DAMIAN WINTER
Grávida.
A palavra atravessou a névoa satisfeita em minha mente como um tiro. Tudo desapareceu. A única coisa que existia era aquela única palavra e o sorriso trêmulo em seus lábios.
Meu cérebro, atordoado pelo sexo e pela exaustão, lutou para processar a informação. Parecia uma coisa impossível, maravilhosa e aterrorizante, tudo ao mesmo tempo.
— Você... — minha voz saiu como um arranhão rouco. — Você disse que está grávida?
Ela assentiu, o sorriso se alargando, os olhos brilhando com uma alegria pura que esperava uma resposta à altura. Mas minha mente estava em outro lugar, retrocedendo freneticamente, repassando os eventos das últimas horas. A forma como a joguei na cama, a brutalidade de nossas primeiras estocadas, a maneira como seu corpo se convulsionou sob o meu.
Um pânico frio e rastejante começou a subir pela minha espinha.
— Isso é... isso é terrível. — as palavras escaparam antes que eu pudesse contê-las.
Foi como apagar uma vela. O sorriso dela desapareceu. A luz em seus olhos se extinguiu, substituída por confusão e dor.
— O quê? — ela sussurrou.
Merda. Merda, merda, merda.
— Não! Não, não é isso que eu quis dizer! — sentei-me abruptamente, o coração martelando por um motivo totalmente diferente agora. — Você... você deveria ter me dito antes!
Toquei sua barriga, minha mão espalmada contra sua pele macia, como se eu pudesse sentir, como se eu pudesse verificar se tudo estava bem.
— Stella, o sexo que acabamos de ter... a forma como eu te peguei... caralho, e se eu machuquei o bebê? E se eu... — a ideia era tão horrível que não consegui terminar a frase. Virei-me para ela, o pânico provavelmente estampado em meu rosto.— Você devia ter me avisado. Eu teria sido mais cuidadoso. Eu teria... eu não sei, te envolvido em plástico bolha. Porra, Stella, você tinha que me dizer para ser cuidados.
Eu estava dando uma bronca nela, o medo se manifestando como uma raiva irracional. Mas então, vi as lágrimas escorrendo por seu rosto. Mas ela estava rindo. Uma risada que era meio soluço, meio alívio.
— Seu idiota. — ela disse, batendo em meu peito enquanto as lágrimas continuavam a cair. — Você me assustou. Por um momento... por um momento eu realmente pensei que você não estava feliz.
Puxei-a para meus braços, envolvendo-a com força, enterrando meu rosto em seu cabelo.
— Bom dia, esposa. — falei, beijando-a antes de colocar a bandeja sobre a cama.
Aquela manhã deu o tom para o resto da nossa lua de mel. Os dias se fundiram em um paraíso preguiçoso e perfeito. Passamos horas na nossa piscina de borda infinita, com Stella flutuando em meus braços. Exploramos os recifes de coral bem em frente ao nosso bangalô, mergulhando de mãos dadas em um mundo silencioso de cores vibrantes.
As noites eram nossas. Jantávamos no deck sob um céu tão cheio de estrelas que parecia irreal, falando por horas. Falávamos sobre nomes. Ela gostava de nomes clássicos; eu, de nomes fortes. Debatemos sobre o berçário, sobre como contaríamos aos meninos. Planejamos o futuro, fazendo a construção animada de nosso amanhã.
Em nossa última noite, estávamos deitados em uma rede no deck, observando o pôr do sol pintar o céu com tons de laranja e roxo. Stella estava aninhada em meus braços, a cabeça em meu peito.
— Estou feliz. — ela sussurrou, com a voz sonolenta.
— Eu também. — respondi, beijando o topo de sua cabeça.
Eu tinha tudo. A mulher que era minha alma, os filhos que eram nosso legado, e um novo Winter a caminho. O paraíso não era apenas uma ilha na Polinésia Francesa. Era qualquer lugar onde Stella estivesse. Era o nosso para sempre, finalmente começando.
***FIM***

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!