Ao ouvir isso, Severino Macedo não sabia se ria ou se chorava.
— Você nem sequer começou e já está jogando a toalha? Mesmo que lhe falte experiência, você ainda tem o Advogado Rocha ao seu lado. Com a capacidade dele, qualquer coisa é possível. Se o Advogado Rocha quisesse abrir o próprio negócio e ser o chefe, ele transformaria a empresa em uma das quinhentas maiores do mundo num piscar de olhos.
Embora soasse como pura bajulação, essas palavras refletiam os verdadeiros sentimentos de Severino Macedo.
Era do conhecimento de todos que pessoas brilhantes brilhavam em qualquer área de atuação.
Um figurão capaz de dominar o mundo jurídico com certeza seria um magnata formidável no mundo dos negócios.
Ele não precisava dominar os aspectos técnicos; bastava compreender sobre gestão e sobre a natureza humana.
Após ouvir os elogios, Viviane Adrie virou-se com um sorriso no rosto para encarar o marido.
No fundo, ela concordava plenamente.
Acontece que a própria Família Rocha possuía negócios, e em uma escala infinitamente superior ao do Grupo Valentim.
Se ele nem ao menos havia assumido as rédeas dos empreendimentos de sua própria família, deixando-os sob os cuidados de parentes próximos, por que raios viajaria até a Cidade S apenas para administrar os negócios da família de sua esposa?
Era um cenário completamente irreal.
Por conta disso, Viviane Adrie sequer havia cogitado a ideia.
Percebendo a expressão da esposa, Orlando Rocha deixou escapar um sorriso leve: — O quê? Você realmente estava pensando em me colocar como gestor?
Viviane Adrie balançou a cabeça: — Eu jamais faria você viajar tão longe.
— ... — O sorriso de Orlando Rocha se alargou ainda mais.
Severino Macedo ficou sem palavras: — Vocês poderiam ter um mínimo de consideração pelos solteiros antes de esfregarem esse romance na nossa cara sem aviso prévio.
Já fazia algum tempo desde a última visita de Viviane Adrie à Cidade S, e o casal Poliana Veloso estava morrendo de saudades dela.
Enquanto eles ainda estavam na via expressa do aeroporto, Poliana Veloso ligou para o sobrinho.
Severino Macedo atendeu pelo sistema de viva-voz do carro, e a conversa ecoou pelo interior do veículo.
Afinal, Daniel também estava na fila de espera do banco nacional de medula óssea, e os médicos afirmavam que as chances de compatibilidade eram mínimas.
A probabilidade de sua mãe conseguir um transplante de rim não devia ser muito diferente das ínfimas chances de um transplante de medula bem-sucedido.
Em tese, sendo filha biológica, as chances de ser uma doadora compatível eram bastante elevadas.
No entanto, no momento atual, ela precisava focar em engravidar do segundo filho, a fim de utilizar o sangue do cordão umbilical no tratamento de Daniel.
Portanto, estava impossibilitada de doar um rim para Poliana Veloso.
Sendo muito franca consigo mesma, ainda que não houvesse a necessidade de engravidar de novo, ela não sabia se teria a magnanimidade de abrir mão de um órgão por uma mãe biológica que acabara de reencontrar.
Sua mente inevitavelmente tenderia a pensar que, talvez, o verdadeiro propósito de seus pais ao procurá-la com tanto afinco não fosse matar a saudade ou curar antigas feridas, mas sim usá-la como uma bolsa de sangue compatível em uma medida desesperada para salvar vidas.
Observando a esposa em um silêncio contido, com o semblante tomado por um turbilhão de emoções complexas, Orlando Rocha apertou a mão dela de forma sutil.
Nenhuma palavra foi dita, mas Orlando Rocha lia a alma dela e sabia perfeitamente as sombras que lhe afligiam os pensamentos.

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