Ivy se sentiu esgotada do dia passado com os sogros.
Olhando a janela do carro no retorno para casa sentia a brisa da tarde bater em seu rosto cansado.
Foram tantas perguntas, e muitas eram assuntos muito delicados, deixando a garota muitas vezes constrangida e envergonhada.
Tudo o que ela queria agora era um banho e descanso.
Mais uma vez adormeceu sem que Dante estivesse em casa.
Na manhã seguinte, Dante voltou para a empresa, ficar em casa com Ivy e longe de Ellie era uma tortura para ele.
Quando acordou Ivy passou a mão nos lençóis da cama, não havia sinal de que seu marido tinha dormido ali.
Rapidamente pegou o celular em cima do criado mudo, eram 9:40 da manhã.
Em um movimento rápido discou o número de Dante, queria saber onde ele estava.
Em dois toques ele atendeu, com voz séria e apressada respondeu que estava na empresa e estava ocupado e sem mais delongas desligou o telefone.
Sem aviso, Flora entrou na sala de seu filho de forma tempestuosa.
- Que bom que está aqui.
- Bom dia para a senhora também mamãe.
Dante olhou para sua mãe e analisou rapidamente a postura da senhora que estava graciosamente parada a sua frente.
Sabia que ela não estava ali tão cedo para jogar conversa fora.
Inalando o ar profundamente, se encostou na cadeira onde estava sentado, cruzou as mãos diante de si e aguardou todas as perguntas que sua mãe guardava em seu peito.
- Peça a sua secretária o meu chá, bem forte, nossa conversa será longa.
Flora sentou na cadeira à frente de seu filho, cruzou as pernas e olhou fixamente em seu rosto.
Ambos estavam em uma batalha silenciosa, Flora defenderia sua nora de todas as formas e Dante se defenderia dos ataques de Flora.
Ele pegou o telefone e pediu a Aurora o chá de sua mãe e um expresso para ele.
- Prontinho, agora me diga, o que trás a senhora aqui hoje.
- Primeiro, se você estivesse cumprindo seu papel de esposo, não estaria aqui agora e eu também não - Um sorriso de deboche brincava em seus lábios tingidos de rosa queimado.
- Mamãe foi a Ivy que quis voltar.
- É mesmo?! Não foi isso que ela nos disse.
Antes de ouvir a resposta de seu filho, Ellie entrou na sala, sem bater e sem ser avisada.
Ela não sabia que Flora estava ali e entrou contando os planos para os dois.
- Dante, marquei o nosso almoço para as 12:00 em ponto…
Quando se atentou a presença de Flora, ficou estática, logo atrás da cadeira, tampando a boca, surpresa, sabendo que havia falado mais do que devia.
- Não sabia que os funcionários te chamam pelo primeiro nome e entram em sua sala como que entra em um banheiro público meu filho.
- Ellie é minha amiga mãe.
- Está na folha de pagamento? É funcionária e deve agir como tal.
Ela olhava para seu filho com o semblante sério e austero. Não dava margem para erros, mantinha a postura rígida na frente de Ellie.
- Desculpe, eu volto depois.
Ellie virou para porta e pousou a mão na maçaneta, mas antes de sair, ouviu o comando de Flora.
- Esta reserva para o almoço, troque a mesa para quatro pessoas, iremos almoçar em família hoje.
- Meu trabalho não tem nada haver com meu casamento.
- Você não consumou seu casamento, voltou antes do tempo porque estava doente e já está trabalhando. Vejo seu trabalho atrapalhando muito o casamento.
Dante se manteve firme, sem olhar para sua mãe, não queria continuar a conversa, e neste momento sabia que o seu futuro na empresa estava em jogo se não fizesse o que sua mãe mandou.
- Ela se fez de vítima novamente não é?
- Ela é vítima. Um marido que não deseja sua esposa após tanto tempo juntos. Qual é o problema filho?
Flora suavizou o seu tom, se aproximou do filho e o abraçou por trás.
- Não há problema mamãe, só não gosto que ela fale tudo a vocês. Nossa intimidade pertence somente a nós dois.
- Por favor, faça o que eu pedi. E transe com sua esposa. Eu quero um neto!
Dante sentiu em suas costas que sua mãe ria neste momento.
- Pode deixar, não ficará sem netos.
Já calmo com sua mãe, ele virou e beijou sua testa e deu um abraço. Ele sabia que discutir com sua mãe não seria bom.
Dante não conseguia ficar com raiva de sua mãe por muito tempo. Ele a amava muito, mas também não pretendia fazer o que ela pediu.
Ganharia tempo, enrolaria seus pais até conseguir a presidência.
Flora se despediu e saiu, sem chá e sem almoço.
Seu dever de mãe e sogra estava cumprido, não precisava se prolongar ali.
Dante sentou, ainda olhando a grande janela da sala, pensou em Ivy e suas atitudes irritantes.
Ele colocaria ela em seu lugar, mostraria para ela que não havia espaço em seu dia a dia e faria ela odiar o sonho do casamento feliz.

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