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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 136

STELLA HARPER

A casa estava silenciosa demais depois que os gêmeos foram para a escola e Danian subiu para dormir um pouco. A sala parecia maior sem o barulho deles correndo de um lado para o outro.

Alexander veio da cozinha trazendo duas xícaras de chá e colocou uma na minha frente.

— Obrigada. — digo, pegando a xícara. — Você já está de partida, não é? — perguntei, mesmo sabendo a resposta.

Ele suspirou, como se já estivesse cansado só de pensar no que o aguardava.

— Sim. Preciso voltar a São Francisco para terminar a papelada da filial. — explicou. — São muitos detalhes para acertar e, se eu ficar enrolando aqui, as coisas vão atrasar. Mas volto em duas semanas, no máximo.

Já tinha me acostumado às viagens dele. Alexander não era um aventureiro, mas viajava como se fosse. Antes era difícil não sentir falta antes mesmo da despedida, já que ele era a única pessoa com quem eu podia contar antes. Mas agora só desejo que ele voe, cada vez mais alto.

— Duas semanas. Tenho certeza que a nova filial vai fazer tanto sucesso quanto tudo que você se empenha em fazer.

Ele sorriu e tocou minha mão.

— Obrigado. Vai passar rápido. — garantiu. — Além disso, vocês têm o Damian por perto agora. Eu sei que ele pode ser meio… Enfim, eu também sei que está cuidando bem de você e dos meninos.

— Sim, ficaremos bem, pode viajar tranquilo.

Pouco depois, ele terminou o chá e levantou-se.

— Vou indo, então. — disse. — Mas se precisar de mim antes de duas semanas, você sabe que só precisa ligar.

Acompanhei-o com o olhar até a porta. No instante em que ele girou a maçaneta, ela se abriu do lado de fora, revelando Damian.

Os dois se encararam por um segundo. Como esperado não havia hostilidade, mas também não havia simpatia.

— Alexander. — disse Damian, em tom neutro.

— Damian. — Alexander respondeu no mesmo tom. — Estou saindo.

Damian assentiu, deixando-o passar. Alexander se despediu de mim com aceno e foi embora.

Damian fechou a porta, largou a pasta que carregava sobre o aparador e se voltou para mim.

— E então? — perguntei, com minha ansiedade escapando antes que eu pudesse controlar. — Como foi?

Um sorriso raro e largo, surgiu em seus lábios.

— Não tenho nenhuma dúvida de que Sophie Pósitron é capaz de tudo para conseguir o que quer. Ela tentou tudo o que podia pelo caminho “limpo”. Tentou me destruir profissionalmente, tentou me arrancar a reputação... quando percebeu que isso não funcionou — murmurou — ela tentou tirar o Danian por via legal. Mas isso também não funcionou. É como se eu estivesse dentro da cabeça dela agora, de certa forma consigo prever o que ela planeja. Pessoas como ela não aceitam “não”; elas mudam de estratégia e se não conseguiu Damian por bem, ela vai querer levá-lo por mal.

— E o próximo passo dela seria o quê? — arrisquei, com o coração martelando. — Raptar? — A palavra “raptar” de repente invadiu minha mente, acho que entendi o que Damian quis dizer com "estar dentro da cabeça dela".

Ele respirou fundo.

— Não sei como ela pensa em agir, já que Danian quase não sai de casa. Talvez queira trazer um monte de homens armados e pegá-lo a força.

Olhei para o corredor, onde Danian dormia. De repente, queria entrar lá e acordá-lo só para envolvê-lo num abraço seguro. Mas, em vez disso, murmurei:

— E o que nós vamos fazer?

Os olhos de Damian ganharam um brilho maldoso e calculista.

— Vamos criar uma abertura na segurança dele. — disse ele sem rodeios. — Se Sophie quer tirar Danian de mim, vou dar a ela exatamente o que ela quer.

— O quê?

Meus olhos se arregalaram por reflexo, eu ouvi direito? Ele queria entregar Damian de bandeja para aquela psicopata?

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