DAMIAN WINTER
O pedido escapou da minha boca antes que eu pudesse organizar direito.
— Então, case-se comigo, Stella Harper.
Ela me olhou, surpresa, o olhar oscilando entre o susto e a confusão. Por um instante, achei que eu mesmo havia ficado sem ar. Ela piscou algumas vezes, como se esperasse que eu dissesse que era brincadeira. Consigo entendê-la, eu mesmo não esperava pedir agora.
— O quê? — sussurrou, com a voz quase inaudível.
Eu me ergui um pouco mais, apoiando o corpo sobre o cotovelo, ainda perto o bastante para sentir o calor do corpo dela.
— Foi o que você ouviu. Quero que se case comigo.
— Damian... — ela riu, nervosa. — Você está falando sério?
— Mais do que já estive em toda a minha vida. — respondi, sem desviar o olhar. — Eu sei que não é o momento perfeito, que estamos cercados de problemas e incertezas. Mas talvez por isso mesmo faça sentido. Eu não quero mais perder tempo.
Ela ficou me observando em silêncio por alguns segundos. Então, balançou a cabeça, um sorriso pequeno e hesitante surgindo.
— Você está pedindo em casamento uma mulher de braço engessado, cheia de cicatrizes e com olheiras do tamanho do mundo?
Sorri de canto.
— Estou pedindo a mulher que sobreviveu a tudo isso e que me faz sentir vivo. A mulher que amo.
— Você não tem nem um anel. — ela murmurou, tentando conter a emoção.
— Eu vou providenciar um. — respondi, rapidamente. — Um que seja digno de você. Assim que isso tudo acabar, eu vou trazê-lo. Mas não quero esperar até lá pra saber a sua resposta.
Ela desviou o olhar por um momento, como se quisesse esconder as lágrimas que surgiam. Depois, voltou a me encarar.
— Sim, Damian.
Meu coração parou por um segundo.
— Sim...?
— Sim, eu aceito. — disse ela, mais firme. — Me casaria com você mesmo que não houvesse anel, nem flores, nem nada.
Um riso natural e sincero escapou da minha garganta, algo que há muito tempo eu não fazia. Eu me inclinei e beijei sua boca, um beijo cuidadoso, rápido, seguido por outro, e mais outro. Ela riu entre os beijos, tentando afastar o rosto, mas eu a segurei pela nuca, incapaz de me conter.
— Você acabou de dizer “sim”, Harper — sussurrei contra seus lábios. — E não vai poder voltar atrás.
— Não vou voltar atrás, senhor Winter. — respondeu ela, rindo de novo.
Fechei os olhos por um instante, a mandíbula travada. Já suspeitava dele, mas ouvir a confirmação era diferente.
— Filho da mãe... — murmurei. — Ele fez sozinho?
— Não exatamente. — Elliot respondeu, o tom mudando. — Foi o que me chamou a atenção. Fizemos uma varredura completa, e... encontramos o nome por trás dele.
Me inclinei na cadeira, os dedos batendo no tampo da mesa.
— Quem?
— Mandei o relatório pro seu e-mail. — respondeu ele. — Vai entender melhor vendo com seus próprios olhos.
— Elliot, me diz logo o nome.
— Damian... — a voz dele hesitou. — É melhor você ver.
A ligação caiu.
Peguei o laptop e o esperei ligar. Abri o e-mail e o arquivo anexado, uma planilha detalhada com todas as transações financeiras rastreadas para Maycon Batrol. Havia datas, valores e contas disfarçadas em paraísos fiscais. Mas o que me fez gelar não foram os números. Foi o nome destacado no fim da planilha.
Célia Pósitron.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!