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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 143

DAMIAN WINTER

O hospital cheirava a desinfetante, frio e incômodo, como se cada partícula de ar fosse filtrada para tirar qualquer humanidade dali. Carreguei Danian no colo até o setor de emergência, ignorando olhares curiosos e cochichos dos profissionais que reconheciam meu rosto, ou talvez apenas a cena.

Não importava. Eles que olhassem.

A equipe médica já estava pronta para nos receber. Queriam levá-lo, claro, mas Danian não desgrudava. Tremia, soluçava ainda no meio do sono, e cada vez que alguém se aproximava com jaleco ou estetoscópio, os bracinhos se fechavam em torno do meu pescoço como algemas.

— Ele precisa de observação — insistiu a médica, voz calma. — Mas se ele não quiser sair de perto do senhor, podemos adaptá-lo em um quarto de internação.

— Então façam isso. — Minha resposta saiu dura, mas ela entendeu.

Fomos levados a um quarto pequeno, iluminado demais. A cama branca pareceu enorme para o corpo pequeno de Danian, que só aceitou se deitar porque prometi que ficaria ao lado dele. Segurei sua mão até que o olhar cansado se fechasse por completo, o peito subindo e descendo com uma respiração mais calma.

A médica fez exames rápidos enquanto ele dormia, olhando saturação, batimentos, reflexos. Nada além de estresse. Nenhuma marca física. Mas o psicológico... esse eu sabia que não cicatrizaria tão fácil.

Quando ficaram só nós dois, afundei na poltrona ao lado da cama. O silêncio me esmagou. Pela primeira vez em horas, não havia rádio chiando, policiais correndo, nem gritos. Apenas o som das máquinas discretas e a respiração do meu filho.

Peguei o celular. Meus dedos estavam rígidos, mas disquei um número sem pensar.

— Damian? — a voz de Stella atendeu rápido, tensa, como se estivesse acordada há horas.

Fechei os olhos por um instante.

— Eu sabia que você não estaria dormindo.

— O que aconteceu? — a voz dela subiu um tom, alarmada. — E o Danian?

Olhei para a cama, para aquele corpinho encolhido no lençol branco.

— Ele está bem agora. Está comigo, no hospital. — Engoli seco. — Sophie... está morta.

Houve silêncio do outro lado. Depois, uma respiração presa.

— Meu Deus... — ela murmurou. — Eu vou para esse hospital agora.

— Não. — Minha voz saiu firme. — Você precisa descansar. Nós também. Você vir correndo não vai mudar nada. Espere amanhecer. Venha quando o sol nascer, quando todos já estivermos mais calmo.

— Damian... — ela hesitou. — Eu não consigo ficar parada sabendo disso.

— Stella... — interrompi, cansado, mas decidido. — Confie em mim. Ele está seguro. Está dormindo. Você também precisa descansar. Quando amanhecer, venha. Eu quero que ele acorde e veja você sorrindo, não chorando e cansada.

Do outro lado da linha, silêncio de novo. Então um suspiro resignado.

— Tá bem. Mas eu vou cedo.

— Eu sei. — Desliguei, largando o aparelho no colo.

Fiquei olhando para Danian. A respiração dele era quase um mantra, lenta, frágil, mas viva. Toquei seus cabelos, deslizei os dedos devagar, e pela primeira vez nessas longas horas o peso da exaustão caiu sobre mim.

Encostei na poltrona e fechei os olhos.

Não sei quanto tempo dormi. Talvez minutos, talvez horas. Mas o que me acordou foi um som que rasgou o silêncio, foi como um berro histérico, vindo do corredor.

— Assassino! Ele matou a minha filha!

Levantei de imediato, com o coração disparando. Danian também acordou assustado, erguendo o corpo na cama com os olhinhos confusos e cheios de medo.

— Papai?

Corri até ele e sentei na beira da cama, segurando-o.

— Vamos embora, Célia. Isso não vai trazer a Sophie de volta.

— Eu quero justiça! — ela soluçava. — Ele não pode ficar impune!

A polícia a levou para longe, os gritos diminuindo até o corredor ficar silencioso de novo.

Fiquei parado, com os olhos fixos no chão. A respiração vinha pesada, como se eu tivesse corrido quilômetros.

Quando voltei para o quarto, Danian estava sentado na cama, olhos arregalados.

— Papai... Ouvi a voz da vovó, o que aconteceu?

Sentei ao lado dele e puxei-o para perto.

— Nada com você, filho. — Passei a mão no rosto dele. — Só pessoas bravas... porque estão tristes.

— É por causa da mamãe? — ele perguntou baixinho, hesitante.

Engoli seco. O nó na garganta quase me sufocou.

— Sim... — respondi, finalmente. — É por causa dela.

Ele ficou em silêncio por alguns segundos, os olhinhos marejados. Depois se encolheu no meu peito.

— Eu só quero ficar com você.

Apertei-o forte contra mim.

— E é exatamente onde você vai ficar. Sempre.

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