Dante ficou dez dias no hospital, não porque era necessário, mas porque Hope e Maura acreditavam que seria mais seguro para a sua recuperação.
Giovanni aparecia no hospital uma vez por dia, para ver Dante e conversar sobre a restauração do novo hotel, que mesmo sem Dante por perto, seguia a passos largos, sem deixar o cronograma atrasar.
Hope, Maura e Carlos, se reaproximaram durante estes dias, a garota aproveitava os momentos livres para questionar sobre o passado, ouvindo dos dois a versão dos fatos de quem via de fora.
Maura sempre deixava evidente sua aflição com os momentos de conflitos entre o casal e como ficou triste na descoberta do caso.
- Foram dias intermináveis, vocês estavam brigando muito, e você estava sempre passando mal, eu desconfiava que você estava grávida, mas nunca tocou no assunto, eu também não questionei.
- Brigávamos por causa da Ellie? Ou tinha outras coisas junto?
- Principalmente por causa dela, ainda não sabíamos quem era mas era por isso. Ele ficava muito tempo fora de casa, te ignorava.
- Você era uma menina frágil e só conseguia chorar por causa dele. No carro por diversas vezes eu vi você chorando pelo retrovisor. - Carlos complementou.
- E como foi quando eu “morri”?
- Foi horrível, parecia filme de terror, a Maura chegou primeiro e me chamou.
- Como assim?
- Quando cheguei, não tinha um lugar daquele banheiro que não estivesse com o sangue dele, a água da banheira vazou misturada ao sangue, e ele estava branco e gelado igual mármore. Os irmãos doaram sangue para ele, que foi preciso muito. E depois ele abriu de novo os cortes e por último… ele tentou se enforcar, sorte que o lençol rasgou quando ele pulou.
- Ele nunca me disse que tentou se inforcar. Mas eu vi nos relatórios médicos as fotos e a descrição das lesões.
- Foi por isso que Flora e Arthur internaram ele.
Hope ficou pensativa, a cada vez que conversavam ela descobria mais sobre ele e seu passado.
Maura e Carlos também falaram sobre a família e Dante se afastou de todos, ficando somente os tres.
- E ele nunca mais se envolveu com nenhuma mulher?
- Não, os pais dele tentaram, mas ele sempre fugia. Parecia que o corpo tava pegando fogo, de tão rápido que ele corria.
Hope riu da forma que Carlos falava.
- Meu paí também se afastou?
- Ele e o Dante tracaram muitos socos e ofensas. Seu pai nunca perdoou o Dante pela traição e por sua morte.
Ela ficou pensativa, em como seu pai iria reagir a sua volta.
Logo depois ela perguntou sobre o que via entre Carlos e Maura.
- Vocês dois sempre foram um casal?
Maura e Carlos se olharam, sem jeito. Como duas crianças pegas fazendo arte.
- Como você sabe que somos um casal?
- Está escrito na testa de vocês dois… o que? Nunca contaram para ninguém que estão juntos?
- Nós… nós começamos depois que você morreu. O Dante não sabe disso.
- Vocês não precisam esconder isso dele… vocês são dois adultos com mais de cinquenta anos, e não há nada que impeça de ficarem juntos.
Os dois abraçaram Hope carinhosamente, ela estava realmente diferente, e eles estavam adorando essa nova pessoa.
Quando Dante teve alta, voltou para o hotel, ainda ficou uns dias em repouso, com Hope, Maura e Carlos sempre à sua volta.
Aos poucos voltou a trabalhar, faltava pouco para a inauguração e Giovanni estava radiante com o novo hotel.
Mas Hope não, ainda não tinha conversado com Dante sobre o futuro dos dois, mas estava apreensiva sobre como seria.
Era um sábado à noite e Giovanni preparou um jantar em sua casa para todos, Maura e Carlos ficaram a princípio sem jeito, mas Hope insistiu e eles aceitaram.
O jantar estava tranquilo e alegre, a conversa fluía até o assunto principal ser exposto.
- Na semana que vem inauguramos o novo hotel, e você vai para onde depois Dante? - perguntou Giovanni deliberadamente
- Eu quero que você seja você, mas seu nome é esse… Ivy Martinez Salvatore. Não pense que quero te colocar em uma caixa, só quero regularizar seus documentos.
- Mas todos me conhecem como Hope.
- Continue assim… você é uma artista, use como nome artístico.
- Tem certeza? Você não quer a sua falecida esposa de volta?
Dante riu calorosamente da pergunta dela, a deixando confusa.
- Tô falando sério Dante!
- Quantas vezes vou ter que repetir que te amo? A forma como você é chamada não me importa. O que você faz da vida, não me importa, desde que te faça feliz.
- Você vai falar para os seus pais que eu sou dançarina de boate?
- Sim! Este é o seu trabalho não é?!
Dante deu um beijo apaixonado nos lábios rosados dela, tomou fôlego e continuou olhando em seus olhos.
- Tem uma parte da nossa história que eu não te contei… você nunca quis se formar, ter uma profissão. Tinha medo de nossos trabalhos nos distanciar. Meus pais queriam que você trabalhasse comigo. Eu nunca quis. Você sabia todos os meus gostos, fazia tudo o que eu queria. Isso era chato.
- Eu me dediquei a você Dante…
- Eu sei, mas era chato e irritante… você não faz ideia como é lindo te ver dirigindo o seu carro, ver as suas danças, sendo você. Sendo feliz. Mesmo que eu tenha ciúmes de ver outros homens te desejando, ainda é o que te faz feliz.
- E o que faremos então?
- Nós podemos voltar para o Brasil, para você ver o seu pai, arrumar os documentos e ver a minha empresa, e depois com calma voltamos para cá. Não precisamos fazer as coisas correndo, temos todo o tempo do mundo para isso.
- Vou pensar se você merece isso…
- Tenho uma ótima sugestão de como você pode pensar nisso!

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