DAMIAN WINTER
Depois de receber a atualização de Jonas, voltei ao carro com os meninos. O gosto do café ainda estava no fundo da garganta, e a sacola de biscoitos balançava ao lado.
— Vamos para casa? — Orion perguntou, animado.
— Primeiro vamos fazer um pequeno desvio antes, para que vocês possam brincar no parquinho antes.
— Eba! — Os três bateram palmas comemorando.
Coloquei-os no carro, fechei as portas e dei a partida. Mas, ao invés de seguir pelo trajeto habitual, virei para uma avenida menos movimentada, que nos levaria a uma praça próxima.
Meu telefone vibrou. Era Jonas de novo. Atendi pelo viva-voz, mantendo a expressão neutra para não despertar suspeitas nas crianças.
— Estamos acompanhando. Estão a cem metros atrás.
— Entendido. — murmurei.
Estacionei próximo ao pequeno parque, onde havia um parquinho com balanços e algumas famílias espalhadas pelo gramado.
Orion e Apollo correram na frente, indo direto para o escorregador. Danian hesitou. Segurava o biscoito meio comido na mão e olhava para mim como se esperasse uma confirmação.
— Pode ir, filho. — disse. — Vou estar aqui.
Ele sorriu, tímido, e seguiu os irmãos.
Peguei o celular e telefonei novamente.
— Jonas, posição?
— Os nossos já estão espalhados no parque. O carro suspeito estacionou na rua lateral. Um deles desceu agora.
— Entendido, continue na linha. — Conectei o celular ao fone e deixei a ligação seguir.
O sol batia fraco nas árvores da praça, jogando sombras compridas sobre a grama. O ar tinha cheiro de terra úmida e de salgados que alguém vendia perto do portão. Fingi que estava relaxado, sentei no banco de madeira com a sacola de biscoitos no colo e peguei um para comer.
Orion e Apollo corriam de um lado para o outro, rindo, subindo na estrutura do escorregador como dois pequenos macacos. Danian estava perto do balanço. Olhava para o chão, chutando a areia devagar enquanto mordiscava o resto do biscoito.
— Senhor? — A voz de Jonas soou no fone.
— Fala.
— O carro ainda está na rua lateral. Confirmamos que dois estão dentro. O terceiro está caminhando pelo lado da praça. Fingindo falar no celular.
— Ok, estou observando. — Localizei o homem e desviei o olhar para não levantar suspeitas.
Respirei fundo, olhando para Danian. Era estranho fingir descuido, deixar a segurança parecer mais fraca do que realmente era. Tudo em mim gritava para levantar, agarrar meu filho e ir embora dali.
Mas eu tinha que manter o papel.
Era a minha melhor chance de pegar Sophie.
Do canto do olho, percebi o homem parar perto do quiosque de algodão-doce. Estava com boné, os ombros ligeiramente curvados, como alguém que não quer chamar atenção. Fingia estar vendo o celular, mas vi quando ele levantou o olhar, rápido demais, na direção do balanço.
Não olhei diretamente para ele, para não dar bandeira. Peguei outro biscoito da sacola, mordi, mastigando devagar, tentando parecer apenas um pai matando tempo enquanto os filhos brincavam.
Um dos homens de Jonas passou andando a uns dez metros, com um jornal na mão. Parecia outro visitante qualquer. Ele não olhou para mim, mas sei que percebeu o homem de boné também.
Danian, alheio a tudo, empurrava o balanço sozinho e então Apollo o puxou para a gangorra. O cordão com o pingente brilhava no pescoço, pegando um raio de sol.
Aquele pingente era meu trunfo.
Vi os três correndo até o bebedouro. Riam alto, disputando quem ia beber primeiro.
Olhei de novo para o homem do boné. Agora ele mexia no bolso, olhando para o lado, como se esperasse alguém.
— Segundo elemento se aproximando pelo lado norte. — Disse Jonas.
Virei um pouco a cabeça, sem chamar atenção, e vi. Um homem diferente, mais alto, caminhava pela lateral da praça.
— Foco nele. — murmurei, baixo, quase sem mexer os lábios.
— Copiado. — respondeu Jonas.
Danian estava a alguns passos atrás dos irmãos, olhando curioso para algo na areia, os chamou para ver e todos pareciam tentar decifrar o que estavam vendo.
— O Dani vai voltar, né?
— Vai sim. — respondi, confiante. — O papai vai buscá-lo.
Tudo que eu precisava ter agora era paciência. O rastreador estava funcionando. Os agentes estavam cumprindo seu papel. Tudo que eu podia fazer agora era esperar e manter a calma até o momento certo para agir.
Não planejo que Danian passe mais de um dia longe de casa. Só me resta esperar que Sophie vá vê-lo o quanto antes.
SOPHIE PÓSITRON
Suspirei, me encostando na poltrona. Não conseguia aguentar a ansiedade pela ligação que esperava.
— Vai dar certo — murmurei para mim mesma, tentando me convencer.
Foi então que meu celular vibrou. Peguei-o rápido.
— Alô.
Do outro lado, um breve ruído de fundo, depois a voz masculina conhecida:
— Missão cumprida.
As duas palavras foram suficientes para que meu sorriso se alastrasse. Fechei os olhos e soltei o ar que nem percebi que estava prendendo.
— E ele está ileso?
— Sim. Está a caminho do local seguro. Sem incidentes.
— Ok. Obrigada pela eficiência. — Agradeci em tom contido. — Seu dinheiro chegará ainda hoje, faça uma boa viagem.
— Foi um prazer te atender uma última vez, Sophie Pósitron.
A ligação foi encerrada. Deixei o telefone ao lado e, desta vez, bebi um gole do vinho que estava esquecido sobre a mesa de centro.
Ao menos isso seguiu como eu queria. Imagino como ele deve estar enlouquecendo para encontrar Danian.
Seu desespero está apenas começando, Damian Winter.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!