O almoço já havia terminado.
O dia ainda estava pleno e ensolarado, os três foram para a varanda, conversar à beira do jardim, aguardando pelo café pós almoço.
Dante não apareceu, então Arthur de forma bem disfarçada, tentava repetidamente ligar para o filho que não atendia o telefone.
O clima depois da conversa durante o almoço ficou estranho, Arthur e Flora, perceberam que havia algo estranho no casamento do filho.
E iriam questioná-lo sobre a contratação de Ellie e a causa da mentira sobre a ciência de Ivy.
Mas a visita de Ivy tinha outro propósito. Eles a amavam como sua própria filha e queriam que o filho também a amasse como eles.
Eles queriam saber mais sobre a viagem, queriam saber sobre intimidades, eles desejavam um neto e queriam que isso fosse logo.
Então de forma sutil e delicada, Flora iniciou a conversa.
- Querida vocês acabaram ficando tão pouco na Grécia, conseguiram aproveitar os poucos dias?
- Sim sogra, aproveitamos.
Ivy sentia que a conversa iria seguir um caminho a qual ela não conseguiria mentir. Mas tentaria o máximo possível.
- Mesmo? Então posso ficar no aguardo do meu neto?
Flora proferiu as palavras de forma tão entusiasmada que Ivy se sentiu golpeada e acabou se engasgando com o café que estava apreciando.
- Cuidado! Beba mais devagar, o café está quente.
- Desculpe sogra, fui pega de surpresa com a pergunta.
Ivy estava vermelha, pelo engasgo e também pela vergonha.
- Ah querida, só estou feliz por vocês dois.
- Sogra… ainda não será agora que será avó.
- Como assim?
- Não aconteceu ainda.
- O que não aconteceu Ivy?
Se sentia envergonhada de dizer tais palavras, mas a verdade deveria ser dita.
- Nós não transamos, o casamento ainda não foi consumado.
Ela abaixou a cabeça, estava com vergonha e se sentia exposta demais contando tal coisa a sua sogra.
Flora segurou o queixo de Ivy e levantou o rosto da garota, olhando nos olhos amendoados que mostravam muita sinceridade, ela percebeu que Ivy estava sem graça de contar sobre isso.
- Mas por que não? Você não se sentiu à vontade?
- Não consegui me aproximar.
- Como assim, querida?
Ivy se desvencilhou dos dedos da sogra e em um movimento rápido levantou da cadeira em que estava e caminhou para o jardim que estava florido.
De costas para a sogra acariciou uma flor, respirava lentamente tentando encontrar a melhor forma de dizer a verdade.
- Na noite de núpcias eu me preparei, estava nervosa mas me preparei como a Daiane me explicou. Eu aguardei por ele no quarto, mas quando ele apareceu, disse que estava cansado e que era para eu dormir.
- E nada aconteceu?
- Não, nada.
- E depois?
- Na Grécia ele se manteve distante de mim. Em uma noite ele bebeu tanto que até dormiu com roupas e sapatos.
Flora levou a mão a boca, tapando o som de espanto que saiu involuntariamente.
- Por que ele bebeu assim?
- Pai, a Ivy é avoada. Só presta atenção no que diz respeito a ela.
- Mas ela disse que não sabia.
- Sabia sim, mas não deu atenção ao que eu disse.
- Tem certeza Dante? Ela me pareceu bem triste ao dizer que não sabia.
Este questionamento fez a raiva subir pelas veias de Dante. Logo ele imaginou Ivy se portando como coitada na frente de seus pais.
E esfregando o rosto de forma impaciente, ele respondeu ao pai de forma direta.
- Tenho certeza, pai não acredite tão fielmente nas coisas que Ivy fala. Às vezes ele omite fatos para ter o que quer.
- Está bem filho, mas conversei com ela, de forma clara e objetiva, ela precisa de respostas.
- Ok eu farei.
Após a resposta, Dante desligou o telefone, ele estava com muita raiva e Ivy não iria se livrar de sua ira.
Quando a tarde chegou, o sol já estava mais ameno e Ivy decidiu voltar para casa.
Como ela havia imaginado, não conseguiu escapar das perguntas de Arthur e Flora, mas não se sentia culpada por contar a verdade.
Ela não sabia que Arthur havia falado com o filho. Em sua mente ela formulava todas as perguntas sobre Ellie.
Não estava contente com a presença de Ellie na empresa, iria fazer Dante tirar Ellie de lá para ela assumir o lugar e ficar bem perto do marido todos os dias.
Dante após a conversa com seu pai, resolveu sair para se acalmar, seu corpo agiu de forma automática e logo ele estava no apartamento de Ellie.
Como bom casal de amantes, ele nem precisou dizer o porquê estava ali aquela hora da tarde.
Ellie sem dizer nada, logo fez as vontades de Dante para acalmar os animais que estavam muito exaltados.
Quando Ivy chegou em casa, não havia ninguém, estava tudo escuro e fechado. Os empregados já tinham ido embora, mais uma vez ela estava sozinha e pressentia que isso se tornaria um hábito, Dante não parecia gostar de ficar em casa.

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