Severino Macedo ia dando as direções, conversando de forma descontraída, como em um bate-papo de família.
— Eles já vieram do hospital? — perguntou Viviane Adrie, um pouco surpresa ao ouvir aquilo.
— Sim, vieram de ambulância. E quando forem embora, a ambulância também virá buscá-los — respondeu ele.
Como dinheiro não era problema, optaram pela maneira mais segura possível.
— Mas eles estão em condições para isso? Correr um risco tão grande apenas por causa de um jantar realmente não vale a pena — disse Viviane Adrie, franzindo a testa, expressando sua preocupação após uma breve pausa.
Além disso, Viviane Adrie pensou em outro detalhe.
Afinal, estavam na casa de Severino Macedo, não na casa de sua mãe biológica.
Se, por acaso, ocorresse algum acidente durante o jantar, mesmo que Severino Macedo e sua mãe não se importassem, era preciso considerar os sentimentos da esposa dele.
Algumas pessoas eram muito supersticiosas em relação a esse tipo de coisa.
Porém, Viviane Adrie não sabia como expressar essa preocupação em palavras.
— Vire à esquerda na próxima curva e vá até o final da rua, é lá — continuou Severino Macedo, indicando o caminho.
— Não se preocupe. Como eles estão felizes, os sinais vitais até ficaram mais estáveis — explicou ele, virando-se para olhar para Viviane Adrie após dar a instrução.
Viviane Adrie apertou os lábios, assentiu com a cabeça e não disse mais nada.
Assim que o carro parou, antes mesmo de descerem, Rebeca Veloso e o marido saíram da sala de estar para recebê-los.
Viviane Adrie sentia-se um pouco ambivalente; no fundo, estava feliz, mas achava que demonstrar isso abertamente seria como uma espécie de traição a si mesma.
Por isso, ela manteve uma atitude educada e ligeiramente contida ao cumprimentar Rebeca Veloso e o marido.
Orlando Rocha desceu do carro, deu a volta, abriu o porta-malas e tirou os presentes que haviam preparado naquela tarde.
— Por que vocês compraram presentes? Quanta formalidade, não precisava disso — disse Severino Macedo, franzindo o cenho ao ver a cena.
Orlando Rocha não respondeu, apenas continuou retirando as sacolas sem parar.
Ao dizer essas palavras, Poliana Veloso sentiu um nó na garganta, com muita vontade de chorar.
Afinal, aquele poderia ser o único e último encontro deles nesta vida.
Ela não sabia quantos dias mais seu corpo debilitado suportaria. Além disso, a filha voltaria para a Cidade J no dia seguinte, e o neto precisava de tratamento para a doença; Viviane não teria muito tempo para ficar viajando entre as duas cidades.
Poderia muito bem ter um mal súbito, e elas seriam separadas para sempre pela morte.
Justo quando as lágrimas ameaçavam cair, achou que não deveria colocar pressão sobre Viviane Adrie. Então, engoliu o choro e voltou a sorrir.
Vendo que estavam de bom humor, Viviane Adrie sentiu-se um pouco mais aliviada e conduziu Daniel até eles.
— Campeão, cumprimente-os — pediu ela.
— Vovô, vovó — chamou Daniel, obedientemente.
— Ah, como o Daniel é bonzinho! A vovó fica tão feliz em te ver. Quando a vovó melhorar, vou te levar para passear bastante pela Cidade S — disse ela, emocionada.

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