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QUANDO TE PERDI romance Capítulo 101

Hope esperou horas no hospital.

Estava angustiada, nervosa e com medo, a bala havia acertado o peito de Dante e nenhum médico apareceu para dar a ela alguma notícia.

Ela ligou para Giovanni explicando tudo o que aconteceu até aquele momento.

- Logo acabará a cirurgia, quando tiver notícias, volte para cá. Estamos te esperando.

- E como ela está? - perguntou ela com um tom de voz irritado.

- Amarrada e amordaçada. Tentou me convencer que deveríamos reatar o nosso caso.

- Que vagabunda… mantenha ela assim, logo eu estarei aí.

- Sem problemas, ela é todinha sua, está à sua espera.

- Obrigada Gio

Desligou o telefone logo que avistou o médico vindo em sua direção.

- Hope é você que está com o rapaz baleado? Giovanni me avisou.

- Sim, sou eu doutor. Como ele está?

- Foi complicado, a bala quase atingiu o coração, mas conseguimos parar o sangramento e retirar o projétil.

- Isso é ótimo, quando posso vê-lo?

- Logo, mas, aquele calibre é o mesmo da sua arma. O que você fez?

- Não fui eu, e sim era a minha arma, uma louca do meu passado esquecido apareceu e pegou a minha arma.

- Preciso me preparar para receber mais alguém baleado?

- Não, ela não vai sobreviver…

- Diga ao Giovanni que ligarei.

- Aviso. Muito obrigado, doutor. Eu volto ao amanhecer para vê-lo.

Hope saiu do hospital e foi para o velho galpão onde Giovanni aguardava com Ellie.

Dirigiu apressadamente em seu masserati vermelho cereja, com raiva, tamborilando o volante com a ponta dos dedos. Agora que finalmente ela sabia do seu passado, e estava se resolvendo com Dante, Ellie apareceu e quase o matou.

No centro do velho galpão mofado e úmido, abaixo de uma luz forte, Ellie estava amarrada a uma cadeira de metal, as mãos atadas nas costas com corda grossa e os tornozelos presos às pernas da cadeira. Um pedaço de pano sujo enfiado na boca abafava seus gemidos, seus olhos arregalados fixos na figura que acabara de entrar.

Os cabelos coloridos de Hope, estavam bagunçados e esvoaçantes, rosto vermelho de raiva. Suas roupas, estavam manchadas do sangue de Dante.

Giovanni estava sentado relaxado em uma cadeira mais afastada, na penumbra, fumava um charuto enquanto observava Ellie se debater na cadeira.

- Cheguei grandão, o Dante está fora de risco agora.- disse ela pousando a mão no ombro dele.

Isso é bom, amanhã eu irei lá.

- O doutor disse que vai te ligar.

- Certo.

Ambos estavam parados olhando para a mulher à sua frente. Hope sentia seus batimentos acelerados, a raiva estava explodindo dentro dela e sua mão coçava para começar com Ellie.

- Ela é toda sua, vai lá. Aproveita.

- Não quero mata-la tão rápido.

- Não precisa, respira… aproveite o momento, faça por hoje e por seis anos atrás. - Giovanni dava leves tapinhas na mão de Hope que estava em seu ombro.

Hope caminhou devagar até Ellie, os passos pesados ecoando. Parou bem à sua frente, inclinou-se e, com um movimento quase terno, retirou a mordaça da boca da outra garota. O silêncio que se seguiu foi denso, quase palpável, quebrado apenas pela respiração ofegante de Ellie.

- Você não devia ter tentado me matar - disse Hope, com uma voz baixa, calma… mas sem calor algum.

Ellie engoliu em seco, os olhos marejados, mas fingia estar firme e convicta.

- Ivy… por favor… não finja que você fará alguma coisa. Você não mata nem uma barata!

Hope deu um sorriso torto, quase infantil, mas vazio.

- Sabe Ellie… há seis anos eu não sou mais Ivy, por sua causa, ela morreu.

Ela se virou, foi até a sua bolsa e tirou uma faca de caça. Segurou-o contra a luz fraca que vinha de uma janela quebrada.

- E também graças a você, eu renasci, e hoje eu Hope Bórgia, vou fazer com você o que jamais imaginou que Ivy faria.

Voltou-se para Ellie, os olhos brilhando com uma excitação perturbadora.

- Você deveria ter feito direito e me matado de verdade!

- Eles são escolhidos por mim, não ao contrário. Eu não ganho para transar, eu pago é diferente.

- Você sempre se achou melhor do que eu, sempre se achou mais bonita do que eu, mas não é. Não é Ivy! - As lágrimas de Ellie agora eram abundantes e verdadeiras.

- Vamos ver se você vai continuar assim, Barbie plastificada!

Hope puxou a faca que estava no abdômen de Ellie e começou a cortar os longos cabelos bem curtos deixando manchados com o próprio sangue. Ellie estava destruída, maquiagem borrada, com sangue, cabelos curtos e desgrenhados.

Hope queria deixar a imagem de Ellie destruída antes de seu fim.

Depois de cortar os cabelos, se afastou de Ellie, aproximou de Giovanni estendendo a mão para ele. Giovanni entregou-lhe uma de suas armas e colocou na mão de Hope.

Ela voltou, seus passos eram despreocupados, com a arma na mão, segurando firme, apontou na testa, entre os olhos de Ellie.

- Diga suas últimas palavras.

- Não faça isso Ivy, eu sou sua prima…

BUM!

Hope apertou o gatilho, sem deixar Ellie terminar.

- Cansei da sua voz.

Hope virou de costas, deixando para trás o corpo inerte de Ellie na cadeira.

Se aproximou de Giovanni e devolveu a arma.

- Feito, agora eu preciso de um banho e descansar, quero vê-lo logo cedo.

- Eu também quero vê-lo, vamos embora.

Giovanni se levantou e segurou com as duas mãos o rosto de Hope. Deu um beijo em sua testa e a abraçou. Sua fadinha pequena e delicada havia se mostrado uma fera indomada.

- Acabou, acabou. Agora descanse. Tudo ficará bem.

Giovanni virou para trás, dando uma última olhada para Ellie e ordenou para seus homens:

- Joguem no mar. Já sabem o que fazer.

Eles saíram juntos, deixando para trás o passado de Hope que seria esquecido de vez

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