ALEXANDER HAMPTON
— Camisa. Fora. — ela ordenou.
Não precisei que me dissessem duas vezes. Desabotoei a camisa que eu usava e a joguei na poltrona. Me sentei na borda da cama, de costas para ela, esperando.
Senti o colchão afundar quando ela subiu na cama, ficando de joelhos atrás de mim. Ouvi o som do óleo sendo despejado nas mãos dela, seguido pelo som suave dela esfregando as palmas para aquecê-lo.
— Relaxe, Alex. — ela sussurrou.
As mãos dela tocaram meus ombros. O toque era firme, quente e oleoso. Ela começou pelo trapézio, onde eu guardava toda a tensão das últimas semanas. Seus polegares cavaram os nós dos meus músculos com uma precisão que me fez soltar um gemido longo e baixo.
— Isso... — murmurei, com a cabeça pendendo para frente.
— Você está tenso demais, amor. — Ela comentou, subindo as mãos para o meu pescoço, massageando a base do crânio. — Precisa esquecer qualquer preocupada. Estamos aqui agora.
— Estou tentando. — fechei os olhos, focando apenas na sensação das mãos dela deslizando pela minha pele.
Ela trabalhou nos meus ombros por longos minutos, descendo para as omoplatas, usando o peso do corpo para aplicar pressão. Era divino. Era exatamente o que eu precisava.
— Amor? — ela chamou, a voz suave, enquanto suas mãos deslizavam para os meus braços.
— Hum? — Eu estava quase cochilando, em um estado de transe induzido por Lizzy.
— Agendei nossa cerimônia. — ela disse casualmente, como se estivesse comentando sobre a massagem. — É amanhã de manhã.
Meus olhos se abriram. O sono evaporou.
Virei a cabeça levemente para trás para tentar olhá-la.
— Amanhã?
— Sim. — Ela sorriu, continuando a massagem, agora descendo pelas minhas costas. — Um templo pequeno, perto do rio. Monges. Bênção. Tudo o que combinamos.
O peso da informação assentou sobre mim.
— Então... — Voltei a olhar para frente, sentindo o coração acelerar, mas de um jeito bom. Um jeito certo. — Amanhã você será minha esposa.
— Sim. — Senti os lábios dela roçarem no meu ombro nu. — Amanhã eu serei sua esposa. Simbolicamente, espiritualmente... em todos os jeitos que importam.
Um arrepio percorreu minha espinha, e não foi por causa do ar condicionado.
As mãos de Lizzy deslizaram do meu peito para o meu abdômen, espalhando o óleo quente. Ela se inclinou para frente, o corpo dela pressionando contra as minhas costas. Senti os seios dela contra minha pele nua, separados apenas pelo tecido fino do vestido dela.
— A massagem... — perguntei, minha voz falhando um pouco quando os dedos dela traçaram a linha dos meus músculos abdominais. — Os lábios estavam incluídos no pacote?
Lizzy riu baixinho contra o meu pescoço. Ela mordiscou o lóbulo da minha orelha, puxando levemente com os dentes, enviando choques elétricos direto pelo meu sistema nervoso.
— Tudo está incluído, Sr. Hampton. — ela sussurrou. — Eu disse "sem restrições".
A mão dela, escorregadia de óleo, desceu mais. Passou pelo meu umbigo, pela linha da cintura da minha calça, e parou sobre o volume que já se formava ali, inegável e doloroso.
Arfei, jogando a cabeça para trás e apoiando-a no ombro dela.
Eu estava nervoso.
Mais nervoso do que no dia em que abri o café.
Ajeitei a gola da minha camisa. Não era um terno ocidental. Lizzy tinha insistido, e eu concordei, em seguir a tradição. Eu vestia uma calça de seda creme e uma camisa branca de gola alta, estilo Suea Phraratchathan, com uma faixa de tecido dourado amarrada na cintura. Parecia estranho no começo, mas ao olhar ao redor, para a grandiosidade simples do templo, fazia todo o sentido. Eu me sentia respeitoso.
Um monge idoso, envolto em vestes açafrão, estava sentado em uma plataforma elevada à minha frente, preparando os itens para a cerimônia: velas, incenso, tigelas de água benta e fios de algodão branco. Ele sorriu para mim, um sorriso desdentado e cheio de sabedoria, e fez um gesto para que eu respirasse.
Respirei. Como esperado o ar cheirava a jasmim e incenso.
Olhei para o relógio no meu pulso. Ah, eu tinha deixado a droga do relógio no hotel.
Mas sei que ela estava atrasada. É claro que estava. Noivas sempre atrasam, seja em Nova York ou na Tailândia.
Ouvi o som suave de um instrumento tradicional, algo como um xilofone de bambu, começando a tocar.
Meu coração disparou. Virei-me para a entrada do pavilhão, onde a luz do sol criava uma aura brilhante.
E então, ela apareceu.
Tudo ao meu redor parou. O som do rio, o canto dos pássaros, o xilofone... tudo desapareceu.
Elizabeth Winter estava parada na entrada, banhada pela luz dourada.
Ela levantou os olhos e encontrou os meus. Naquele momento me apaixonei por ela outra vez.

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