DAMIAN WINTER
O som do ventilador velho girando no teto era tudo o que se ouvia. A cada volta, um rangido. Um ruído insistente, repetitivo, irritante. Eu estava deitado na cama de concreto, o colchão fino pressionando minhas costas, e encarava o teto descascado da cela como se as rachaduras pudessem me dar alguma resposta.
Outro Winter.
Outro Winter.
Minha mãe jamais teria envolvimento em algo assim, e minha irmã não teria coragem nem cérebro para algo dessa proporção. Restava um nome.
Meu pai.
William Winter.
Mas... se fosse ele... por quê?
Nathan Ponlic era um problema, sim. Mas WW era cauteloso demais para lidar com inimigos de forma tão... suja. Ele preferia comprar, calar, enterrar escândalos com acordos milionários, não com tiros.
Tentei racionalizar.
Talvez o velho tivesse tomado alguma atitude impulsiva. Talvez, com a possibilidade de Nathan tirar a guarda de Danian, ele tivesse achado que eliminar o problema era o único jeito.
Algo não batia.
Fechei os olhos, tentando ordenar as ideias. Se fosse ele o culpado, confessar não fazia sentido. Ele tinha dinheiro, poder e advogados, não precisaria se entregar. Então, por que diabos faria isso?
Um barulho metálico me arrancou dos pensamentos, era o som das chaves girando na fechadura da cela. Levantei-me de imediato.
— Winter. — A voz do guarda chamou. — Tem visita chegando.
A porta se abriu e dois agentes entraram. Atrás deles, um homem alto, de terno escuro, com o cabelo grisalho e o semblante frio.
Meu pai.
O mundo pareceu parar ali. O mesmo homem que, por anos, nunca demonstrou nada além de controle e frieza estava diante de mim, dentro de uma cela.
— Mas o que... — dei um passo à frente, confuso. — O que o ele está fazendo...
O guarda respondeu antes que eu pudesse terminar.
— Ordem lá de cima. — Ele parecia quase desconfortável. — O senhor Winter se apresentou voluntariamente. Já estamos providenciando a liberação do senhor, Damian. É só esperar alguns minutos.
Meu pai me olhou em silêncio. Quando os guardas se afastaram, me voltei para ele.
— Isso é algum tipo de piada? Você veio aqui fazer o quê?
— Assumir o que é meu dever.
— Seu dever?
— E ele?
— Vai permanecer aqui até o tribunal definir os próximos passos.
Meu pai apenas assentiu.
O guarda abriu a porta.
— Vamos.
Dei um passo à frente, mas antes de sair, dei um abraço no meu pai.
— Você não precisava fazer isso.
— Claro que precisava. Você tem uma mulher machucada e três crianças em casa. Agora vá, Damian. E não me faça me arrepender.
Meu pai me olhou e eu vi algo diferente nos olhos dele. Culpa, talvez. Ou arrependimento.
— Eu vou tirá-lo daqui — prometi, a voz mais baixa do que eu pretendia. — Custe o que custar.
Ele pousou a mão no meu ombro, antes de me afastar.
Caminhei até a porta sem olhar para trás. William Winter estava se sacrificando por mim. Agora não era mais apenas sobre limpar meu nome, era sobre limpar o dele. Quem quer que tivesse começado essa guerra, não sairia impune.

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