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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 2

ALEXANDER HAMPTON

— Você vai viajar o mundo? E parte daqui a cinco dias? — ela sussurrou, a voz sumindo. — Isso tudo é uma piada, não é?

Balancei a cabeça lentamente, mantendo o contato visual.

— Não é uma piada, Stella. Tudo o que estou dizendo é muito sério. E você sabe... você me conhece. Sabe que eu não sou alguém que brinca com coisas assim.

Stella soltou uma risada incrédula, passando as mãos pelo cabelo. Ela começou a andar de um lado para o outro na varanda, o vestido farfalhando.

— Justamente! — Ela parou e apontou para mim. — Justamente por te conhecer, Alex, é que eu não estou entendendo nada! Nada do que eu soube agora faz sentido! O Alex que eu conheço é responsável e metódico. Ele não esconde noivados! Ele não larga a empresa que construiu do zero para virar nômade! Ele não... ele não abandona as pessoas!

— Eu não estou te abandonando, Stella.

— Parece que está! — Ela gritou, e Leah se encolheu no canto.

— Eu entendo a sua mágoa. — falei, tentando manter a calma. — De verdade. Eu já me desculpei por esconder. Eu devia ter confiado que você entenderia, ou pelo menos tentaria. Mas se você não pode entender o meu lado também... se não pode ver que eu estou fazendo isso porque eu preciso, porque eu estou feliz... então o que nos resta é deixar as coisas como estão.

Stella cruzou os braços, protegendo-se. Ela olhou para a porta de vidro, focando onde Lizzy estava rindo com os pais.

— Isso foi ideia dela, não foi? — Stella perguntou de repente. — Da Lizzy. Essa viagem. Manter em segredo. Essa loucura de largar tudo. Isso tem a cara da Elizabeth Winter, não a sua.

Senti uma pontada de irritação crescer.

— Não. — As ideias foram dela, mas a decisão foi minha, manter nosso relacionamento privado ou mergulhar no mundo era uma escolha mútua. — Não tem nada a ver com ela.

— Alex, por favor. — Stella revirou os olhos. — É claro que tem. Você nunca faria isso sozinho. Ela te convenceu. Ela te mudou.

— Ela não me mudou, Stella. — Dei um passo à frente, encarando-a. — Eu não era assim? Talvez. Talvez eu não fosse assim. Mas as pessoas mudam. Eu mudei e tenho todo o direito de mudar, Stella. Eu tenho o direito de querer coisas diferentes do que eu queria há um ano atrás. Eu tenho o direito de guardar segredos se eu achar que é o melhor para o meu relacionamento. E eu tenho o direito de fazer o que eu quiser, mesmo que você, Damian, ou o mundo inteiro achem incoerente com o "Alex do passado". O Alex de agora está apaixonado e quer viver. Isso é tão errado?

O silêncio caiu sobre a varanda. Stella me olhava, com os olhos marejados. Leah, que estava calada até agora, deu um passo tímido para frente.

— O Alex tem razão, Estrelinha. — Ela disse, suavemente. — Nenhum de nós é o mesmo de um ano atrás. Olha para você. Você está casada com o Damian. A vida muda. A gente muda.

Stella olhou para Leah, depois voltou os olhos para mim. A raiva parecia estar drenando dela, substituída por uma resignação cansada. Ela suspirou, deixando os ombros cairem.

— Vocês são dois idiotas. — Ela murmurou. — Meus dois idiotas favoritos. — Stella passou a mão no rosto, limpando os vestígios de lágrimas. — Tudo bem. — Ela disse, olhando para mim. — Tudo bem. Você vai embora. Você vai viajar o mundo com a minha cunhada. E eu vou ficar aqui preocupada.

— Nós vamos voltar.

— É melhor que voltem. — Ela fungou. — Então não vamos brigar por isso. Eu entendo. Suas decisões são somente suas. Eu respeito isso. Mesmo que queira te bater agora.

— Obrigado. — sussurrei.

Senti um sorriso genuíno rasgar meu rosto.

— Parabéns, Stella. — Segurei as mãos dela. — Damian deve estar insuportável de feliz.

— Ele está. — Ela riu. — E eu também.

— Vou trazer presentes de cada continente para ele. Ou ela.

— É bom mesmo. — Stella apertou minha mão. — Agora vamos entrar.

Voltamos para dentro. A sala de jantar estava mais calma agora. Damian estava servindo mais vinho. Lizzy estava sentada, girando o anel no dedo, com os olhos fixos na porta da varanda.

Quando me viu entrar, os ombros dela relaxaram visivelmente. Caminhei até ela e me sentei, colocando a mão na coxa dela, por baixo da mesa.

Lizzy virou o rosto para mim.

— Está tudo bem? — ela sussurrou, os olhos preocupados, buscando qualquer sinal de dano.

— Está tudo certo. — sussurrei de volta, sorrindo para ela e beijei sua bochecha.

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