão.
Ela caminhou até mim, o tecido farfalhando suavemente contra o chão. Quando ela parou na minha frente, estendi a mão, quase com medo de tocá-la e descobrir que ela era uma miragem.
— Você... — Minha voz falhou, rouca de emoção. Tentei limpar a garganta. — Elizabeth, eu não tenho palavras. Nenhuma língua humana inventou palavras suficientes para descrever como você está agora. "Linda" é um insulto e "Deslumbrante" é pouco.
Lizzy sorriu, e aquele sorriso quebrou a aura intocável, trazendo de volta a minha Lizzy.
— Você também não está nada mal, Sr. Hampton. — Ela tocou a faixa dourada na minha cintura e seus olhos percorreram meu rosto. — O estilo tailandês combina com você. Parece um príncipe. O meu príncipe.
— Seu súdito, você quer dizer. — Peguei a mão dela e levei aos lábios, beijando os dedos adornados com anéis dourados.
O monge fez um gesto, indicando que deveríamos nos aproximar da plataforma baixa onde ele estava sentado. Havia duas almofadas triangulares no chão para nos ajoelharmos.
Segurei a mão dela com mais firmeza e fizemos menção de dar o primeiro passo em direção ao altar improvisado.
Mas Lizzy travou.
Ela não deu o passo. Em vez disso, ela apertou minha mão com força, parando-me no lugar.
Olhei para ela, confuso. O sorriso dela tinha vacilado, substituído por uma expressão de ansiedade repentina. Ela mordia o lábio inferior, um tique nervoso que eu conhecia bem.
— Lizzy? — sussurrei. — O que foi? Você quer desistir?
Ela balançou a cabeça rapidamente, os olhos fixos nos meus, grandes e urgentes.
— Não. Não é isso. — Ela respirou fundo, como se estivesse prestes a mergulhar em águas profundas. — Alex, espere. Precisamos de um minuto.
— Um minuto? — Olhei para o monge, que esperava pacientemente com aquele sorriso sereno de quem tem toda a eternidade. — O homem santo ali está esperando, amor.
— Eu sei, mas... — Ela soltou minha mão e segurou meus braços, subindo as mãos até meus ombros. — Tem uma coisa que eu preciso contar. Antes de casarmos.
A seriedade na voz dela me fez querer aliviar o clima.
— O que é? — perguntei, focando totalmente nela. — Você matou alguém? Você na verdade é uma espiã russa como o Damian sugeriu?
— Não brinque, Alex. É sobre nós. Sobre o começo.
Olhei para o topo da cabeça dela, para as flores de jasmim entrelaçadas nos cabelos escuros. Lembrei-me de todas as vezes que ela apareceu no café "por acaso". De todas as provocações. De como ela insistiu em entrar na minha vida.
E então, olhei para onde estávamos agora. Na Tailândia. Prestes a nos casar pela primeira de muitas vezes.
Uma risada borbulhou no meu peito. Começou baixa, um som grave, e depois subiu, transformando-se em uma gargalhada genuína e alta.
Lizzy levantou a cabeça com os olhos arregalados de choque.
— Você... você está rindo? — ela perguntou, incrédula.
Parei de rir aos poucos, mas o sorriso permaneceu no meu rosto. Soltei a cintura dela e levantei a mão, apertando a bochecha dela com força, balançando o rosto dela de um lado para o outro.
— Que menina má. — zombei, com carinho. — Você é uma menina muito má, Elizabeth Winter.
— Alex! — Ela tentou afastar minha mão, mas eu vi o alívio inundar o rosto dela. — Isso é sério! Eu ia te destruir!
— Nossa... eu imagino. — Soltei a bochecha dela e acariciei o local, que ficou levemente rosado. — E falhou miseravelmente, não foi?
Ela piscou.
— Falhei?
— Lizzy, olhe para nós. Você não acha que levou essa vingança longe demais, querida? Se isso é a sua ideia de vingança... — Ri novamente.— ...então, por favor, continue se vingando de mim pelo resto da vida.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!