Entrar Via

Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 149

DAMIAN WINTER

Aquela manhã, que tinha começado tão absurdamente calma, desmoronou em segundos.

Nathan Ponlic foi encontrado morto esta manhã.

Por um instante, eu só fiquei parado, encarando o homem fardado à minha frente. Ele segurava uma pasta nas mãos e tinha o olhar de quem já estava acostumado com reações imprevisíveis.

— Como é que é? — minha voz saiu rouca, grave. — O que você acabou de dizer?

O policial consultou a prancheta como se precisasse confirmar a própria fala.

— O senhor ouviu corretamente, senhor Winter. O corpo foi encontrado em um terreno próximo à estrada do Norte, há cerca de três horas. Precisamos que o senhor nos acompanhe à delegacia para prestar depoimento.

Tudo o que tínhamos trocado foram palavras, ruins, mas apenas isso. Eu o tinha socado, sim. Mas matá-lo? Cristo, não fazia sentido.

Atrás de mim, ouvi o som de passos apressados e Stella apareceu na porta, o rosto empalidecendo assim que percebeu o uniforme policial.

— Damian? O que está acontecendo?

Virei-me e tentei manter a calma, mesmo que por dentro uma parte de mim já estivesse fervendo de preocupação.

— Está tudo bem, Stella. — toquei o braço dela. — Eles só querem que eu vá até lá esclarecer algumas coisas.

— Mas esclarecer o quê?

— Nathan foi encontrado morto e ao que parece sou um suspeito. — As palavras saíram amargas, e vi o pânico imediato tomar o rosto dela. — Eles precisam que eu preste depoimento.

Ela levou a mão à boca, respirando com dificuldade.

— Meu Deus…

O policial pigarreou discretamente, tentando manter a formalidade.

— Senhor Winter, precisamos sair agora.

Assenti.

— Tudo bem. — Olhei de novo para Stella e tentei parecer o mais tranquilo possível. — Vai ficar tudo bem, ouviu? Eu volto logo.

Ela segurou minha camisa e me puxou para um beijo rápido.

— Por favor… não diga nada sem um advogado.

Dei um pequeno sorriso de canto.

— Eu sei o que estou fazendo.

Saí com eles, tentando ignorar o nó na garganta e o olhar desesperado dela se apagando quando a porta se fechou atrás de mim.

O caminho até a delegacia pareceu mais longo do que realmente era. O carro da polícia estava silencioso, apenas o ruído do motor e, ocasionalmente, o som dos rádios de comunicação. Eu fixava o olhar na janela, tentando organizar a avalanche de pensamentos.

Nathan Ponlic morto.

A imprensa, os negócios, a acusação de fraude, o acidente de Stella, o sequestro de Damian, a morte de Sophie… tudo isso já tinha sido o suficiente. Agora isso.

Quando chegamos, o ar frio da sala de interrogatório me atingiu. O ambiente era cinza, com uma mesa metálica no centro e duas cadeiras. Um dos policiais me indicou onde sentar.

— Quer café, senhor Winter? — perguntou um deles, formal.

— Não. — respondi automaticamente.

Um outro homem entrou em seguida. Devia ser o delegado.

Ele se sentou diante de mim, cruzando as mãos sobre a mesa.

— Senhor Winter, obrigado por vir. Sei que deve estar surpreso com a notícia.

— Surpreso é pouco. — falei, sorrindo. — Quando foi isso?

— Por volta das quatro da manhã. — Ele consultou uma pasta. — Encontrado próximo ao seu apartamento.

— Próximo ao meu apartamento? — repeti, descrente. — O que diabos ele estava fazendo lá a essa hora?

— É isso que estamos tentando entender. — O delegado me estudava atentamente. — Então, precisamos de algumas informações. Onde o senhor estava entre duas e quatro da manhã?

Sorri quase incrédulo com a pergunta.

Demorei alguns segundos antes de responder.

— Incluindo eu. — admiti, por fim. — Mas querer ver alguém morto é diferente de matar alguém.

O delegado assentiu, encerrando as anotações.

— Certo. Vamos verificar as câmeras e confirmar seu depoimento. Enquanto isso, peço que não saia da cidade.

— Não tenho intenção de fugir de nada. — respondi, levantando-me.

Um dos policiais me acompanhou até a saída. O sol já estava alto quando pisei do lado de fora. Peguei o celular do bolso, vendo que havia três chamadas perdidas de Stella, uma de minha mãe e várias mensagens de imprensa.

Ignorei todas.

Dirigi em silêncio de volta pra casa, tentando assimilar o que acabara de acontecer. O rosto de Nathan não saía da minha cabeça. A última vez que o vi, ele estava com aquele sorriso cínico, confiante, cuspindo provocações. Agora estava morto.

Quando parei em frente à casa, vi Stella na varanda, sentada, o olhar aflito fixo na rua.

— Graças a Deus. — ela respirou, aliviada. — Eu achei que…

— Que eu fosse ser preso? — completei, com um meio sorriso cansado.

Ela não respondeu, apenas me abraçou com força. O cheiro dela, o calor, tudo em mim pareceu finalmente voltar ao lugar.

— O que eles disseram? — perguntou, afastando-se só o suficiente pra me encarar.

— Nada de novo. — suspirei. — Querem confirmar onde eu estava durante a madrugada. Já devem ter mandado buscar as gravações do condomínio.

— Você está bem?

— Estou. — Mentira. Eu estava exausto, confuso e com uma parte do cérebro ainda tentando entender aquilo. — Eles não têm nada, Stella. Nada que me ligue a isso.

— A imprensa já está enlouquecida. Sério, por que você tinha que ameaça uma pessoa de morte na frente de uma multidão?

— Eu não estava pensando e como poderia adivinhar?

Ela assentiu e voltamos pra dentro. Acho que vou precisar fazer minha própria investigação para cuidar disso, não confio na polícia.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!