ELIZABETH WINTER
A manhã da partida amanheceu com um céu cinzento em Nova York, mas para mim, parecia que o sol estava brilhando à meia-noite. Meu corpo era feito de euforia pura.
Nossas malas estavam prontas. Alex tinha sido metódico com a dele: rolinhos de roupas, organizadores, kit de primeiros socorros. A minha... bem, eu tive que sentar em cima dela para fechar o zíper, e tive que sacrificar três pares de sapatos de salto alto em prol de tênis de caminhada.
Leah estava no volante do carro de Alex, que ficaria sob a guarda dela durante nossa ausência e buzinou lá fora, impaciente.
— Vamos, casal! O avião não espera por ninguém, nem por super ricos!
Minha mãe, segurava um lenço, já preparada para o drama.
— Um ano... — Ela suspirou, alisando a lapela do casaco de Alex como se ele fosse um soldado indo para a guerra. — É muito tempo. Mas vou garantir que o casamento de vocês seja o evento da década. Já contratei um florista que trabalha exclusivamente com peônias importadas da Holanda.
Alex sorriu, beijando a mão dela com aquele charme que conquistaria até a Rainha de Gelo.
— Confiamos em você, Elaine.
— E em mim. — Meu pai acrescentou, apertando a mão de Alex e me dando um beijo na testa. — Nada de pular de penhascos ou nadar com tubarões sem gaiola.
— Pode deixar, William. — Alex prometeu.
Voltamos para o carro. A próxima parada foi a casa de Damian e Stella.
Se despedir dos meus pais foi dramático. Se despedir das crianças foi de partir o coração.
Assim que entramos, fomos atacados por três mísseis guiados por calor. Apollo, Orion e Danian se jogaram nas pernas de Alex, quase derrubando-o.
— Tio Alex! Você vai ver elefantes? — Danian perguntou, os olhos arregalados.
— Você vai trazer uma espada de samurai pra mim, papai? — Orion quis saber.
— Não vai, papai! — Apollo exigiu.
Alex agachou-se, ficando na altura deles, e a cena fez meu útero dar um salto mortal, implorando para ser o portador de outros filhos para ele.
— Vou ver elefantes, vou procurar uma espada de ninja — ele corrigiu Orion, piscando — e não posso ficar, Apollo. Mas vou trazer os melhores presentes que você já viu. Prometo.
Ele abraçou os três ao mesmo tempo, um emaranhado de braços e risadas.
— Comportem-se. Cuidem da mãe de vocês. E nada de dar trabalho para o pai, ele já está ficando careca de estresse.
Damian, que estava encostado no batente da porta com Stella, bufou.
O choque térmico foi a primeira coisa que notamos ao sair do aeroporto. O ar era denso, úmido e quente, carregado com cheiros de especiarias, escapamento e flores tropicais.
Pegamos um táxi para o hotel. Era um hotel boutique charmoso perto do rio Chao Phraya. Assim que o mensageiro deixou as malas e fechou a porta, a realidade me atingiu.
Estávamos do outro lado do mundo. Só nós dois.
Olhei para a cama king size com lençóis brancos imaculados. Olhei para Alex, que estava alongando as costas perto da varanda.
— CHEGAMOS! — Gritei, correndo e me jogando na cama de braços abertos, quicando no colchão macio. — Eu não acredito que estamos aqui! Alex, estamos na Tailândia!
Alex riu, largando a mochila de mão no chão e caminhou até a cama.
— Estamos, amor. — Ele subiu na cama, engatinhando até ficar sobre mim, apoiando o peso nos cotovelos para não me esmagar, segurou meu rosto e me beijou. — Eu também não acredito no que estamos fazendo. — ele murmurou contra minha boca.
Rolei para o lado, agarrando-me a ele como um macaquinho, prendendo minhas pernas na cintura dele e escondendo o rosto em seu pescoço.
— Vamos tirar uma soneca. — decretei, sentindo o jet lag bater forte agora que a adrenalina tinha baixado um pouco. — Uma soneca rápida de uma hora. E depois vamos olhar a cidade. Quero ver tudo. Quero cheirar tudo. Quero comer tudo.
— Uma hora. — Alex concordou, passando a mão pelas minhas costas, um gesto que já era meu calmante natural.
— E depois, Bangkok é nossa.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!