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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 154

DAMIAN WINTER

O pedido escapou da minha boca antes que eu pudesse organizar direito.

— Então, case-se comigo, Stella Harper.

Ela me olhou, surpresa, o olhar oscilando entre o susto e a confusão. Por um instante, achei que eu mesmo havia ficado sem ar. Ela piscou algumas vezes, como se esperasse que eu dissesse que era brincadeira. Consigo entendê-la, eu mesmo não esperava pedir agora.

— O quê? — sussurrou, com a voz quase inaudível.

Eu me ergui um pouco mais, apoiando o corpo sobre o cotovelo, ainda perto o bastante para sentir o calor do corpo dela.

— Foi o que você ouviu. Quero que se case comigo.

— Damian... — ela riu, nervosa. — Você está falando sério?

— Mais do que já estive em toda a minha vida. — respondi, sem desviar o olhar. — Eu sei que não é o momento perfeito, que estamos cercados de problemas e incertezas. Mas talvez por isso mesmo faça sentido. Eu não quero mais perder tempo.

Ela ficou me observando em silêncio por alguns segundos. Então, balançou a cabeça, um sorriso pequeno e hesitante surgindo.

— Você está pedindo em casamento uma mulher de braço engessado, cheia de cicatrizes e com olheiras do tamanho do mundo?

Sorri de canto.

— Estou pedindo a mulher que sobreviveu a tudo isso e que me faz sentir vivo. A mulher que amo.

— Você não tem nem um anel. — ela murmurou, tentando conter a emoção.

— Eu vou providenciar um. — respondi, rapidamente. — Um que seja digno de você. Assim que isso tudo acabar, eu vou trazê-lo. Mas não quero esperar até lá pra saber a sua resposta.

Ela desviou o olhar por um momento, como se quisesse esconder as lágrimas que surgiam. Depois, voltou a me encarar.

— Sim, Damian.

Meu coração parou por um segundo.

— Sim...?

— Sim, eu aceito. — disse ela, mais firme. — Me casaria com você mesmo que não houvesse anel, nem flores, nem nada.

Um riso natural e sincero escapou da minha garganta, algo que há muito tempo eu não fazia. Eu me inclinei e beijei sua boca, um beijo cuidadoso, rápido, seguido por outro, e mais outro. Ela riu entre os beijos, tentando afastar o rosto, mas eu a segurei pela nuca, incapaz de me conter.

— Você acabou de dizer “sim”, Harper — sussurrei contra seus lábios. — E não vai poder voltar atrás.

— Não vou voltar atrás, senhor Winter. — respondeu ela, rindo de novo.

Fechei os olhos por um instante, a mandíbula travada. Já suspeitava dele, mas ouvir a confirmação era diferente.

— Filho da mãe... — murmurei. — Ele fez sozinho?

— Não exatamente. — Elliot respondeu, o tom mudando. — Foi o que me chamou a atenção. Fizemos uma varredura completa, e... encontramos o nome por trás dele.

Me inclinei na cadeira, os dedos batendo no tampo da mesa.

— Quem?

— Mandei o relatório pro seu e-mail. — respondeu ele. — Vai entender melhor vendo com seus próprios olhos.

— Elliot, me diz logo o nome.

— Damian... — a voz dele hesitou. — É melhor você ver.

A ligação caiu.

Peguei o laptop e o esperei ligar. Abri o e-mail e o arquivo anexado, uma planilha detalhada com todas as transações financeiras rastreadas para Maycon Batrol. Havia datas, valores e contas disfarçadas em paraísos fiscais. Mas o que me fez gelar não foram os números. Foi o nome destacado no fim da planilha.

Célia Pósitron.

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